O Terror do Morumbi

Nesta última terça Raí chamou o jogo, pediu a bola e pôs debaixo do braço. Assumiu a responsabilidade sobre o mau momento do Tricolor, defendeu seus comandamos, técnico e atletas.

O mais fanático torcedor, muito chateado há anos com a seca de títulos, ficou frustrado com as declarações do Terror do Morumbi. Quando as coisas não andam bem, o torcedor quer ver os atletas expostos, o técnico julgado, seus erros denunciados e todos culpados e condenados a vencerem o próximo jogo custe o que custar.

Raí, novo nessa função, na minha opinião, agiu com maestria. Não que tudo esteja bem pelos lados do Morumbi, mas o diretivo não pode expor as rachaduras, é necessário por um quadro sobre a fenda e deixar pra consertar na calada da noite, em silêncio.

O que, a esta altura, significa “consertar”? Pra mim, significa corrigir os rumos para que o São Paulo ao menos conquiste a vaga direta para a Libertadores 2019. Paralelamente, há de se entender se o técnico para a próxima temporada será mantido pela convicção de suas qualidades ou pelo termômetro dinâmico do futebol, que via de regra justifica rompimentos ancorados no “torcedometro”.

Raí acertou em dizer que está faltando confiança. Só não disse que a falta de confiança, no fim das contas, não é causa, é efeito. As causas são o grupo reduzido, pouco qualificado, de idade avançada, e que deixou-se levar pelo oba oba do título insignificante de campeão do 1o turno.

Essas foram as causas das derrotas, a falta de confiança é o efeito delas. Raí não disse, e não deveria ter dito, mas espero que tenha consciência de tudo isso.

 

***Radialista desde 1987, Sombra passou por várias emissoras de São Paulo nas mais diferentes funções. Em sua primeira emissora, Jovem Pan 2 (89 a 90), iniciou como assistente de promoção e produtor do programa Radio Flight, então capitaneado por Julinho Mazzei, ícone do FM. Na sequência, ocupou o cargo de programador e coordenador de promoção das rádios Manchete (90 a 91) e Nova FM (92 a 94), transferindo-se para a então 97FM, nas mesmas funções. Em 1999, idealizou o programa Estádio 97 e no mesmo ano se tornou coordenador artístico da emissora, onde está até os dias atuais.

2 comentários em “O Terror do Morumbi

  1. Acho que o time evoluiu! Talvez se iludiu um pouco achando que seria campeão! Impensável no inicio do Brasileirao. Na verdade numa maratona, se as reservas se esgotam no meio caminho….vai valer no final…acho que temos que corrigir algo, mas no caminho que está..

  2. Concordo plenamente, Sombra. Por mais que os últimos anos tenham sido difíceis, o trabalho do Raí já nos levou mais longe do que imaginávamos, no começo do ano. Claro que ninguém suporta mais a seca de títulos e um clube do tamanho do São Paulo precisa voltar a vencer urgentemente, mas para isso, o trabalho bem feito precisa ter continuidade e os erros de percurso precisam ser corrigidos. Precisamos nos reforçar com peças de “jerarquia” pra 2019, que cheguem pra elevar o patamar da equipe titular, na briga por títulos. Nenê e Diego Souza tem seu valor, mas um clube que briga firme pra ser campeão não pode se escorar nesses dois veteranos, no ano que vem. Além de peças pra essas duas posições, fica claro a necessidade de um segundo volante que facilite a saída de jogo, que Hudson e Jucilei, por serem primeiros volantes, não têm as características pra fazer. E um goleiro com potencial a altura dos nomes que defenderam essa posição no tricolor, ao longo da história. Abraço!

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