São Paulo bate San Lorenzo aos 44 e sai do sufoco na Libertadores

Michel Bastos tentou dois cabeceios, um no primeiro minuto de jogo e um aos 44 minutos do segundo tempo, para tirar o São Paulo do sufoco na Copa Libertadores. Depois de acertar uma das traves direitas do Morumbi na investida inicial do jogo desta quarta-feira contra o San Lorenzo, o meia balançou a rede no fim e assegurou a vitória por 1 a 0, no primeiro dos dois confrontos diretos com a equipe argentina.

Se a igualdade poderia complicar, o triunfo isola o time de Muricy Ramalho na segunda posição do grupo 2, agora com seis pontos, três abaixo do Corinthians e três acima do rival desta quarta-feira, o qual o São Paulo voltará a enfrentar em 1º de abril, em Buenos Aires. Depois da partida com mando argentino, ambos ainda terão pela frente Danubio e Corinthians.

Seis dias depois da fatídica partida de quinta-feira contra o São Bento – quando o Morumbi registrou o menor público desde 2009 e houve protestos até irônicos durante todo o segundo tempo -, desta vez o ambiente no estádio foi bem diferente. Tanto na arquibancada, com apoio irrestrito também de torcedores uniformizados (vide os gritos para todos os titulares, de Rogério Ceni a Luis Fabiano), quanto dentro de campo, com muita intensidade por parte dos jogadores desde o apito inicial.

Logo no primeiro minuto, após tabelar com Luis Fabiano na meia direita, Alexandre Pato cruzou para a área e viu Michel Bastos cabecear a bola na trave direita. O lance incendiou a arquibancada, mas também determinou a substituição de Pato pouco depois. O atacante sofreu entorse no tornozelo ao fazer o cruzamento e aguentou mais pouco tempo no gramado – que teria um buraco na ponta direita – antes de dar lugar a Ricky Centurión.

Antes disso, o São Paulo continuou a demonstrar espírito aguerrido, especialmente com Michel Bastos, que vibrou em direção à torcida a cada carrinho na lateral. Furar a marcação argentina, porém, estava difícil. Luis Fabiano e Ganso toparam com os zagueiros adversários dentro da área e reclamaram timidamente de pênalti inexistente. O capitão Rogério Ceni, até então distante do árbitro Wilmar Roldán, só precisou trabalhar aos 14 minutos, quando Kalinski arriscou arremate da meia direita e forçou o goleiro são-paulino a pular no canto.

Foi três minutos mais tarde que Pato admitiu ao técnico Muricy Ramalho não ter mais condições de seguir em campo. A essa altura, a intensidade do São Paulo já havia caído consideravelmente, apesar da maior posse de bola no campo ofensivo. Aos 25 minutos, Caruzzo usou a cabeça para meter uma bola à direita da meta de Rogério Ceni. Assim, com eventuais subidas ao ataque e muitos escanteios – além de alguma catimba –, o San Lorenzo conseguiu suportar a pressão inicial e esfriar o jogo.

Aos 40 minutos, a equipe de Buenos Aires por pouco não abriu o placar. Após cruzamento de Buffarini pelo lado direito, Blanco invadiu a área em velocidade, ganhou de Bruno pelo alto e cabeceou no travessão.

Ovacionado ao entrar no lugar de Pato ainda na primeira metade do primeiro tempo, Centurión foi o principal escape do São Paulo e também o maior responsável pelos protestos da torcida contra a arbitragem no intervalo. O argentino sofreu pelo menos duas faltas não marcadas depois de driblar a defesa adversária. Pouco antes do final do tempo regulamentar, Wilmar Roldán finalmente sacou o cartão amarelo do bolso e o mostrou a Buffarini após parar o meia-atacante são-paulino com um empurrão.

A única substituição entre as duas etapas partiu de Edgardo Bauza, treinador do San Lorenzo, que tirou Ortigoza para colocar Mercier. O São Paulo não mudou. Como no começo da partida, logo assustou o goleiro Torrico, em forte chute de Carlinhos. Porém, diferentemente da primeira metade, finalizou mais. Em resposta a um fraco arremate de Mussis para fora, a equipe mandante acertou a trave novamente em cabeceio de Luis Fabiano, aos 15 minutos, após escanteio cobrado por Centurión pelo lado direito.

A dupla de atacantes voltou a funcionar no minuto seguinte. Acionado pelo lado direito da área, Luis Fabiano bateu cruzado, e Centurión, dentro da pequena área e de frente para o gol vazio, completou a bola para a rede. O argentino chegou a saltar a placa de publicidade e começar uma dança diante dos torcedores antes de perceber que o árbitro assistente tinha apontado impedimento no mínimo questionável.

Pressionado pela torcida para atacar, o São Paulo continuou buscando gol até o final. A posse de bola no campo ofensivo inicialmente resultou em um grande susto, quando Rogério Ceni fez defesa em arremate de dentro da área, aos 35 minutos. A torcida já chiava, principalmente com Ganso, substituído por Boschilia, mas deixou qualquer vaia de lado no momento em que Michel Bastos recebeu cruzamento e cabeceou para a rede, a um minuto dos acréscimos.

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 1 X 0 SAN LORENZO

Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Data: 18 de março de 2015, quarta-feira
Horário: 22 horas (de Brasília)
Árbitro: Wilmar Roldán (COL)
Assistentes: Humberto Cavijo (COL) e Eduardo Díaz (COL)
Cartões amarelos: Carlinhos (São Paulo). Blanco, Buffarini, Caruzzo, Kalinski e Mercier (San Lorenzo)
Gols: SÃO PAULO: Michel Bastos, aos 44 minutos do segundo tempo

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Carlinhos; Denilson, Souza (Alan Kardec), Ganso (Boschilia) e Michel Bastos; Alexandre Pato (Centurión) Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho

SAN LORENZO: Torrico; Buffarini, Yepes, Caruzzo e Mas; Kalinski, Ortigoza (Mercier), Mussis e Blanco (Romagnoli); Barrientos e Cauteruccio (Matos)
Técnico: Edgardo Bauza

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