Ex-bancário, Ceni quase foi parar no Santos

Rogério Ceni é um grande vencedor no futebol, com inúmeros títulos no São Paulo, como o bi mundial de clubes (93 e 2005), e também um pentacampeonato na seleção brasileira. Mas a sua trajetória profissional poderia ser bem diferente. Ao invés de desembarcar no CT da Barra Funda quando tinha 17 anos, no dia 7 de setembro de 1990, poderia chegar à Vila Belmiro.
“Na verdade, o primeiro convite que o Rogério teve em mãos foi do Santos. Estava tudo certo para fazer um teste lá. Um diretor de futebol do Sinop (MT), na época, mesmo palmeirense, comentou comigo que o São Paulo tinha mais estrutura, e fez o contato para que fosse para lá. Caso não desse certo no São Paulo, ele iria para o Santos”, confessou em entrevista exclusiva ao Portal da Band.

 

Começo difícil

 

Filho caçula de três irmãos, Rogério Ceni deixou a casa dos pais aos 17 anos para morar no CT da Barra Funda. “O começo foi estranho e muito triste, porque a casa ficava muito silenciosa. Depois fui acostumando”.

 

O primeiro título conquistado pelo goleiro no Tricolor foi campeão Metropolitano de juvenis. “Ele só tinha uma semana no clube”, esclareceu. Sua estreia nos profissionais do clube aconteceu no dia 25 de junho de 1993, na Espanha, no Torneio Santiago de Compostela, contra o Tenerife. O São Paulo goleou por 4 a 1.

 

No entanto, não foi só de alegrias que o jogador conviveu no time. Quando disputava um torneio na Espanha, na vaga de Zetti, que estava na seleção brasileira, sua mãe, Hertha, faleceu. “O São Paulo providenciou o sepultamento e o Rogério chegou a tempo antes de ela ser enterrada”.
Bancário

 

Antes de se tornar um profissional do futebol, Ceni teve outra profissão: bancário. “O Rogério trabalhava no Banco do Brasil como menor estagiário quando tinha 14 anos”, recordou. “Mas na época menor podia trabalhar”, lembrou. “Quando o Collor (ex-presidente do Brasil) assumiu todos (menores) foram dispensados”, recordou.

 

E foi nessa época que Rogério Ceni decidiu de vez ser goleiro. Até então nas ‘peladas’ de rua ou nos campos de futebol de Sinop-MT não tinha posição fixa. Chegou a jogar de volante e até atacante. “Na AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), eles jogavam bola com frequência. Uma certa ocasião o goleiro não pôde estar presente. Como era menor, foi para o gol. Começou a se sair bem a acabou ficando de vez”, relembrou.

Rogério Ceni começou a se destacar no futebol ainda garoto, quando tinha 17 anos. “Ele foi campeão mato-grossense pelo Sinop em 90. Foi a primeira vez que um time do Interior ficou com o titulo do Estado. Com isso, ganhou destaque”.

Rogério, ainda pelo Sinop (MT), seu primeiro clube
Divulgação

Homenagem ao pai?

Até hoje, Seo Eurydes tem dúvidas se Rogério escolheu ser goleiro por causa dele, uma vez que jogou no time amador de Guaíba, na cidade de Getulio Vargas (RS), por três anos, na década de 50. “Pode ser que ele escolheu ser goleiro para me homenagear”, destacou.

“Sinceramente eu gostei da escolha do Rogério. Fiquei satisfeito, embora a profissão seja muito ingrata”, comentou. “Percebi que o Rogério levava jeito, tinha sensibilidade na mão, porque jogava vôlei quando pequeno. Foi até da seleção de vôlei do Mato Grosso”, contou orgulhoso.

Seo Eurydes revelou o grande espelho do camisa 1. “O Taffarel foi sempre o grande ídolo do Rogério”.

Ceni colorado

Natural do Rio Grande do Sul, Seo Eurydes ressaltou as alternativas de torcidas. “Ou você é Inter ou Grêmio. Eu sou Colorado até hoje e como normalmente os pais tentam puxar os filhos, o Rogério era torcedor do Inter quando pequeno”, destacou. “Mas tinha também uma grande simpatia pelo São Paulo e coincidiu”.

Título da Libertadores significa aposentadoria

Seo Eurydes acredita que Rogério Ceni pode pendurar as chuteiras nesta temporada, caso o São Paulo conquiste o título da Libertadores. “Pode ser que sendo campeão ele resolva parar no momento certo, no auge. Isso vai balançar a cabeça dele mesmo se encontrando bem fisicamente”.

No entanto, o pai acredita que o filho tenha potencial para continuar. “Eu ainda tenho esperança que ele renove por mais um ano até 2014. Com certeza ele vai saber o momento de parar e no decorrer da temporada vai ver como vai se sentir”.

Seo Eurydes não tinha dúvidas de que Ceni se recuperaria da grave lesão no ombro, mesmo o próprio médico não garantir a volta. “Eu sempre tive a certeza de que o Rogério voltaria a jogar com qualidade pela sua perseverança, força de vontade, dedicação e amor ao trabalho. Com isso, ele foi melhorando paulatinamente e entrou novamente em boa forma e grande fase e foi assim que renovou seu contrato novamente”.

Centésimo gol

Além dos títulos, Seo Eurydes comenta o grande feito do seu filho: o centésimo gol que fez na vitória contra o Corinthians por 2 a 1, na Arena Barueri, pelo Campeonato Paulista, no dia 27 de março de 2011.

Ceni centésimo gol
                                                                                  Luis Pires/Vipcomm

“O momento foi de muita euforia. Além da vitória sobre o rival, ele marcou mais uma vez seu nome na história. Foi emocionante demais ver aquilo. É imensurável o que aconteceu naquele dia. Comemorei muito aqui com cerveja e churrasco”.

A grande identificação de Rogério com o São Paulo, vai fazer com que ele continue no clube. Pelo menos essa é a expectativa do pai do jogador, “É impressionante como o Rogério tem o respeito, não só dos jogadores, por ser capitão, mas também é amado por todos os funcionários do clube. Eu mesmo comprovo isso todas as vezes que vou ao CT da Barra Funda. Eu imagino que, quando decidir encerrar a carreira, ele tenha algum cargo ou na comissão técnica ou na diretoria”.

Seleção brasileira

Com tantos títulos no currículo, o pai lamentou o fato de o filho não ter dado a mesma sequência vestindo a camisa da seleção brasileira como titular, apesar de ter sido pentacampeão mundial na Coreia do Sul e Japão em 2002. “Alguns jogadores com menos expressão que ele tiveram mais oportunidades de serem titulares pelo Brasil”.

Ele, porém, não acredita que Rogério Ceni vista a camisa verde e amarela na Copa de 2014. “Com 40 anos é muito difícil de isso acontecer. Se fosse nos outros países, poderia ser, como aconteceu com a seleção da Itália”, lembrou.

Filho exemplar

Além de ser reconhecido pela torcida, Seo Eurydes também destacou as virtudes do filho. “O Rogério me orgulha muito, pois é um homem na concepção da palavra um excelente filho, pai, marido, um ser humano fora de série”.

Ele destacou que Rogério sempre foi família. “Tivemos uma crise muito grande aqui no Mato Grosso em 2005, e sempre nos acolheu financeiramente”. Ele conta com orgulho que o carro que usa atualmente foi um presente que recebeu do filho. “Além do mais todo ano ele passa o Natal e o Ano Novo junto da família, aqui no Mato Grosso e encontra com os irmãos Rosicler, Rudimar e Ronaldo”.

 

Fonte: Band

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