Novo estatuto proposto dá um passo para frente e dois para trás

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, muita gente me perguntou no clube pessoalmente, através de e-mais, mensagens nas redes sociais, e mesmo aqui no site, sobre minha opinião a respeito do novo estatuto, ainda em fase de embrião, mas já moldado, aguardando emendas de conselheiros e sócios. Respondi a todos que faria uma leitura mais detalhada para estampar minha opinião. E aqui vou explicitá-la, com os respectivos argumentos para aprovação ou desaprovação do que se propôs.

Acho que o estatuto avança quando fala em profissionalização. Entenderam os sócios e conselheiros que não há outro caminho para modernizar o clube que não seja a colocação de profissionais capacitados e especializados em suas áreas para gerir as coisas do clube. Entenderam também que o diretor Social não deve ser remunerado. Assim também entendo, pois trata-se de algo muito próximo ao sócio, que independe de especialização.

O projeto de novo estatuto também diz que o presidente deverá ser remunerado, em até 70% do maior salário público pago no País, no caso o de um ministro do STF, desde que ele tenha dedicação integral ao clube, não podendo, portanto, exercer outra função privada cumulativamente. O mandato será de quatro anos, sem direito a reeleição. A eleição passa a ser na primeira quinzena de dezembro e a posse no primeiro dia de janeiro. Tudo isso é muito bom.

Mas agora vem os dois passos para trás. Os sócios continuam impedidos de votar no presidente. A única mudança é que antes, o Conselho Deliberativo elegia o novo mandatário. Agora formar-se-á uma Comissão Executiva, composta por conselheiros, que elegerá o presidente e seguimos em frente. Havia nessa proposta um artigo que falava que o nome deveria ser referendado pela Assembleia Geral, ou seja, pelo sócio. Isso foi jogado fora.

É bom lembrar que Corinthians e Palmeiras, clubes que, ao meu ver, hoje estão muito a frente do São Paulo, preveem  eleição direta para presidentes. Só quero lembrar que um está prestes a ser campeão brasileiro e o outro ganhou vários títulos nos últimos anos e briga para ir a Libertadores, enquanto nós brigamos para não cair.

O sócio continua tendo direito a eleger apenas uma pequena parcela de conselheiros. Aliás, hoje existem 240 conselheiros, sendo 160 vitalícios e 80 eleitos. A mudança é que passaremos a ter 260 conselheiros, sendo 100 eleitos. Destes, 75 mais votados e 25 por antiguidade. Ou seja: andamos para trás, pois vamos aumentar ainda mais o número de conselheiros e manter o mesmo número de vitalícios.

Outra aberração, na minha visão, é a tentativa de separar o futebol do social. Explico. Eu mesmo apresentei nas minhas propostas a separação financeira dos dois. Entendo que as tesourarias do futebol e do social não devem ser misturadas. Cada receita e despesa com sua fonte. Mas o que se propõe é que, num prazo de um ano, o presidente eleito em abril de 2017 elabore uma consulta ao Conselho Deliberativo de separar o futebol do social in totun. Não deixa claro isso, mas presumo que haja um presidente para o social e outro para o futebol. Como é profissionalizado, quem garante que o presidente do futebol será um torcedor do São Paulo. A partir do momento que você transforma algo em sociedade anônima, perde completamente o controle.

Isso está me cheirando, não o dedo, mas a mão inteira de Abilio Diniz. Ele agrupou alguns conselheiros, cujos nomes prefiro não divulgar – porque certamente dirão que nada tem a ver com isso – e desenhou o novo estatuto. O pior é que a comissão acabou se curvando a esses desejos. Não é segredo para ninguém que ele quer ser presidente do São Paulo. Mas não sendo conselheiro, não tem essa possibilidade. Então ele está entrando pela porta do fundo para chegar ao seu principal objetivo.

Vendo a proposta como foi publicada me sinto um verdadeiro otário em toda a situação. Na assembleia aberta convocada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Pupo, para que os sócios defendessem suas propostas, cheguei ao clube às 17 horas – assembleia começava às 19h, e fui fazer minha inscrição. Para meu espanto, dois já haviam feito a inscrição – que só poderia ser feita pessoalmente -. Um deles era Abilio Diniz, que seria o primeiro a falar. Ele ficou quase duas horas debatendo com conselheiros, apenas um projeto: a criação da Comissão Executiva, que está prevista no estatuto, do jeito que ele quis. Para todo os outros sócios sobrou falar, no máximo, cinco minutos. Não que Marcelo Pupo tenha delimitado o tempo, mas era óbvio ululante que cada um teria que ser muito conciso.

Por ter me sentido um trouxa naquele dia, agora que vi tudo o que foi feito, não vou apresentar emendas – teria esse direito – e a partir deste momento, por entender que há retrocesso e interesses muito particulares nesse novo estatuto, passo a defender sua não aprovação na Assembleia Geral, que, espero, será realizada para aprovação final do texto. Mais do que isso: o Tricolornaweb está contra a aprovação deste estatuto.

Espero ter exposto minha opinião e visão sobre o que se propõe como novo estatuto.

12 comentários em “Novo estatuto proposto dá um passo para frente e dois para trás

  1. Caros, não li a minuta de reforma, mas pelos relatos, só vejo passos atrás. A proposta de profissionalização é frágil e tímida.
    A ideia de aumentar o número de conselheiros (conselheiro = corneteiro = encostado) é lamentável.
    Essa paranoia com a eleição de um não são-paulino é meio estranha, né? Se houve uma eleição entre torcedores e o sujeito venceu, qual é o problema?
    Eu prefiro o São Paulo seja entregue a Abílio Diniz de mão beijada do que aturar os merdas atuais.

  2. Que frescurada essa “preocupação” de o associado que não torce pelo time votar na eleição. Como associado, ele tem o mesmo direito que os outros associados, tendo ou não tendo “fé são paulina” – como se isso quisesse dizer alguma coisa…

  3. Por diversas vezes postei neste espaço minha preocupação com os quase 50% de associados não são paulinos, obvio que não com referência à parte social do clube, mas com seu desinteresse para com os problemas do futebol.
    Entendendo que a alteração estatutária poderia conciliar este quadro, várias vezes mencionei a necessidade da divisão administrativo/financeira, voto direto, maior participação do sócio torcedor, enfim que se modernizasse a gestão.
    Mas, se Paulo Pontes como associado e com trânsito interno sentiu-se enganado por ocasião das propostas, vejo que é uma grande perda de tempo ficar conjecturando sobre uma situação que será resolvida por uma das castas de associados.

  4. para quem acha o bauza grande treinador veja o que diz a imprensa argentina sobre ele kkkkkkkkkk

    Argentina se fue derrotada de Córdoba. Otra pobre imagen del equipo de Edgardo Bauza. Carente de juego, de ideas. Flojito a nivel colectivo e individual. Y el que lo renoció fue Sergio Agüero, que erró un penal. “No hay excusas. Se jugó mal. Hay que levantar cabeza. Esto puede pasar. Otra no queda. Tenemos que dar vuelta todo. Se jugó muy mal”.

    pra sempre soberano

  5. Paulo, uma correção na sua análise…o presidente continuaria sendo eleito pelo Conselho Deliberativo, e não pela comissão executiva.

    É preciso tirar o poder político do conselho. É necessário que a eleição seja realizada via voto dos sócios, mesmo o clube tendo sócios não torcedores do SPFC. Exigindo que o candidato seja conselheiro, e por consequência, torcedor do São Paulo, pouco importa se quem vai votar seja sãopaulino, corinthiano ou palmeirense.
    4 anos de mandato é um absurdo, acredito que o ideal é a forma antiga, ou seja, 2 anos com direito a reeleição. Não podemos correr o risco de ficarmos 4 anos reféns de uma má administração sem que nada possa ser feito, e cairmos numa guerra política que só faz piorar a situação. Acho que os exemplos que tivemos durante a nossa história mostram qual é o melhor sistema.
    É preciso também eliminar qualquer barreira para que chapas possam ser criadas. Essa exigência da assinatura de X vitalícios para que uma chapa possa ser registrada é um absurdo, só serve para que não ocorra uma oxigenação na política do clube. Esses senhores não são donos do clube.
    Em relação a comissão executiva, acredito ser uma boa ideia, mas do jeito que foi proposta na verdade seria grupo absolutamente submisso ao presidente, pois o presidente teria ascendência sobre 6 componentes da comissão. Teria que ter mais independência.
    De resto, se não for o ideal, é pelo menos aceitável.
    Ou seja, é preciso despolitizar a administração do SPFC, e esse projeto de estatuto vai na contra mão disso. O conselho tem que perder poder político, o presidente tem que administrar para e pelos sócios. Afinal, essa é uma premissa da democracia. E democracia passa longe dessa proposta…
    Do jeito que é hoje e que continua sendo previsto nesse projeto, os sócios, mesmo escolhendo alguns conselheiros, acabam não tendo segurança de quem serão os candidatos a presidente. É um cheque em branco, um voto no escuro.

  6. Bom dia,

    Concordo e discordo com você em algumas coisas.

    Concordo que o estatuto no modo que você comentou não vai trazer todas as mudanças para o clube que esperamos.

    Realmente acho que é vital ter mais transparência. Acho que se houver separação entre o social e o futebol não tem porque o sócio votar em questões do futebol.

    Acho que esse papel deve ser do sócio torcedor. O spfc é uma caixa preta inescrutável, isso gera dúvida sobre a ética e lisura de algumas decisões. Acho que o ST deveria votar para a escolha dos conselheiros e ter maior possibilidade de fiscalização.

    E daí vem o que também concordo com você: pra que tanto conselheiro? E vitalício ainda??

    Minha impressão é de que só servem pra segurar o spfc onde ele deve ser ágil (ex ganho de mercado no exterior).

    Espero que isso seja revisto, o sp precisa ser mais dinâmico, eficiente, senão vai ficar tão pra trás financeiramente que não vai nem conseguir ver os primeiros (fla, palmeiras e corinthians).

  7. Paulo , bom dia ! Outro grande São paulino, o Sombra do Estádio 97, tem a opinião de que o voto direto para presidente pelos sócios não ser a melhor saída devido o clube ter muitos sócios torcedores de outros times (que associaram-se ao clube apenas pela proximidade). Isso é real ? Se sim, como fazer para que esses sócios não interfiram no futebol?

    Abraços e obrigado pelas informações

    • Bom dia, Daniel. Minha proposta prevê voto direto, mas o sócio teria que assinar o documento de “Fé Tricolor”, tendo três testemunhas para tanto. Se a qualquer momento fosse descoberto que ele mentiu, tanto ele quanto as testemunhas seriam banidos sumariamente do clube. Mas foi descartada pela comissão. Além do mais, ao transformar o time de futebol em S.A., tendo acionistas, qual a certeza de que o presidente seria um são-paulino? Abraços

  8. TENTAM DAR UM PASSA MOLEQUE! ACHAM QUE OS SÓCIOS NÃO PENSAM.
    MODERNIDADE? AINDA ESTÁ LONGE DE SER DETECTADA NA SUA PLENITUDE!
    A MUDANÇA COMPORTAMENTAL JÁ ESTÁ PRESENTE ENTRE OS SÓCIOS. A ADMINISTRAÇÃO É TÃO LENTA QUE AINDA NÃO PERCEBEU!

  9. Estão, por tabela, querendo vender o futebol profissional. Explica então: como fica o estádio que está agregado no terreno da parte social? Aquele paga pra esse? O Aidar desejava vender o morumbi. Esse Leco é piadista! ELE é mais de JJ e Aidar. Lixo como administrador. E o voto direto? Claro que não existe. Isso vai tirar o poder da mãos dos mesmos que por lá estão desde o tempo do JJ. Absurdo. Leco e sua trupe devem ir para o clube que amam: o PINHEIROS. Leco e o Manssur, este realmente manda no SPFC, saiam de fininho. Turma escrota.

  10. acho que o botafogo deveria manda um presente de natal para o soberano por a gente ter livrado ele do RG kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    beto treinador esse é o cara

    pra sempre soberano

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