Rival do São Paulo, Nacional é controlado por ‘rei do refrigerante’

Dinheiro não falta para o Nacional de Medellín voltar a ser um dos clubes mais poderosos da América do Sul, como aconteceu no final dos anos 80. Líder absoluto do campeonato local e adversário do São Paulo nas quartas de final da Copa Sul-Americana, o clube mais popular da Colômbia é dirigido por um empresário dono de uma fortuna avaliada em R$ 12 bilhões.

Carlos Ardila Lulle, hoje com 83 anos, tem seu império sustentado pelo sucesso da marca de refrigerantes Postobón, a principal da Colômbia e que rivaliza acirradamente com conglomerados internacionais. A bebida, muito adocicada para os padrões brasileiros, é encontrada em qualquer estabelecimento do país e em publicidades a cada esquina.

O poder da marca e do empresário é tanto que supera os limites do bom-senso. Além de ser dono do clube com maior torcida e de estampar o logotipo da bebida na camisa verde e branca, ele também patrocina todas as divisões do Campeonato Colombiano. Mais que isso, ainda é proprietário de mais de uma dezena de emissoras de rádio e televisão.

Lulle comprou o Nacional em 1996, em um período de transformações no clube e no país. Pablo Escobar, o mais famoso traficante colombiano e um dos maiores investidores do Nacional, havia morrido três anos antes, diminuindo as receitas e deixando a equipe longe dos títulos. Foi durante a “gestão”  dele que a equipe obteve seu maior feito, o título da Libertadores de 1989, com Higuita e Asprilla em campo.

O dinheiro injetado pelo novo grupo foi transformado em bons resultados. Desde que o empresário assumiu, são seis títulos nacionais conquistados – outros dois podem chegar até o fim do ano. Além disso, a equipe ganhou um moderno centro de treinamentos que, em breve, terá também um alojamento para os atletas.

Terceiro homem mais rico da Colômbia e número 225 do mundo, segundo a revista Forbes, Lulle prefere ver de longe os passos dados pelo Nacional. Por causa da idade avançada, raramente aparece nos jogos ou treinos. O comando de tudo está nas mãos do filho Antônio, responsável também pelo investimento de mais de R$ 20 milhões para a contratação de reforços nos últimos anos.

Apesar dos custos elevados, muito superiores aos dos rivais, o clube aposta em uma postura nacionalista de dar preferência a jogadores do país, assim como aconteceu nos anos 70 e 80. Dos 30 jogadores inscritos na Conmebol, apenas o goleiro Franco Armani é estrangeiro – argentino. Todos os outros são colombianos

A estratégia, porém, ainda não consegue fazer frente à força do futebol internacional. O lateral Medina e o volante Mejía, convocados frequentemente, são reservas na seleção colombiana. As estrelas Falcao Garcia, James Rodríguez e Jackson Martínez atuam no exterior.

– Temos um bom poder aquisitivo, mas não abusamos dele. Nós investimos nas categorias de base e damos mais oportunidades a jogadores colombianos. Nossos dirigentes são homens trabalhadores e que dão um bom exemplo ao país – afirmou o técnico Juan Carlos Osorio.

A recuperação definitiva do Nacional passa pela conquista de um título internacional. Eliminar o São Paulo, atual campeão da Sul-Americana, e seguir na rota da taça virou obsessão do time e da apaixonada torcida, ávida o retorno dos tempos de glória. Isso dinheiro nenhum pode comprar – ou pode?

 

Fonte: Lance

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