Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo perdeu para ele mesmo o título deste ano. Jogamos contra um adversário inofensivo, que a única coisa que sabe fazer é se defender e achar uma bola para contra-ataque ( achou) e acertar um escanteio (acertou). O São Paulo foi medroso, jogou para empatar e levar para os pênaltis, sentiu-se inferior ao seu adversário. Aliás, respeito (para não dizer medo) que já aflorou no jogo de ida no Morumbi. O dever de casa era mais do que necessário. Mas nós deixamos para decidir em Itaquera. E perdemos.
O jogo inteiro foi horrível, indigno de uma final de Campeonato Paulista, dos dois lados. Ouso dize que o Corinthians joga tão feio, mas tão feio, que atrapalha o adversário e o faz jogar feio também. Mas foi horrível.
Confesso que quando saiu o primeiro gol do Corinthians senti que o jogo tinha terminado. Seriam 60 minutos (15 que faltavam para acabar o primeiro tempo e 45 do segundo) de ataque contra defesa. Mas conseguimos empatar no último lance do jogo.
Eu entendi a formação inicial de Cuca. Ao invés de entrar com time mais ofensivo optou pela segurança. Inegável que Jucilei é um grande ladrão de bola. Mas ele matou Luan, que ficou perdido, pois há tempos não joga mais como segundo volante, ocupou o mesmo espaço que Jucilei e deixou Igor Vinicius sozinho para armar o time. Everton Felipe voltava para ajudar o meio, mas Igor não entrava por aquele setor de ataque. Everton perdia todas as bolas na esquerda e Antony era figura completamente apagada no jogo. Mas marcou o gol. E isso vale muito.
Se Cuca errou na escalação, piorou no segundo tempo. Voltou com Hernaes no lugar de Everton Felipe. O profeta foi jogar no meio dos zagueiros, de costas para o gol, quando o forte é bater forte de fora da área, ou seja, jogar de frente para o gol. Ali o normal seria ter tirado Jucilei e voltado com Hernanes. Simplesmente tivemos um jogador a menos.
Depois colocou William Farias no lugar de Everton, que saiu machucado. Também não entendi. Na entrevista ele explicou que Luan também tinha acusado uma contusão. Mas a situação de Everton era pior. Ele não quis deixar o setor fragilizado. Vou aceitar essa explicação para não ficar pior sua responsabilidade pela derrota.
Mas chegamos muito longe. Um time que foi montado com um técnico aprendiz no começo do ano, que foi desmontado e refeito no terceiro mês, com um técnico tampão e que acabou o campeonato com o novo técnico, é digno de piada. O planejamento até este momento foi zero. E ninguém pode discordar que só chegamos até aqui porque temos bons valores revelados em Cotia, que andaram resolvendo jogos contra o Ituano e segurando o rojão. Mas, como eu disse no início, se chegamos longe demais, hoje perdemos para nós mesmos. Para nossa fragilidade, nosso medo, nosso sentimento de inferioridade frente aos demais grandes de São Paulo. Continuamo sendo a quarta força do Estado, sem ganhar um único clássico e marcando um único gol: o de hoje.
Não posso deixar de comentar um lance que o VAR não pegou (ou não quis pegar): bola alta na área, Henrique sobe com Hernanes e me te a mão na bola. É pênalti em qualquer lugar do mundo, menos em Itaquera, contra o Corinthians. Incrível (ou normal) a Globo mostrar só uma vez o replay e ninguém comentar nada. Não perdemos por causa deste lance, mas ele poderia ser um diferencial, pois era segundo tempo e o placar estava 1 a 1.
Não quero viver do “se”, mas da nossa realidade. Continuamos na fila. Com boas perspectivas pela frente, é verdade. Para o Brasileiro teremos Alexandre Pato, Tchê Tchê, Pablo recuperado, Hernanes em forma. Além, é claro, da molecada de Cotia (se o sr. Leco não sair vendendo por aí). Vamos esperar por esses dias melhores. Apesar que nos últimos sete anos, entra ano sai ano, e nós esperamos por dias melhores. Triste realidade.