Em um mês, São Paulo perde 4 vezes mais tempo viajando do que jogando

Desde o dia 13 de outubro, quando saiu para jogar pela primeira vez fora do Brasil na Copa Sul-Americana, o São Paulo já perdeu pelo menos 60 horas entre voos, escalas, conexões, estradas e esperas em aeroportos. Desde então, o time participou de dez jogos da Sul-Americana e do Campeonato Brasileiro, um total de 15 horas de futebol aproximadamente.

A maior parte do tempo de deslocamento, de acordo com estimativa feita a partir das informações do clube, foi perdida em viagens a cidades tão remotas como Talcahuano, no Chile, onde o time enfrentou o Huachipato, e Guayaquil, no Equador, casa do Emelec.

Na última terça-feira, após mais de sete horas de viagem, a delegação tricolor chegou a Medellín, na Colômbia, onde enfrentará logo mais o Nacional pela semifinal do torneio sul-americano. O jogo está marcado para as 22h (de Brasília).

A análise do tempo de deslocamento de um time de futebol é importante porque isso pode influenciar o desempenho da equipe em campo, à medida que mais horas de viagem significam menos tempo para treinos e mais cansaço. As longas jornadas têm sido apontadas pelo técnico são-paulino Muricy Ramalho, inclusive, como um dos principais fatores de desgaste de sua equipe no final de 2014.

Os adversários do São Paulo no Campeonato Brasileiro têm tido que viajar muito menos ultimamente.

O Cruzeiro, o único do G-4 que também participa de duas competições, tem a “sorte” de estar disputando as finais da Copa do Brasil com um rival da mesma cidade, o que tira a necessidade de viajar. No último mês, os mineiros precisaram ir a lugares como Natal e Salvador. Uma estimativa de seu deslocamento no período totaliza cerca de 24 horas de traslados (ida e volta) a partir e para Belo Horizonte.

Internacional, Grêmio e Corinthians, os clubes que vêm logo atrás na tabela do Brasileiro, têm o privilégio de se dedicar apenas ao principal torneio nacional e, por tabela, o de não precisar viajar tanto. Em média, os três times perderam cerca de 13 horas cada um com deslocamentos.

No caso do São Paulo, a diretoria aponta dificuldades de logística como a principal razão dos altos tempos de deslocamento. Recentemente, o time perdeu 15 horas para chegar a Guayaquil, no Equador, porque precisou fazer duas escalas (em Lima e em Quito). Com 15 horas, é possível ir até Paris em voo direto.

“Como você só conhece o seu adversário em cima da hora, fica difícil fazer os preparativos adequados de logística”, disse recentemente o vice-presidente de finanças do clube, João Paulo de Jesus Lopes.

Mas o adversário desta quarta-feira, o Atlético Nacional, também pode se queixar de uma rotina intensa de viagens. Também dividido entre a fase final do Campeonato Colombiano e a Sul-Americana, o time de Medellín já precisou viajar a Trujillo, no Peru, e a Salvador, onde passou por cima do Vitória nas oitavas de final.

Na semana que vem, será a vez dos colombianos virem ao Brasil pelo jogo da volta da semifinal.

Em um mês*…

… o São Paulo:
Viajou por 60 horas e fez 10 jogos, com 76% de aproveitamento.

… o Cruzeiro:
Viajou por 24 horas e fez 10 jogos, com 60% de aproveitamento.

… o Internacional:
Viajou por 12 horas e fez 7 jogos, com 47% de aproveitamento.

… o Grêmio:
Viajou por 14 horas e fez 6 jogos, com 77% de aproveitamento.

… o Corinthians:
Viajou por 12 horas e fez 7 jogos, com 66% de aproveitamento.

* estimativa dos tempos de viagem baseada em informações da duração aproximada de voos em jogos fora de casa da Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro.

 

Fonte: Uol

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