Faixa no peito. Tradição também vende!

Uma foto tirada após o gol de Diego Souza na vitória diante do Santos no Morumbi reascendeu a discussão sobre as faixas na camisa do São Paulo Futebol Clube. A foto mostra Diego e Nenê de braços cruzados fazendo pose para as câmeras. A brincadeira da ‘marra’ escondeu algo vital para os são-paulinos: o distintivo e as faixas do clube.

É evidente que, para se adequar ao novo modo de expor os logos dos patrocinadores e se alinhar ao novo formato ‘macacão de F1’ dos clubes atuais do Brasil, o Tricolor desceu um pouco as faixas do peito para acomodar o patrocinador master num tamanho razoável para a leitura da televisão. A medida comercialmente ajudou o clube a criar dois espaços na sua camisa: acima das faixas, área mais nobre, e embaixo das faixas e próximo a costura (patrocínio menos nobre).

Porém, a estratégia feriu um dos ítens mais valiosos de uma marca, ou neste caso, da camisa: a sua tradição. As faixas na altura do peito sempre foram uma marca registrada do Tricolor desde a sua fundação. A icônica camisa #1, que recebeu poucas alterações desde o seu primeiro desenho, foi desfigurada em busca de espaços e dinheiro. E isso é notado dia a dia pelo torcedor.

O caso é complicado pois hoje em dia o principal patrocinador do clube paga por aquele espaço em contrato e dificilmente irá dar um downgrade sem pedir readequação financeira, isso é, pagar menos por menos exposição. Para os patrocinadores de camisas, a exposição na TV é o principal benefício do aporte e quanto menos exposta a marca, menos ela é lembrada pelo torcedor do sofá, o maior consumidor de futebol do Brasil.

Mesmo assim, deve existir um jeito de agradar gregos e troianos, no caso, torcedores e patrocinadores. Cabe ao marketing, aos patrocinadores e a fornecedora de material esportivo (no caso a Adidas), tentarem resolver o impasse da melhor maneira possível.

Minha dica a todos eles é “tradição também vende”. Agradar o principal consumidor, isso é, o torcedor, é ponto de partida para um trabalho bem sucedido de todas as partes do mercado do futebol.

 

***O publicitário e jornalista Daniel Perrone passou pelo portal SPNet e do blog do São Paulo no Globoesporte.com até fundar seu próprio espaço: o São Paulo Sempre. É autor do Livro “TRI Mundial” (licenciado pelo SPFC), diplomado no Curso de Gestão do Clubes em 2007 (ESPN), professor de comunicação digital na Instituto Europeo di Design e palestrante da Social Media Week (SP). Frequenta o Morumbi desde os 04 anos de idade e também costuma acompanhar o clube em jogos fora do Morumbi, sua segunda casa.

9 comentários em “Faixa no peito. Tradição também vende!

  1. Também não gosto das faixas e escudo muito abaixo. Se realmente não for possível uma alteração em razão do acordado inicialmente entre as partes, sugiro que seja feita uma camisa titular especial para o torcedor adquirir com as devidas alterações que todo São Paulino almeja e mantém a de jogo como está. A Adidas poderia analisar essa possibilidade, mas considerando minha sugestão seria apenas um plano “B”.

  2. Por isso que eu só compro a camisa nº 2 do SPFC, enquanto não mudarem essas faixas para o peito, não comprarei a camisa nº1

    Se cada torcedor são paulino se conscientizasse e boicotasse a compra da camisa nº 1, as vendas seriam pífias e obrigaria a diretoria rever isso

  3. por mim eu fazia assim, uma temporada fazia com as faixas normal, na outra fazia o uniforme branco sem as faixas com o escudo no peito assim daria mais liberdade para desenhar o uniforme e sair da mesmice, fazia uma temporada sim e outra não assim consecutivamente, com a liberdade do uniforme todo branco e escudo no peito daria para fazer uniformes muito bonitos tenho certeza que venderia que nem água ainda mais hoje em dia.

    • Eu, que nem saopaulino sou, sei que, com base no estatuto do clube, é obrigatório para o futebol do São Paulo, quando jogar no Morumbi, que os uniformes tenham as tradicionais faixas e o escudo no centro.

      Que tipo de torcedor é você que não sabe algo tão básico?

  4. Caro Perrone,

    Não acredito que essa questão da logomarca no peito seja um problema real que ofenda nossas tradições. Desde 1988 com a Coca Cola já utilizamos dessa forma. Na sequência vieram IBF, TAM e tantas outras ocupando essa área nobre na camisa acima das faixas. Concordo que nos últimos anos o tamanho da logomarca aumentou, mas são exigências do mercado.
    Acho muito feia a camisa com tantas marcas expostas, mas é isso que nos permite manter o futebol profissional sem depender de patrocínio estatal ou mecenato.
    E concordo com você quando diz que tradição vende. Eu mesmo comprei uma camisa “retrô 1969”, branca, “limpa”, com as faixas bem altas no peito. Eu tive uma idêntica na infância. Este mercado das camisas “não de jogo” talvez possa ser melhor explorado.
    Saudações Tricolores

  5. O problemas que atualmente nao temos nada que comemorar,
    tudo que era nao e’ mais,
    ??? tradicoes ???
    ???? Quem esta afim de reativa-las ????
    Epoca de ratos por toda parte,
    ate’ dentro do campo. Dias contados, quem viu, viu, quem nao viu,
    jamais vera’.

  6. Infelizmente para se manter um clube em condições de ganhar títulos se faz necessária essa manobras para arrecadar!

    Claro que seria ótimo manter as tradições, mas a solução encontrada para aumentar a receita não acho que seja um problema tão grande assim, uma vez que nem todo mundo cruza os braços na hora de comemorar!

  7. Existe uma solução prática para esse “problema”. As faixas poderiam ser mantidas na posição atual e somente o distintivo deslocado para a parte superior da camisa, no espaço acima do logo do patrocinador máster.

    • Acho que ficaria ridículo dessa forma. Basta a Adidas ter uma base do alinhamento do escudo pra esquerda de qq clube, joga pro meio e já era, com as faixas atrás, talvez até sendo menores se precisar, inovava nisso. Não afetaria nada.

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