Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo venceu um jogo “obrigatório” no Morumbi. Afinal, o Grêmio é o vice lanterna do Brasileiro. Mas precisou ter uma “noite argentina” para manter o resultado. Explico.
O time começou voando. Logo a 9 minutos Lucas recebe a bola de Alisson e chuta de fora da área para marcar. Eu achei que esse gol abriria caminho para uma goleada, pois o Grêmio, que se posicionava na defesa, teria que sair para o jogo, o que abriria chances e espaço para o São Paulo.
Mas, a exemplo do que ocorreu em jogos anteriores, o São Paulo fez o gol e diminuiu seu ritmo, permitindo ao Grêmio crescer em campo. Por mais que não tivesse corrido riscos, também não criou oportunidades agudas de gol e o primeiro tempo acabou meio que num marasmo. Se pode ser considerado bom porque estávamos ganhando, não era tão confortável pelo que viria a acontecer no segundo tempo.
O Grêmio já começou bem melhor o jogo. Em determinado momento, teve uma sequência de quatro escanteios consecutivos. A defesa não conseguia afastar a bola para longe e Rafael começava a aparecer.
Igor Vinicius e Wellington deram conta de Soteldo. O problema estava no miolo de zaga, onde Arboleda e Ferraresi disputavam quem jogava pior. Teve um momento que Arboleda deu uma trombada em Rafael. Acho que a balada da noite anterior foi pesada.
O pior veio com a fatalidade da contusão de Alisson. Tentando tirar uma bola da defesa, teve seu é preso no gramado e faturou o tornozelo. Por mais que eu tenha ciência da importância de Alisson para o time, não imaginava que chegava a tanta proporção. E que uma mexida muito infeliz de Zubeldía fosse desestruturar o time.
O técnico, que chegou a preparar Rodrigo Nestor para entrar, optou por Wellington Rato. Não só Rato entrou fora de posição, m as muito mal tecnicamente. O São Paulo perdeu o meio de campo, foi completamente engolido pelo adversário e afirmo: não fosse Rafael, teríamos sofrido o empate e, com certeza, a virada. Parecia que, ao invés de um jogador machucado substituído, tínhamos um jogador expulso, tal a superioridade gremista.
O futuro me preocupa, pois não temos no elenco um substituto para Alisson. Quando digo que nosso elenco não é equilibrado, a resposta está aí. Perdemos um jogador fundamental e nem de longe temos alguém para o seu lugar. E ele só voltará a jogar ano que vem, depois do carnaval. Até lá, não sei o que vão fazer.
Bem, mas Zubeldía conseguiu arrumar a casa quando colocou Galoppo e Rodrigo Nestor, sacrificando Lucas e Luciano. Aí a situação melhorou e o São Paulo voltou a equilibrar as ações. Teve até a chance de matar o jogo, mas Galoppo perdeu a oportunidade e depois André Silva, o cara de R$ 27 milhões, perdeu um dos gols mais feitos dos últimos anos.
Enquanto isso, do lado de fora, Zubeldía causava alvoroço, seguido por Rafinha, Calleri e todo o banco. A arbitragem se dividia entre apitar o jogo e ir ao banco do São Paulo. Quando ele deu dez minutos de acréscimo, Zubeldia fez o que todo argentino faz e decretou o fim do jogo. Mais três minutos, porque Igor Vinicius foi expulso (aqui, méritos para ele, pois sua expulsão deu combustível a tudo o que estava sendo feito no banco).
Por isso disse que o São Paulo teve uma “noite argentina”. E é assim que tem que ser. Estou cansado ver um time passivo, que aceita tudo dentro e fora do Morumbi. Hoje temos um cara que cobra a diretoria na coletiva, como ele fez após o jogo, e cobra com credencial, pois antes deixou tudo de si na partida. E, mesmo cometendo um grave erro na substituição, foi muito importante em nossa vitória.
Hoje afirmo que Calleri me representa dentro de campo e que Zubeldia me representa fora dele.