5 motivos explicam por que o São Paulo não aproveitou a pausa para a Copa

Não é raro ver o técnico Muricy Ramalho lamentar, em uma entrevista coletiva, as falhas do calendário do futebol brasileiro. “É jogo quarta, domingo, quarta, domingo”, costuma dizer, ao reclamar que não há tempo hábil para treinar a equipe. Durante a Copa do Mundo, no entanto, o São Paulo teve dias de sobra para isso, mas mostra agora que não utilizou a intertemporada da forma mais pertinente. Apenas uma vitória e um empate em quatro partidas, três esquemas táticos diferentes e uma equipe sem padrão de jogo desde então.

Mais do que os nove pontos de distância para o líder Cruzeiro, o que coloca o São Paulo abaixo dos principais concorrentes do Brasileirão, hoje, é o nível de jogo. E a equipe de Muricy perdeu partidas que não esperava: contra Chapecoense e Goiás, sofreu para bater o Bragantino pela Copa do Brasil, e empatou com o Criciúma ao voltar ao Morumbi. Abaixo, os motivos que fizeram da pausa um período infrutífero para o São Paulo, mesmo com a viagem de duas semanas para os Estados Unidos.

1. Sem Kaká

REGINALDO CASTRO/ESTADÃO CONTEÚDO

A diretoria apostou na contratação de Kaká, de curto prazo, até o fim do ano, mesmo sabendo que o meia não participaria da intertemporada com Muricy Ramalho e o elenco. A contratação foi firmada durante a Copa do Mundo, quase um mês depois do time voltar dos Estados Unidos. Muricy não tinha o meia para montar equipe nos treinos durante a temporada, e por quarenta dias treinou equipe que não seria a titular ideal no segundo semestre de 2014.

 

2. Indefinição tática

Site Oficial/saopaulofc.net

O problema se liga à ausência de Kaká no período de treinos, obviamente, mas poderia ter sido evitado, ou pelo menos amenizado. Muricy não teve Kaká antes, no início da pausa, como deveria, e por isso não treinou a equipe com o ex-melhor do mundo durante a pausa. Mas sabia dos planos da diretoria do presidente Carlos Miguel Aidar, e concordou com o reforço. Poderia ter testado variações da equipe com o meia, para que não voltasse ao segundo semestre variando esquemas táticos.

 

Depois do empate contra o Criciúma, partida em que o São Paulo – sem Kaká – apresentou o melhor futebol desde o reinício do Brasileirão, Muricy falou: “Acontece que esse time era só para esse jogo. Agora volta o Kaká, ele já treinou hoje, vamos ter que mexer”. Ou seja, o São Paulo provavelmente terá o quarto esquema tático diferente em cinco jogos na partida contra o Vitória, no próximo domingo, no Morumbi. A equipe voltou de uma intertemporada sem desenho tático e sistema de jogo definidos.

3. Pato no banco

Divulgação/Site Oficial

Alexandre Pato voltou dos Estados Unidos totalmente na reserva. Estava abaixo de Ademilson e Osvaldo, nas pontas, e de Paulo Henrique Ganso e Alan Kardec, nas hipóteses de jogar como segundo atacante ou como referência. Foi banco contra a Chapecoense e contra o Goiás, para ganhar chance no time titular contra Bragantino e Criciúma. Nas últimas duas partidas da equipe, nas quais jogou entre os 11, foi o melhor em campo. A titularidade do atacante, que se fez necessária após os dois últimos jogos, não foi notada durante a intertemporada.

 

4. Reforços desequilibrados

Rubens Chiri/saopaulofc.net

No começo do ano, a diretoria que ainda tinha Juvenal Juvêncio como comandante priorizava reforçar o setor defensivo do time. Só não o fez porque não encontrou no mercado viabilidade nos nomes que tinha como alvo. A comissão técnica era a mesma. Depois da chegada de Carlos Miguel Aidar, os alvos mudaram. Alan Kardec e Kaká foram contratados para uma equipe que tinha acabado de receber Alexandre Pato e já contava com Paulo Henrique Ganso e Luis Fabiano. É óbvio: os cinco não cabem no mesmo time. As prioridades defensivas acabaram, e nem são repensadas após a grave lesão do titular Rodrigo Caio. Não haverá contratação de zagueiros.

 

5. Processo inverso

Rubens Chiri/saopaulofc.net

No Cruzeiro, líder e atual campeão do Brasileirão, existe um esquema padrão de jogo. Seja qual for a sequência de 11 jogadores que atuam, o desenho do 4-2-3-1 será respeitado. No Corinthians de Mano Menezes, o mesmo acontece apesar de não ter tanta rigidez. Há 11 funções em campo que se conservam e são respeitadas seja qual for a escalação. A tendência é a mesma para os principais times do planeta. Primeiro vem o esquema de jogo, aquele que é trabalhado diariamente no treino e na cabeça dos jogadores, e depois vem a escalação. No São Paulo, sete meses após o início da temporada, o processo é inverso: primeiro os jogadores, depois o esquema. Adapta-se a equipe aos atletas disponíveis para a próxima partida. Mata-se um jogo por vez.

 

Fonte: Uol

6 comentários em “5 motivos explicam por que o São Paulo não aproveitou a pausa para a Copa

  1. Desculpem-me, e podem criticar, mas não entendo a fixação da grande maioria que aqui se manifesta com a responsabilidade da diretoria pela performance da equipe.
    Mesmo que a defesa não seja “nenhuma brastemp” o resto do time, ao menos no papel e nos salários, é. A diretoria atendeu aos treinadores de plantão na grande maioria de seus pedidos para contratações. Tem hoje um técnico celebrado como “top”, com salário idem. Paga em dia – pelo menos achávamos que assim fosse, e oferece segurança a atletas e comissão técnica, e este é o seu papel. Onde a falha? Ah, não contratou alguém a altura para substituir o Lucas! Não tinha, e não tem ainda, no mercado alguém desse nível; digo mais: se o Lucas ainda estivesse por aqui, jogando no SP, jamais seria vendido, sequer por 1/3 pelo qual foi negociado. Não contratou para a zaga (muito fraquinha a nossa por sinal), mas eu argumento que não falta jogadores razoáveis para o setor e que a defesa é a parte “menos nobre” de um time; que nós vemos defesas de times que disputam a segunda divisão parando os melhores ataques, simplesmente porque bem treinadas e o time todo focado.
    Acho que o problema do time do SP é a indefinição de como jogar e a falta de cobrança direta (tipo ir para o banco quem não estiver jogando bem, independente do nome e salário): e isso passa pelo técnico, que precisa se decidir logo pelo que quer (se é que ele ainda é capaz disso). . .

    • Eu ja acho que a defesa é o ponto mais importante de um time, uma vez que vc pode ter jogadores diferenciados na frente, com jogadores extremamente ruins na defesa, certamente não vai dar liga.

      Não precisa ser uma defesa com Maldini, Costacurta e Canavaro, mas aguentar Paulo Miranda, Edson Silva, Douglas, Antonio Carlos e Rafael toloi (que é mais ou menos), não da.

      Já vi esse filme do São em 2002, com Kaká, Ricardinho, Luís Fabiano e Reinaldo, e um sistema defensivo composto por jogadores do mesmo nível dos que aqui estão. Resultado, o time não ganhava nada.

  2. Tai’, na’o precisamos acrescentar mais nada,
    mas acrescento.
    dougrassssss e maicon karangueja’o na’o servem
    nem pro Luverdense, que em casa e’ cruel com seus adversa’rios.
    Se uma comissa’o te’cnica e’ incapaz de ver o estrago
    que esses monstros conseguem fazer no time, enta’o ………..
    Infelizmente, estamos mau de treneros, jogadores que pouco
    se lixam pelo que acontece, e a kartolagem.

    • Acho que o técnico não é isento de culpa e tem sim a sua parcela, que na minha opinião é igual entre diretoria, jogadores e comissão técnica.
      Dava pra estarmos melhores e dá pra botar o ítem 5 como um dos principais pela zona do time em campo. Esquema tático é assunto do Muricy. Um erro bem primário, me assusta ter vindo de um cara com a experiência dele.

      Faz tempo que o tricolor por completo está uma zona e vai levar tempo até que se arrume a casa. Herança do JuJu, “melhor presidente da história (pra boi dormir).”

      • Eu nunca isentei o técnico de culpa, pode olhar todos os meus posts…

        Eu só não concordo com os alienados que colocam 100% da culpa no técnico, independente de quem seja, ainda mais sendo o Muricy.

        Eu credito essa indefinição tática aos vários bons nomes que o time tem do meio campo de armação pra frente. mas tb não é desculpa.

        Só quero ver o show de horrores com Paulo Miranda, Edson Silva, Antonio Carlos e Toloi.

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