2019 começou

Quem acompanha meus textos aqui neste espaço sabe da minha defesa de Aguirre. Por motivos variados aqui já relatados, principalmente porque  acredito ser consenso que o São Paulo tem um elenco frágil. Contudo, mais recentemente, tenho me assustado com as escalações e substituições do técnico uruguaio, colocando em cheque minhas convicções.

E na última  partida, contra o Atlético do Paraná, se me perguntassem porque o defendo, não saberia responder. Aguirre escalou o time sem nenhum meia de criação, evidenciando um sistema 4-2-4, tirando as possibilidades de posse de bola, sendo a bola longa para pontadas de Carneiro e Rojas as únicas opções para se chegar ao gol adversário.

E assim foi em jogada individual do compatriota que quase pôs na medida para a cabeçada de Diego Souza, que carimbou o travessão. Era no “vamos que vamos”, e o time paranaense dominava a partida, embora também não assustasse Jean.

Viria o 2o tempo e parecia óbvia a entrada de Nene, relacionado para o banco, no lugar de Edmar, recuando Reinaldo para sua função original. Que nada! Nenê deve ter jogado pedra na cruz, ou em Aguirre, pois o Tricolor subiria com os mesmos onze para a segunda etapa. E tome domínio do adversário.

A agonia provocada nas arquibancadas fazia a galera pedir Nene, que somente aos 23 da etapa final entraria em campo. Na sequencia entrariam Trellez e Liziero, mas nem por isso o time se organizou ou reteve mais a bola, de tal maneira que o Atletico poderia ter vencido a partida.

Fim de jogo, vaias no Morumbi, e eu me sentindo mais sem argumentos do que advogado que conheceu o cliente na porta do tribunal.

Então, deixo aqui algumas questões, diante da minha ignorância a respeito do que se passa no dia a dia do time.
– É consenso entre treinador e direção que esse São Paulo realmente não tem como armar um time para ter a posse de bola, e consequentemente só jogará no contra ataque?
– É consenso entre treinador e direção que Nene deve ficar no banco de reservas sendo o unico meia de qualidade do elenco? (Por favor, não me venham com Shaylon!)
– É consenso entre treinador e direção que na ausência de velocidade e qualidade por parte dos titulares, nem Helinho, nem Antony, nem Toró podem ser experimentados?
– É consenso entre treinador e direção que no segundo turno a vontade do elenco diminuiu consideravelmente?
– É consenso entre treinador e direção a opção por Rodrigo Caio na lateral direita em algumas oportunidades recentes?
Como já diz o titulo, 2019 começou e, com certeza, estaremos na Libertadores no próximo ano. Porém, independente de estarmos nessa disputa, o São Paulo tem por obrigação montar um time forte, com opções de elenco, pois 2017 e 2018 foram utilizados para reequilibrio financeiro de tal maneira que, na minha opinião, expressada muitas vezes no Estádio 97, não ganhariamos nada mesmo e se chegassemos no G6 já estaria de bom tamanho.
Cruzeiro e Gremio, com receitas sempre menores que as do São Paulo, vem disputando de fato titulos, então, no ano que vem não haverá mais desculpas para deixarmos de brigar por taças.
Não é só disputar, é jogar como time grande, exigindo respeito dos adversários, ser temido, e brigar no topo, seja no Paulista ou na Libertadores. Há uma base, precisa ser reforçada com talento, com olho clinico de boleiro. E a primeira decisão de Raí deve ser se Aguirre para ou continua.
Se a diretoria tem as mesmas questões que eu já expus acima, então é bom começar a ver currículos.
*****Radialista desde 1987, Sombra passou por várias emissoras de São Paulo nas mais diferentes funções. Em sua primeira emissora, Jovem Pan 2 (89 a 90), iniciou como assistente de promoção e produtor do programa Radio Flight, então capitaneado por Julinho Mazzei, ícone do FM. Na sequência, ocupou o cargo de programador e coordenador de promoção das rádios Manchete (90 a 91) e Nova FM (92 a 94), transferindo-se para a então 97FM, nas mesmas funções. Em 1999, idealizou o programa Estádio 97 e no mesmo ano se tornou coordenador artístico da emissora, onde está até os dias atuais.

3 comentários em “2019 começou

  1. Olá Sombra,

    O único ponto de discordância é sobre a questão de vontade do elenco. Em minha opinião parece ser mais uma questão de posicionamento tático – portanto responsabilidade também de Aguirre.

  2. Acho que nesse ano muita coisa boa foi feita. Entendo que a diretoria tem uma grande oportunidade em 2019.

    Apoio a manutenção do Aguirre pois hoje temos um modelo de jogo (4231) e uma base com bons jogadores em cada função. E esse foi o problema do 2o turno… temos somente 11 jogadores nada de suplentes e isso causou todos os problemas mencionados.
    1. Improvisacoes pq o reserva não está pronto.
    2. Queda de rendimento individual pois não tem uma “sombra”.
    3. Queda física, pq o corpo humano é assim. O estímulo físico precisa diminuir e aumentar senão a performance cai, principalmente pros que tem mais idade.

    Mas o Aguirre poderia ter contribuído um pouco mais… improvisar jogadores que estão jogando bem nas suas posições foi um tiro no pé.
    Reinaldo, Rojas, Nene, Liziero, Trellez e ate Bruno Peres jogaram abertos na esquerda na função do Éverton. Essas mudanças prejudicaram e muito esses jogadores e acabaram com a confiança deles…

    O melhor seria ter insistido no Éverton Felipe, ou nos juniores. Pelo menos ainda teríamos Nene, Reinaldo e Rojas jogando bem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*