Os “bobo$” portugueses

Não é de hoje que comento o quanto a Lei Pelé fragilizou os clubes mediante os empresários, que ficam à espreita nos “berçários” do futebol no aguardo do “recém nascido” com dotes para a bola.

Militão é o típico caso onde a antiga direção de futebol do Tricolor não soube administrar perante as artimanhas da tal nefasta Lei. Subiram o atleta, reconhecidamente notável na base, tanto que Ceni disse à época “pena que vai embora logo”. A amarração era necessária antes da promoção.

Comemoramos os 4 milhões de euros como uma grande “pernada” nos “bobos” lusitanos. Na verdade, a “pernada” foram eles que nos deram e o Tricolor acabou aceitando com um sorriso amarelo no rosto, porque 4 milhões de euros significam para os europeus 4 milhões de unidades monetárias locais. Simplificando: seria o mesmo que nós pagássemos 4 milhões de reais para receber antecipadamente um atleta que quiséssemos muito para brigarmos por títulos. E assim será Militão para o Porto. Não pense que eles se se sentiram garfados. Eles têm poder de compra, moeda forte.

Aí vem o leitor argumentar a essa altura “você está criticando a diretoria atual por ter aceito os 4 de euros, mais 10% de futura venda, de um jogador sobre o qual não teremos nada daqui cinco meses?”.
Não, não. Não estou criticando. Se eu estivesse à mesa de negociações eu faria o mesmo. Apenas exemplifiquei o quanto somos fracos economicamente no mundo do futebol, também como reflexo do país no cenário mundial como um todo. E pra completar, a Lei Pelé é o último golpe no futebol brasileiro. Liberdade de trabalho para todos, mas precisamos de medidas protetivas ao mercado nacional. Sabe qual o interesse do Congresso nisso? Nenhum. Já não tem interesse em causas mais nobres, imaginem o futebol…

 

*****Radialista desde 1987, Sombra passou por várias emissoras de São Paulo nas mais diferentes funções. Em sua primeira emissora, Jovem Pan 2 (89 a 90), iniciou como assistente de promoção e produtor do programa Radio Flight, então capitaneado por Julinho Mazzei, ícone do FM. Na sequência, ocupou o cargo de programador e coordenador de promoção das rádios Manchete (90 a 91) e Nova FM (92 a 94), transferindo-se para a então 97FM, nas mesmas funções. Em 1999, idealizou o programa Estádio 97 e no mesmo ano se tornou coordenador artístico da emissora, onde está até os dias atuais.

20 comentários em “Os “bobo$” portugueses

  1. Nossa moeda segue desvalorizada e o poder aquisitivo da população é baixo. Nesse ambiente a capacidade de arrecadação dos clubes é baixa. Há tempos que perdemos todos os melhores jogadores para os grandes centros do futebol.
    É triste ver agora os grandes clubes do Brasil perderem atletas para mercados medianos ou emergentes do futebol mundial.
    Talvez seja uma matéria mais para a FIFA do que para o Congresso Nacional. Para valorizar a “sua” Copa do Mundo e “seu” Mundial Interclubes a FIFA poderia estabelecer uma idade mínima mais alta para transferências internacionais, por exemplo acima de 23 anos, e dar mais garantias ao clube formador.
    Se nada mudar continuaremos reféns de empresários e servindo de escada para a Europa ou mercados menos valorizados.

  2. Esse papo de que o Militão está sendo ingrato é balela!!!

    Hoje o futebol é Negócio, e um negócio muito lucrativo… O jogador esta sendo EXTREMAMENTE profissional, não reclama, não faz corpo mole, não cria polemicas, não conturba o ambiente… Ele está fazendo negócio e não está errado.

    Que ele seja feliz e quando retornar eu como torcedor vou lembrar dessa postura extremamente profissional do rapaz!!!!

    • concordo em partes, mas isso abre um precedente, agora um bom jogador da base pode simplesmente não querer renovar pq sabe que será muito melhor se não o fizer. cada vez mais os clubes vão ficar nas mãos de empresarios

      • O São Paulo tinha um lateral esquerdo chamado Diego que era muito promissor…

        Varios clubes estavam de olho nele e ele fez jogo duro para renovar acabou indo para o Cruzeiro…

        E NUNCA MAIS SE OUVIU FALAR NO GAROTO!!!!

        É o risco do negócio nem todos farão como Militão e se o fizer nem todos terão um futuro promissor!!!!

        Tudo vai depender da “ganância” do empresário!!

  3. Espero q sirva de liçao para a diretoria pois um clube q precisa tanto de dinheiro nao pode se dar ao luxo de perder esse tipo de jogador q nem vou contesta lo pois honrou e esta honrando ate. Agora o nosso manto

    • Amigo entendo a indignação…

      Mas essa renovação vem rolando desde a era Pinotti..

      Ele simplesmente não quis assinar orientado pelo empresário!

      Tanto que os outros todos renovaram inclusive Lizieiro!!!

  4. Senhores, o São Paulo tornou-se o Curintia de Carille, se colocar jogador mediano no time joga muita bola, é como o Edimar, um cara fraco e limitado tecnicamente, e jogou o básico e não comprometeu, e o Aguirre pode colocar ou o Bruno Peres ou o Araruna que o time vai responder bem e continuar bem defensivamente, essa é minha modesta opinião.

  5. Sombra, perfeito na sua análise. Lembro muito bem que somente os craques saiam do país para times medianos, depois veio os excelentes, os ótimos até chegar hoje que qualquer jogador medíocre vai para empresas de ponta( vide o lateral direito Douglas para o Barça). Mesmo com a incompetência dos dirigentes, enquanto existir a Lei Pelé nesses moldes continuaremos sendo escravos dos clubes com maior poder aquisitivo pelo mundo independnete do país. Grande abraço Tricolor Augusto Dias

  6. Dentro das possibilidades aventadas, acho que a diretoria fez um grande negócio.
    Ele pode se tornar um grande jogador no futuro, ainda não é, mas pode crescer e ser um dos melhores na posição , ou ser engolido pelo tempo e não virar nada na Europa.
    Há anos atrás o Lucão era aventado como um futuro zagueiro de seleção, e hj tem futuro incerto, mesmo depois de ir para a Europa por empréstimo.
    Inegável que o Militão fez parte da melhora defensiva a equipe, mas não é ele o diferencial entre os defensores, ele é uma das engrenagens e não é a principal.
    A lei Pelé que destruiu a segurança dos times formadores, gera muita grana para quase todos os dirigentes que debaixo dos panos são mancomunados com os empresários, que estão grudados como um câncer nos clubes, por isso esses dirigentes corruPTos nada fazem e não ae unem para mudar essa lei esdrúxula, já que por na surdina dividem os lucros com os empresários.
    O Aidar ladrão foi um exemplo.
    45 milhões do Boschilia para pagar comissões, fora os 18 milhões do Jack, mais a maracutaia no caso Maidana e isso pq o cidadão ficou menos de 2 anos como presidente.
    Essa prática desonesta deve ser lei dentro da maioria dos clubes.

  7. A lei Pelé, que hoje afunda agremiações e dão aos empresários força de criação, sem nunca terem a necessidade sequer de apoiar a criação de jogadores, foi criada por Pelé, com auxílio de seu sócio, Hélio Viana, que recebeu apoio jurídico de nada menos de Gilmar Mendes.
    Esse tal Hélio Viana, foi expulso da sociedade com o Pelé, por usar a empresa para organizar uma amistoso em benefício da UNICEF, mas que nunca ocorreu e o dinheiro 700 mil dólares, foi embolsado por Hélio Viana.
    Tudo gente boa envolvida.
    Acho sim que deveriam normatizar a relação jogador X Times, pois um precisa do outro, mas o que aconteceu foi darem o galinheiro para a raposa cuidar.
    Só pra lembrar, a lei criada em 1988 foi amplamente apoiada pela CBF. Sabe quem era o presidente da CBF, que teve depois que responder por enriquecimento ilícito e corrupção?
    Sim, Sr Ricardo Teixeira.
    E depois dele, todos os presidentes,dessa confederação estão presos, respondendo por crimes e alguns nem de casa podem sair.
    E o nosso futebol?
    Bem, isso que se exploda.

  8. Acredito que mesmo que o SPFC tentasse fazer um contrato mais longo antes de promove lo não teria êxito. O que o clube precisa é criar mais vergonha na cara e deixar de fazer negócios com pessoas como Juliano Bertollucci, empresário do Militao e também do Oscar. O profissionalismo passa também por excluir pessoas de má fé do meio profissional.

  9. A situação em que se encontra o chamado “berçário” do futebol brasileiro, nada mais é que reflexo da situação econômica e da falta de perspectiva do país. Não é somente a classe dos jogadores profissionais de futebol que anseiam deixar o país. Cientistas encubados nas melhores universidades públicas do país, que estudaram com o dinheiro escorchante dos impostos que pagamos, todos os anos e as centenas, também deixam o país à procura de melhores condições de trabalho e, porquê não, de vida. O Militão não pode e não deve ser condenado por falta de ética ou de gratidão. Ele, apenas, está exercendo um direito que a lei lhe concedeu. Torço pelo seu sucesso pessoal e profissional.

  10. Sombra, acho que foi tomada a melhor decisão possível, visto que o jogador já queria ir embora, e, se não houvéssemos falhado na renovação de contrato, não cairíamos nessa armadilha hoje.
    Sei que o Éder Militão é notavelmente bom jogador, e, que há uma grande perspectiva de futuro futebolístico, mas se optássemos em manter o jogador, visto sua intenção de não permanecer, além de uma possível frustração do atleta e queda de rendimento, seria uma triste demonstração para o elenco que não confiamos o suficiente nos jogadores que podem fazer essa função (Bruno Peres e Régis).
    Acredito que o jogador não tem tirado o pé em nenhum lance pra mostrar ao São Paulo seu comprometimento, e, profissionalismo, contudo, como todos sabem que se não estamos felizes em algum lugar, nosso rendimento naturalmente cai.
    Queria muito que ele ficasse, porém como disse no inicio, foi a melhor decisão a ser tomada. Nossa diretoria (Raí – Lugano – Ricardo Rocha), tem um papel fundamental nessa fase atual em que vivemos.
    Independente do que acontece ao final da temporada, só posso agradecer a diretoria, comissão técnica e jogadores, e, dizer que sinto o São Paulo, voltando a ser São Paulo novamente.

  11. Bom dia tricolores!!
    O maior problema que vejo, para o nosso futebol, não é a saída dos craques e dos futuros craques, esses ninguém segura mesmo, e na verdade nem os clubes querem segurar, querem vender logo para fazer caixa ou até mesmo levar o seu por baixo dos panos, é impossível competir com os valores globais, o que mais me preocupa é a saída de jogadores medianos tais como Rodriguinho, Marcos Guilherme, Petros, Keno, como tantos outros, ou seja os caras estão levando qualquer um que saiba chutar uma bola, aí eu pergunto: o que sobrará para o futebol brasileiro? só os perebas? é para isso que iremos torcer? é esse futebol medíocre que estamos vendo hoje com os times que outrora exibiam seus craques pelos campos do Brasil recheados de pernas-de-pau.

  12. Luis Gustavo, entendo seu ponto de vista, mas o jogador quer ir…e outra td tem seu ciclo, quem sabe chegou a hora do Bruno Peres brilhar?

  13. Boa Sombra! Tento muito participar do Estádio mas nunca consigo, justamente para falar sobre o trabalho da Diretoria do São Paulo.
    Sempre muito criticada, esse ano vem fazendo um trabalho irretocável, tanto no futebol como nas finanças, dentro das condições apresentadas.
    A venda do Militão por mais que alguns critiquem é a melhor saída para o momento. E dessa vez (por mais que haja diferenças) houve reposição “antecipada”.
    Jogador forçando a barra para sair, sairá de graça em 5 meses, clube sabe que tem que vender mais alguém para manter as finanças em dia, não há a menor garantia de que com ele seremos campeões, embora admita importância. E o principal, não vendendo o jogador, como será suas atuações ? Dificílimo, fico com Raí e Ricardo Rocha nessa! Eles merecem nossa confiança.

    • Éder, concordo com sua avaliação e tbm enxergo a administração atual do São Paulo realizando acertos. As contas se equilibrando com excelentes e pontuais vendas que ao contrário do ano passado não destroçam a estrutura, a espinha dorsal do time. Voltamos a competir em certa igualdade com outros clubes mais abastados como Palmeiras e Flamengo, o que mostra grandeza do clube que está retornando. Bons contratos sendo realizados como patrocinador master que se mostra ser um verdadeiro parceiro do clube e o mais recente fornecedor de camisa com um contrato extremamente atrativo ao clube pelo que se divulgou na imprensa.

      Em paralelo vejo o clube muito mais próximo do torcedor com ações de Marketing e muito mais ativo em redes sociais o que faz a torcida jogar junto e comprar a idéia do time.

      O Leco parece que encontrou um caminho pra seguir com acertos “neste ano”. Isso precisa ser falado e que continue assim de agora em diante.

  14. Sombra, eu não faria o mesmo.
    Abriria mão do dinheiro e mostraria para todo o elenco e torcedores que o SP esse ano quer um título. O jogador já mostrou que não tira o pé então eu apostaria nisso.
    Sobre a Lei Pelé, os grandes formadores como SP, Flamengo, Santos e Corinthians são os que mais sofrem com isso. Juntos têm força para tentar alterar algo na lei que protegesse um pouco mais o clube.

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