Por acaso…

Sei da importância (acho que sei) de um bom planejamento para conquistas no futebol, assim como na vida como um todo. Mas tem um tal de “acaso” que me intriga. Ele está por todos os lados, muitas vezes definindo se somos heróis ou vilões.

Tite é um exemplo. Por um chute mal dado de Diego Souza, ou por uma boa defesa de Cássio naquele jogo da Libertadores, os rivais ali deram o real salto rumo à conquista de seus maiores títulos, e o técnico foi endeusado, e com razão. Mas… e se, por acaso, aquele chute tivesse entrado no gol? Fatalmente Corinthians seria eliminado e o “Deus” Tite teria amargado mais uma eliminação, somando-se ao “Tolima Day”. Nasceria um vilão para massacre das arquibancadas.

Por que veio à mente abordar o tal “acaso”? Porque nos dois últimos jogos do Tricolor o acaso esteve em campo. Contra o Grêmio, Nene carimbou o zagueiro gaúcho em cima da linha do gol, não permitindo ampliarmos o placar e, quem sabe, matar o jogo. Já no domingo, a chance esteve aos pés de Barcos que carimbou a trave, inibindo a chance de reação cruzeirense. Ah, se aquela bola entra, quem sabe a história seria outra para o time azul anil.

Nos dois jogos o Tricolor jogou seu jogo, um pouco melhor aqui, um pouco pior acolá, mas ao seu jeito, mesmo padrão. Porém, a sorte, o acaso, foram fundamentais para a derrota e depois a vitória.

O que eu quero dizer com isso? Que devemos sempre primar pelo planejamento, minimizar os erros, fazer nosso melhor, contudo, o acaso, o imponderável, a sorte, o azar, sempre estarão presentes para nos rotular.

Para fechar, uma piada que li há muitos anos. O chefe do RH recebeu um calhamaço de currículos de sua secretária, aleatoriamente pegou metade deles e jogou no lixo. A secretaria o questionou: “o senhor nem vai ler esses currículos que jogou fora?”. Eis que o RH respondeu: “não contrato pessoas que têm azar”

 

*****Radialista desde 1987, Sombra passou por várias emissoras de São Paulo nas mais diferentes funções. Em sua primeira emissora, Jovem Pan 2 (89 a 90), iniciou como assistente de promoção e produtor do programa Radio Flight, então capitaneado por Julinho Mazzei, ícone do FM. Na sequência, ocupou o cargo de programador e coordenador de promoção das rádios Manchete (90 a 91) e Nova FM (92 a 94), transferindo-se para a então 97FM, nas mesmas funções. Em 1999, idealizou o programa Estádio 97 e no mesmo ano se tornou coordenador artístico da emissora, onde está até os dias atuais.

9 comentários em “Por acaso…

  1. Brilhante sua definição se puxar na memória veremos vários desses imponderáveis realmente o futebol tem sim o SE. Se tivesse entrado. Se não tivesse batido na trave. Se o zagueiro não tira. Se o cara tivesse passado a bola. E de “ses” de sorte e de azar vamos vivendo nosso futebol. Lembro bem daquele gol antológico do jogo spfc x Guarani 86. Gilmar dá um chutão pita resvala de cabeça e careca senta um balaço p o gol. SE Gilmar não da o chutão se o pita não resvala e se o careca não chuta talvez hoje eu não fosse são Paulino. Viva os SEs. Abraço sombra.

  2. É essa imponderabilidade que faz do futebol o esporte número 1 do Mundo.
    Aliás é o imponderável que permite à uma equipe menor vencer uma maior, uma equipe melhor perder para uma pior.
    Apesar dos europeus tentarem a todo custo padronizar jogadores corpulentos e altos , baixinhos e franzinos mundo afora fazem sucesso .

    Agora àquele que conseguir ter um planejamento menos variável, tem grandes chances de sucesso.
    Uma coisa que aqui no Brasil não está associado ao planejamento é o tempo de trabalho.
    Com 1 mês já se definem vilões, se o cara presta ou não , se é bom técnico ou bom jogador, se é bom dirigente ou o contador de piada no vestiário.
    Planejamento aqui no Brasil só é reverenciado se o time for campeão de algo, senão conquistar nada o planejamento foi fracassado.
    E assim caminha o futebol…aqui bo Brasil

  3. Planejamento pressupõe organizar todos os fatores que influenciam o andamento de um trabalho. Os fatores imponderáveis nem sempre favorecem o bom planejamento. Mas o tom de tragédia é melhor que a construção da iminente derrota verificada passo a passo no decorrer do período.

  4. Eu acredito nisso do “acaso”, em 2005 na final Libertadores , o Atlético Paranaense teve a bola do jogo, que se faz aquele gol, mudaria tudo e talvez o SPFC nem fosse campeão. E futebol é literalmente um campo para o “acaso” . Acontece de tudo .

  5. Como diz Alê Oliveira, brilhante texto.
    Acho que o planejamento são feito por todos, e, naturalmente uns se sobressaem a outros pela união, nesse caso, como time, assim como quando todos tem um objetivo comum, sem vaidades, as coisas tendem a dar certo. Acho que esse São Paulo que vemos hoje é uma síntese disso.

  6. O grande jornalista e escritor, Nelson Rodrigues, disse numa de suas famosas crônicas abordando o futebol, torcedor fanático do Fluminense que era: “se o time não puder contar com a presença em campo do “Imponderável da Silva”, jamais será campeão.” E ele tinha razão!

  7. Perfeito, vale lembrar que o imponderável também estimula o desenvolvimento, a pesquisa além do planejamento, o ser humano busca sempre minimizar os riscos, por mais evoluídos que nos consideremos sempre estaremos sujeitos aos tropeços involuntários ou não. A busca pela perfeição cria ou destrói os gênios.

  8. Planejamento é tudo, temos que apostar no planejamento mesmo sofrendo as consequências do imponderável!!!

    Nosso goleiro é um caso em claro de planejamento, a grande maioria dos torcedores pedem Lucas Perri, mas está em claro que Jean foi contratado para ser titular e que no tempo certo irá ser o titular!!!!

    Mesmo todos falando muito em do Perri ele não será titular com 20 anos do SP, em breve Jean será o Titular!!!!

    Seguindo o planejamento de deixar o Jean (quem eu acho um excelente goleiro) conhecer e se adaptar ao clube e aos companheiros para aí sim em uma oportunidade assumir a titularidade e não sair mais!!!

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