Contra desastre, ídolo argentino serve de inspiração ao São Paulo

Mariano, um dos sócios da seguradora Antonio Sastre y Hijos, admite que não é dos fãs mais assíduos de futebol. Torce para o Independiente, como o pai e o avô, ex-jogadores do clube. Só que com tanto futebol em sua volta, o empresário não tem muita escolha. Convive com a paixão familiar e é um dos mais orgulhosos com a vida dos Sastre dentro dos gramados.

Foi Mariano quem atendeu à reportagem do LANCE! ainda na semana passada. Ficou empolgado em saber que um jornal brasileiro resgataria a história de seu avô. Fez questão de abrir as portas da seguradora, instalada em um prédio antigo no centro de Buenos Aires. E comemorou quando o encontrou foi adiado para o fim da tarde da última segunda. Assim seu pai poderia conduzir melhor a história do avô no futebol.

Antonio Sastre um dia já foi o maior craque argentino. Chegou ao São Paulo em 1943 já aos 32 anos, em contratação ridicularizada pela imprensa, que o chamava de “deSastre”. A resposta veio em campo e serve de motivação para o Tricolor se manter vivo na Libertadores no jogo com o San Lorenzo, marcado para as 19h45 desta quarta-feira. Uma pena somente o fato de não haver vídeos para comprovar a genialidade que os herdeiros relatam.

– Apenas Corinthians e Palmeiras ganhavam o Paulista. Tinha a lenda de que o São Paulo só seria campeão se a moeda do cara ou coroa caísse de pé. Feito! Já em 43 meu pai foi campeão e ganhou um troféu que era uma moeda de pé. Chamavam-no de bonde velho, porque fez jogos ruins. Saiu, melhorou a parte física e voltou com seis gols num 9 a 0 sobre a Portuguesa Santista – relembra Antonio Osvaldo, 72 anos, primogênito do craque morto em 1987 vítima de um derrame cerebral.

Neto e filho orgulhosos tentam explicar com quem Sastre se parecia em campo. Concordam que chegaram perto ao citar Riquelme, mas a comparação que mais empolga é com Didi, lenda brasileira. Mas asseguram: o patriarca da família ia muito mais além.

– Com quem podemos comparar? Talvez com Riquelme, acho que é um bom exemplo. Mas na época parecia muito com o Didi. Jogava em todas as posições. Foi 5, 8, 10 e 4, o marcador pelo lado direito da defesa. E ainda foi goleiro! Duas vezes! Uma na Argentina e uma no Independiente, quando não tinha substituição.  – sorri Antonio Osvaldo.

Confira bate-papo com o filho de Antonio Sastre, argentino ídolo do São Paulo:

Você vai sempre para o Brasil?
Sim, por nossos parentes em Campinas. Até tem uma história legal de uma dessas viagens. Fui a uma loja de roupas masculinas e paguei com cartão de crédito. O vendedor olhou meu nome e disse: ‘Seu sobrenome é famoso aqui’. Eu falei: ‘Sério? Por quê?’ Ele contou a carreira do meu pai, eu interrompi e disse que era filho do tal Sastre. O rapaz começou a chorar, me abraçou, fez uma festa…

Mas nem sempre foi assim…
Não mesmo… Nessa história de chamar meu pai de bonde velho, uma vez meu tio estava cortando cabelo e o barbeiro era são-paulino fanático, ficou xingando meu tio por ser parente do ‘ferro velho’. Ele só não viu que meu pai tinha ido junto… O começo de meu pai no Brasil foi com tudo contra!

O que aconteceu para ele ter esse começo ruim?
Jogou mal, tinha problemas com o Leônidas da Silva, que tinha cíumes dele, precisou da ajuda do técnico Joreca para melhorar a parte física. E essa história do ciúme o próprio Leônidas disse quando eu o encontrei mais tarde, quando ele era comentarista. Depois viraram grandes amigos. Ele superou tudo. Um dirigente brasileiro uma vez disse que se houvesse um nobel do futebol, o nome do prêmio teria de ser Sastre.

Fonte: Lance

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