Rodízio e formação flexível: as marcas do São Paulo de Rogério Ceni

Em menos de dois meses de trabalho, Rogério Ceni já conseguiu dar uma “cara” ao São Paulo, mostrar quais são suas ideias de futebol para o time e conseguiu resultados expressivos para o momento, como foi a vitória no clássico desta quarta, que acabou com uma série de tabus. Entre a euforia dos torcedores tricolores e o desempenho dos atletas em campo, as principais virtudes do time e da nova comissão técnica até aqui estão vinculadas a um sistema tático flexível, ao rodízio nas escalações, que aparenta confiança no elenco, e ao estreitamento na relação com a torcida.

O primeiro ponto a ser destacado é o elo de confiança criado entre Rogério Ceni e o elenco. Com a maratona de jogos e viagens e o pouco tempo para fazer os ajustes necessário em treinamentos, o técnico tem pedido a seus jogadores para que tentem se poupar sempre que possível durante as partidas. Isso pôde ser visto nas vitórias contra Moto Club e Ponte Preta. Em ambos os casos o placar já estava definido minutos antes do apito final.

Para manter todos em um nível físico e de ritmo próximos, Ceni também tem apostado no rodízio nas escalações, independente da importância da partida. O ato evidencia sua confiança no elenco que tem à disposição e ajuda a prevenir lesões. Dos 24 jogadores inscritos no Campeonato Paulista e que também disputam a Copa do Brasil pelo Tricolor, Rogério Ceni já utilizou 20. Apenas Breno, Lucão, Wesley e Lucas Pratto não foram a campo ainda. Vale lembrar que o argentino só teve a documentação liberada na quarta e está confirmado no jogo de sábado, enquanto Wesley se recupera de uma artroscopia.

E se ainda não repetiu nenhuma escalação nas quatro partidas oficiais que comandou na temporada, o treinador são-paulino também mostrou que não pretende definir um único sistema tático. Ao invés de procurar o posicionamento ideal para a equipe, Rogério Ceni quer seu time preparado para diversas formas de jogar e se portar. E essas alternâncias têm sido colocadas em prática dentro de um mesmo jogo.

O São Paulo já pode jogar no 3-4-3, no 4-2-3-1 ou no 4-3-3 sem a necessidade de substituições. As circunstâncias dos desafios é que têm determinado a postura no gramado. Uma simples ordem do técnico à beira do campo é o suficiente para que os atletas saibam o que fazer e se desloquem para suas novas funções. O clássico contra o Santos evidenciou esse potencial quando João Schmidt foi deslocado para a linha dos zagueiros e Cueva passou a jogar com mais liberdade.

É óbvio que as vitórias contribuem para que todos tenham tranquilidade para trabalhar e o fato de Rogério Ceni ser o maior ídolo do clube é um respaldo e tanto em um início de temporada e formação de grupo. Mas, mais do que isso, nesse ano o São Paulo voltou a ter uma forte ligação com seu torcedor. Nas redes sociais o apoio, a paciência e o otimismo são latentes. E esse estreitamento ficou mais perceptível nas arquibancadas. Foram pouco mais de 50 mil presentes no Morumbi no último domingo. E a promessa para sábado é de um público ainda maior.

Se o São Paulo vai ter sucesso em 2017 ou se Rogério Ceni irá vingar na nova função são perguntas ainda sem respostas e precoces. Mas é inegável a evolução da equipe nesses primeiros dias de trabalho. O ex-goleiro parece convicto do que quer e tem tudo o que precisa para alcançar os objetivos do clube. Agora é dar tempo ao tempo.

 

Fonte: Gazeta Esportiva

Um comentário em “Rodízio e formação flexível: as marcas do São Paulo de Rogério Ceni

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*