Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, já me puni algumas vezes por, via de regra, falar de política no nosso site. Sei que não é do agrado dos leitores, nem meu, ficar preso a esses caras que só pensam em si, muito pouco na instituição, mas é inevitável e acabo caindo nesse ranço. Mas o que estamos vendo em campo, um time sem coordenação, sem comando, sem treino, sem alma, sem raça, sem sentir o peso que representa nossa camisa, é o retrato do que acontece nos bastidores da política são-paulina.
Há muito venho dizendo aqui que o presidente Leco tem apenas uma coisa em mente: sua reeleição em abril. E tem feito acordos políticos a cada dia para tentar garantir uma maioria no Conselho Deliberativo, que é quem elege o presidente. Esses grupelhos não medem consequências para se arrumarem no e com o poder, nem que para isso precisem passar por cima de alguns – ou algumas – para se ajeitarem. Isso tem sido escandaloso dentro do clube, que está acéfalo, sujo, absolutamente largado.
E o time? Os jogadores que estão aí são, em última análise, responsabilidade plena do Leco. Afinal, foi ele quem trouxe de volta o Gustavo de Oliveira e deu poder e força para ele comandar o futebol. Foi Gustavo quem contratou boa parte deste elenco, quase todo o time titular. Talvez excluam-se da mão de Gustavo o goleiro Denis, Rodrigo Caio e Hudson, do time que estava em campo.
Temos um técnico – obra do Leco – que é um grande cara, ótimo caráter, ético, mas que tem um sério problema de saúde e isso atrapalha seu raciocínio, sua fala, seu caminhar. Além do mais, ele, que já era tradicionalmente um retranqueiro, ampliou essa forma de ser. Só que agora não consegue dar um padrão tático ao time. Os jogadores correm sem saber o que estão fazendo e não se sentem na obrigação de fazer nada, pois não estão imbuídos do significado da instituição São Paulo.
Neste domingo Ricardo Gomes mostrou o quanto não tem noção do péssimo elenco que tem em mãos. Ele conseguiu piorar o que já estava ruim com Bauza. Depois que tomou o gol tentou perder a covardia. Tirou Mena para colocar Robson. O que fez esse Robson? Nada. Aí fez a bobagem de tirar Luis Araújo, que vinha muito mal, é verdade, mas era uma opção de abrir o jogo, para colocar Daniel, a eterna promessa. E para completar tirou Cueva, que mal ou bem ainda criava alguma coisa, para colocar Gilberto. Ricardo Gomes não sabe o que faz. E sou obrigado a ouvir nosso técnico justificar com o cansaço pós-jogo de quinta-feira, ou que o time está melhorando. Onde, cara pálida?
Oras, mas um clube que tem um verdadeiro desmando e descontrole político, um presidente que só pensa na eleição de abril do próximo ano, um Conselho Deliberativo que contém uma Comissão Disciplinar que arquiva a investigação do caso Jack e de todos os seus envolvidos e que, da mesma forma, só pensa na próxima eleição, um diretor de Relações Institucionais, Ataíde Gil Guerreiro, que foi expulso do Conselho, mas que continua na diretoria, mandando em parte do futebol e do clube, pois tem como diretor Social um conselheiro muito próximo a ele, uma oposição que grita, grita, mas de prático não apresenta nada que se aproveite, grupelhos, como citei acima, que ficam com reuniões aqui e acolá para imporem seus interesses, trocando apoio por futuros cargos na diretoria, alguém sabe o que faz? O que vamos esperar o que de bom?
Trouxeram um tal de Robson, que não consegue dominar uma bola; Gilberto, que é uma grande piada de mau gosto; um tal de Jean Carlos, que desde que chegou está no Reffis. A torcida pediu Dátolo, mas a diretoria achou muito caro.
A sequência do Brasileiro é terrível para o São Paulo: temos Flamengo no Morumbi, Sport em Recife, Santos no Pacaembu e Fluminense, no Rio. Talvez fosse mesmo a hora de tirar Ricardo Gomes e deixar André Jardine tocar até o final do ano. E já pensar num bom nome para 2017, que viesse agora, para começar a planejar o ano que vem, com nomes de jogadores e tudo o que tem direito, pois não dá para continuar do jeito que está.
Sei eu vou gerar revolta entre os conselheiros com esse editorial, mas esses que ficarão bravos sabem perfeitamente aos quais me refiro. Além do mais, não tô nem aí com eles. E não tenho dúvida em afirmar que esse momento que o São Paulo vive só não é o pior da nossa história porque num passado muito recente tivemos o nefasto Carlos Miguel Aidar. Mas desde Juvenal Juvêncio, está muito difícil ver um horizonte límpido. E, temo muito, que essa luz no fim do túnel ainda esteja muito distante de ser vista.