Com salários em dia, diretoria do São Paulo “vira o jogo” e cobra elenco

Os jogadores do São Paulo tiveram seu ‘ato de rebeldia’ ao fazer uma greve de silêncio e demonstrar sua insatisfação com o atraso no pagamento de direitos de imagem e premiações. Mas agora o jogo virou. Ao menos na visão da diretoria do clube. A cúpula tricolor acredita que, com os salários quitados, tem permissão para cobrar os jogadores e exigir resultados melhores.

Essa nova postura já foi colocada em prática no CT da Barra Funda na manhã de terça-feira. O diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira deu uma entrevista dura dizendo que falta empenho ao time, que sofreu uma derrota vexatória no fim de semana para o São Bernardo, pelo Paulistão, e ainda tem um jogo difícil contra o River Plate, nesta quinta-feira, pela Libertadores.

Pessoas ligadas ao clube relataram ao UOL Esporte que a diretoria, com a anuência do técnico Edgardo Bauza, tinha um sentimento de dívida com os atletas por causa dos pagamentos atrasados e pelo episódio desconfortável envolvendo o assessor da presidência do clube, Rodrigo Gaspar. Ele xingou alguns jogadores nas redes sociais depois da derrota para o The Strongest, na estreia da fase de grupos da Libertadores.

Agora, com a quitação da dívida, o sentimento é que o jogo virou. Bauza e os dirigentes entendem que o time precisa se doar mais em campo e, por isso, se sentem no direito de cobrar e exigir melhores resultados.

Foi justamente o que disse Gustavo Vieira nesta terça-feira no CT. “Em relação à cobrança, ninguém imaginou que a vida seria fácil. Quem almeja chegar a um clube como o São Paulo, terá que encarar o tamanho da torcida e sua grandeza. O que fazemos é cobrança interna. Não basta [um jogador] fazer o normal aqui. Tem que fazer mais, porque é isso que o torcedor espera”, disse.

“Nossa análise é muito mais de comportamental, a conduta do atleta. É nesse sentido que eu falo. E nesse assunto, nós não estamos satisfeitos. A diretoria está tomando atitude para que isso seja corrigido”, afirmou.

Gustavo ainda minimizou o atraso no pagamento de direitos de imagem e premiações dizendo que ‘nunca foi algo extremamente relevante’. A dívida, no entanto, não parecia tão sem importância para os atletas. O elenco chegou a declarar greve de silêncio à imprensa antes do jogo contra o The Strongest como forma de protesto e até houve um mal-estar com Diego Lugano, que quebrou o pacto e deu entrevistas após a derrota. Capitão e um dos líderes do movimento, Michel Bastos foi barrado de uma partida e precisou se explicar nas redes sociais.

Cobranças da diretoria em relação ao time não são inéditas no passado recente. Há três meses, o vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro também demonstrou sua insatisfação depois da derrota vexatória por 6 a 1 para o Corinthians, no fim do Brasileirão. “É lamentável, estamos todos envergonhados. Tem que haver cobrança sim, perder de 6 a 1 para o Corinthians. Vamos partir para uma reação”, disse.

Enquanto os atletas estão no alvo, Bauza ainda é blindado. Apesar de os resultados não estarem aparecendo, a diretoria reforça a confiança no treinador e diz que é preciso ter paciência para que ele implemente sua filosofia de jogo.

O vice-presidente do São Paulo, Roberto Natel, reitera esse pensamento. “Ainda é muito cedo. Ele tem que se adaptar aos jogadores, os jogadores têm que se adaptar a ele. É uma aposta, eu acho que é você sair da mesmice e ir atrás de uma aposta em que você acredita nesta aposta. Então tem que dar tempo ao tempo, tem que dar suporte, analisar e tentar chegar naquilo que seja ideal”, disse ao UOL Esporte.

A postura desta diretoria de proteger o treinador também vem do ano passado. Ataíde Gil Guerreiro era um dos maiores defensores e sempre demonstrava seu apoio a Juan Carlos Osorio, ainda que ele sofresse críticas do então presidente Carlos Miguel Aidar. O comandante ouvia reclamações pelo seu esquema de rodízio e por ficar indeciso com uma proposta da seleção mexicana. Ao deixar o clube, o técnico até agradeceu nominalmente a Ataíde ‘pelo apoio incondicional, do início ao fim’ da gestão.

 

Fonte: Uol

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