Reforma estatutária prossegue, apesar de alguns recalques

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o Conselho Deliberativo realizou, nesta terça-feira, mais uma sessão aberta aos sócios, com a finalidade de debater a minuta apresentada como projeto do novo estatuto, mas que está recebendo emendas até esta quinta-feira, dia 20 de outubro.

Como já me manifestei aqui, do jeito que foi apresentado farei campanha pela sua rejeição. Não concordei com alguns pontos e não podemos aprovar um estatuto que já nasce com defeitos, alguns deles que podem ser tornar graves no decorrer do período.

Conversei com algumas pessoas da comissão e fui convencido a ver com outros olhos alguns pontos. Mas entendo que o estatuto deve ser moderno, com avanços em todas as áreas. É inegável que a profissionalização do clube como um todo já se constitui em grande evolução. Mas ainda é muito pouco.

É impossível mantermos o sistema arcaico e cartelizado de eleição do presidente. Se há uma rejeição quase total para a participação do sócio-torcedor nessa eleição, até porque há que se fazer uma análise profunda e colocar travas para dar direito a votos a esta classe, assim como existem essas travas para o sócio do clube, é absurdo se imaginar que nada vai mudar nesse sentido, como consta na minuta que está publicada.

Algumas ausências e presenças me chamaram a atenção. Não estavam o presidente Leco, Abilio Diniz, Julio Casares e Leonardo Serafim, figuras de intensa atuação na reforma estatutária, mas o Jack estava muito bem representado com a presença de Douglas Schwartzmann.

Participei da reunião do Conselho e apresentei minha emenda, também protocolada como manda o figurino, afirmando que o presidente deverá ser eleito pelos sócios, de maneira direta. Coloco lá minhas travas para haver a certeza de que quem vai votar será são-paulino. Um dos membros da Comissão do Estatuto, Carlos Eduardo Ambiel, me diz, então, que existem várias emendas nesse sentido. Então interpreto que vai passar, pois essa comissão tem o dever de aglutinar propostas e formular o novo estatuto seguindo a vontade da maioria dos sócios.

Pouco depois um conselheiro usa a palavra e fala que é uma loucura total a minha proposta. Esse conselheiro é o ex-presidente José Augusto Bastos Neto. Ele diz que há muitos sócios torcedores de outros times no clube. E vai além: sabe que existem cerca de 20 conselheiros que torcem para outros times. E finaliza que a eleição do presidente tem que ser exclusiva do Conselho Deliberativo.

Vamos lá. É evidente que tenho que respeitar a opinião dele, mas não posso deixar de fazer a minha análise. Os que me conhecem, que comigo convivem neste amor profundo que tenho pelo São Paulo, sabem que sempre classifiquei Bastos Neto como o pior presidente de nossa história, só sendo superado por Carlos Miguel Aidar. Ele, os senhores devem se lembrar, é aquele que um dia foi ao CT da Barra Funda ensinar Marcio Santos a pular e cabecear uma bola. Por isso me senti honrado em ser criticado por ele.

Mais uma: se ele, como membro do Conselho Consultivo, diz que há 20 conselheiros que torcem para outros times no Conselho Deliberativo, cabe à Comissão Disciplinar convocá-lo para identificar quem são estes conselheiros. Se não conseguir, terá cometido crime de falsa acusação, passível de ser expulso do Conselho. Se der os nomes, estes todos deverão ser expulsos do Conselho por falsidade ideológica, pois ao postularem uma vaga na eleição, são obrigados a assinar a Fé São-paulina, documento oficial do clube.

Para encerrar, pensamentos deste tipo, achando que o sócio é um mero detalhe e que não merece participar ativamente da vida do clube como um todo – porque se engana que pensa que o sócio não se preocupa com o futebol  -, mostram que ainda temos alguns retrógrados no Conselho que não conseguem perceber que hoje utilizamos computadores. A máquina de escrever ficou para trás.

 

20 comentários em “Reforma estatutária prossegue, apesar de alguns recalques

  1. Concordo com tudo que você disse Murillo, gostaria somente de acrescentar um ponto de vista. Sócios, não sócios e sócio-torcedores, se todos são o São Paulo, porque os direitos são diferentes? Porque uma minoria tem o direito a voto, direito de mandar no clube e a grande GRANDE maioria tem que ficar calada? Tem que se resignar a aceitar oque um único homem eleito por pouco mais que duas centenas de outros homens decidiram? Onde diabos fica a democracia neste estória? Já não está na hora dessa distorção ser corrigida? Fica a pergunta.

  2. Vou fazer um comentário mais pesado e espero que, Paulo, você entenda essa discordância de maneira democrática. Não tenho a intenção de ofender.
    Na minha opinião, essa discussão sobre a suposta presença de não-torcedores na gestão ou no clube está afastando o debate do foco central, que deve ser o afastamento de amadores da gestão do futebol para impedir que o time sofra com ingerência política de baixo nível. Ou seja, a profissionalização do futebol.
    Uma empresa é uma organização que visa se perpetuar no tempo de maneira sustentável e com sucesso. E é este objetivo que seus gestores devem perseguir. Para isso, tanto faz o time que torcem quando chegam do trabalho.
    Mas, além do desvio de foco, receio que essa tentativa de classificar sócios e conselheiros resvale no crime de discriminação. Vejam, um clube tem regras para aceitar e expulsar sócios. Elas versam sobre compromissos financeiros (pagar a mensalidade) ou de convívio social (não ouvir música alta), por exemplo. Ora, não me parece que ser corintiano ou palmeirense quebre alguma regra que justifique a expulsão de um sócio – uma vez que não inviabilizou a aquisição do título e seu ingresso na comunidade. De modo que discriminar uma pessoa, acusando-a de torcer para outro clube, é perseguir um inocente que não cometeu crime algum. Poucos anos atrás, o Pinheiros baixou uma portaria que obrigava babás a usarem branco para não serem confundidas com sócias. Será que o São Paulo obrigará conselheiros ditos palmeirenses a comparecer de verde às assembleias?
    Nem quero entrar na discussão a respeito de como seria uma tentativa prática de comprovar o “clubismo” de alguém. Só imagino a Santa Inquisição. Ademais, seria como tentar provar que alguém é hétero ou homo. Um exercício de enxugar gelo.
    Só para fechar, e espero apenas ter colocado um ponto de vista diferente num momento em que o mundo anda intolerante a divergências, lembro o óbvio: os responsáveis por jogar o São Paulo na lama em que se encontra – JJ, Aidar, Gustavo, Athayde, Douglas, Leco etc – são todos são-paulinos históricos. Nem corintianos nem palmeirenses.
    Profissionalização é o caminho.
    Desculpem o textão.

    • Murilo, sempre procurei fazer do Tricolornaweb um espaço democrático para debates. Exijo, apenas, o respeito entre todos os leitores. Não permito ofensas e outros mais. Discordar faz parte da democracia, que defendo com toda a veemência do mundo. Portanto, não teria porque não entender sua colocação. Posso até não concordar com ela – não é o caso -, mas nunca te impediria de tê-la e expô-la aqui. O Tricolornaweb é isso, é plural, é democrático.

  3. Algumas ponderações…
    I) Fato que muitos socios, porém minoria, não são são-paulinos. Mas se o presidente for são-paulino, esse fato torna-se insignificante.
    II) O Bastos Neto não aceita voto de socio não são-paulino, mas aceita voto de conselheiro não são-paulino? Onde está a coerência desse senhor?

    III) Diminuiçao do nro. De conselheiros, com equiparação entre vitalicios e eleitos, sem critério de tempo de matrícula.

    Sou contra qualquer tipo de filtro. Qualquer sócio deve ter o direito de voto. O candidato sim, como conselheiro, deve ser torcedor do time.

  4. O time de futebol do SPFC é
    muuuuuuuito maior que o clube !
    Extrapolou imensamente os limites do clube !
    O presidente do SPFC deve ser escolhido pela
    entidade maior , a NAÇÃO TRICOLOR,
    representada substancialmente pelos
    SÓCIOS-TORCEDORES e por tabela pelos sócios do clube.
    E para decidir e administrar , paroquialmente, o clube social,
    os sócios do clube podem eventualmente escolher alguém
    para tanto , com a nomenclatura que quiser.

  5. Estou gostando de ver que se está discutindo, a meu ver, um dos grandes problemas do clube, ou seja, 50% de associados não são paulinos, e agora essa, a se confirmar que 20 conselheiros também não o são, aí sim tem que se tomar uma providência, afinal são usurpadores da fé alheia, merecendo serem expulsos da entidade que os acolheu.
    Deve se deixar claro que o associado tem todo o direito, independente do time de sua predileção, a atuar, inclusive dirigir a parte social e nunca se aproximar das decisões que dizem respeito ao futebol.
    Para tanto a divisão administrativo/financeira se faz necessária e salutar, tanto para uns como para outros.
    Quanto ao sócio torcedor, figura recente, entendo deva ter participação na escolha da direção do futebol, pois, contribui substancialmente para merecer esta situação.
    Por sinal, bem trabalhado o sócio torcedor é um meio de subsistência importante, longevo e crescente para o futebol.
    Assim, vejo que se as coisas andarem por este caminho haverá um avanço, agora caso contrário, vou mais para a radical proposta do Sr. Abílio Diniz (São Paulo Futebol S/A).

  6. Os torcedores q estao no socio torcedor ha mais de 2 anos c a parcela em dia tem o direito e o dever de votar.
    Ha mas pode ter porcos, galinhas e afim infiltrados com planos bem modestos somente visando as eleições!!
    Entao vota os socios torcedores de planos intermediarios e superiores com 2 anos de participação.

  7. Quem deve ser sãopaulino são os candidatos à presidência e ao Conselho, pois assim, não tem como o sócio votar num torcedor de outro clube.
    Além de assinar a Fé São-paulina, os candidatos devem se sujeitar a eventuais contestações a sua candidatura, caso existam informações de que o sujeito está mentindo e não é sãopaulino, sob pena de expulsão do clube, caso provado o fato.
    Os sócios têm o direito de eleger seu presidente e ponto final. Não é uma questão de se achar se é melhor ou pior. Os sócios, legalmente, são os donos do clube e portanto devem escolher seu representante máximo, como na maioria dos grandes clubes do Brasil.
    Além disso, não é possível, que não se acabe com a figura medieval do conselheiro vitalício. O São Paulo nunca irá se atualizar se mantiver essa excrescência, que não existe em nenhuma organização moderna do mundo.

  8. Não vai mudar DROGA nenhuma !!
    É LAMENTÁVEL torcedores de outros times ( sócios do clube ) decidirem os destinos do NOSSO TIME de futebol, SPFC !
    Sócios – torcedores JÁ !!!

  9. Esse sujeito além de ser um péssimo presidente, só não foi pior que o Jumencio que destruiu o clube por duas vezes, é um retrógrado, quer manter o conclave político do SPFC pra Semp, onde eles se reúnem e escolhem o que mais vai fazer agrados aos demais cardeais, como no congresso.
    Não querer que os sócios não participem é querem que quem paga e dá lucro pra esse clube seja apenas um pagador de taxas e impostos, como somos senso cidadãos desse país.
    Esse infeliz tem que sair junto com esse bando de velhos caquéticos que destroem e atrapalham o clube.
    E sócio torcedor que paga mensalmente ao SPFC sendo torcedor de outro clube, só pode ser IMBECIL, não é torcedor.
    Cada uma!

  10. A razão de existir do SPFC são os torcedores não o contrário. Penso que esse senhor levantou essa argumentação para evitar uma maior fiscalização externa sobre o clube.

    O sócio torcedor não é um mero pagador de boleto, ele precisa ter voz ativa, e a todos os torcedores ser possível uma fiscalização das ações dos dirigentes. Quem não deve não teme, não é mesmo Sr Bastos Neto??

    E desde quando vai ter sócio torcedor de outro time? Isso é desculpa na falta de um argumento plausível.

    E mais, o spfc precisa criar um cargo de ombudsman, é uma prática que já existe nas melhores empresas.

  11. Ora! O Sr. Bastos está equivocado. Há, conselhos: Consultivo, Deliberativo, Fiscal e etc. Todos para fiscalizar o presidente eleito.
    O presidente deve seguir o Estatuto e estar dentro da lei para vigorar no seu pleno vigor. Assim, por vias tortas – se assim posso dizer, estará sempre engessado.
    Para fazer algo, que pode ser chamado irregular ou imoral, deve ter o aval desses Órgãos fiscalizadores, além do aval dos sócios, o que eu acho que não conseguirá êxito.
    E temos que ter uma observação: o candidato à conselheiro e que pode virar presidente, assina um termo compromissando a sua palavra que é São Paulino. Portanto, dentro do partido político que ele frequenta, já há uma depuração natural e um comprometimento de lançar candidato voltado aos anseios do São Paulo FC.
    Portanto, a eleição direta para Presidente do SPFC é salutar e traz harmonia dentro do quadro associativo.

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