Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, quando se pensa que tudo está tão ruim que não tem como piorar, é aí que se vê que, em se tratando de São Paulo, isso é um grande equívoco. A saída de Cuca, provocada por ele mesmo, só serviu para dar um alívio na diretoria, que não aceitava os resultados – como de resto nós todos, torcedores, também não aceitávamos – e não tinha coragem demiti-lo.
E que não me venham com essa balela de que ele pediu demissão no vestiário após o jogo e foi demovido da ideia pela diretoria. Cuca foi muito claro em sua última coletiva, justificando sua decisão: “eu não estava contente com os resultados, a diretoria não estava contente. Se estivesse, teria tentado impedir minha saída”.
Em outras palavras: Cuca fez o que se chama de “deixar a diretoria à vontade” para decidir o que fosse melhor para o clube. Mas esperava, no fundo, ter o respaldo de Raí, Leco & Cia. Ltda.para prosseguir o trabalho. Quebrou a cara. Não teve apoio algum.
Aí Raí anuncia, na coletiva de despedida, que Wagner Mancini seria o técnico interino para o jogo contra o Flamengo. Que sua permanência à frente da equipe não era definitiva, mas era o que tínhamos para o momento.
Quando é perto da meia-noite, o São Paulo anuncia Fernando Diniz. Aí sai uma estória, já contada por vários órgãos de imprensa, que a contratação de Diniz se deu por um conversa entre Daniel Alves, Pablo, Hernanes e Pato. Eles teriam pedido a Alexandre Pássaro para trazer o ex-Fluminense. E Diniz veio. Estariam os jogadores dominando o clube? Cadê a autoridade de Raí?
Vejo em Fernando Diniz um potencial sem limites, com ideias modernas, de um futebol bonito, muito vistoso, sem chutões, com passes, tabelas, envolvimento do adversário, gols bonitos, classe que não vemos no futebol de hoje. Realmente, é um ponto fora da curva. Mas para a Europa, não para o Brasil. Aqui ele deixou o Athlético-PR, o mesmo que foi campeão da Copa do Brasil, na zona de rebaixamento do Brasileiro; foi para o Fluminense, e também deixou o time das Laranjeiras no Z-4.
O que ele fará com o São Paulo? Vai nos tirar do G-6, onde brigamos pelo G-4, para nos colocar brigando pelo G-12? Sim, porque me parece quase impossível sermos jogado no fosso da luta para não entrar no Z-4. Já temos 35 pontos, enquanto o Cruzeiro, primeiro do rebaixamento, tem 19. Além dos 16 pontos de diferença, há 11 times entre nós, o que, em combinação de resultados, torna quase impossível essa hipótese. Mas, pela explicação que dei agora, pensam que já não fui olhar, analisar e fazer contas?
Indubitavelmente, estamos nos tornando uma nova Portuguesa, com todo respeito que a Lusa me mereça. Somos aquele time que ganha quando todos pensavam que iria perder e perde quando todos tinha certeza da vitória. Trocamos de técnico como trocamos de roupa. Este ano já tivemos André Jardine, Wagner Mancini, Cuca, Wagner Mancini (por oito horas) e Fernando Diniz. E ninguém, em sã consciência, pode garantir que ele ficará até o final do Brasileiro.
Sou otimista, sou torcedor do Clube da Fé, nunca vou desdenhar de ninguém que vista nosso Manto Sagrado, antes que ele faça jus a isso. Torcerei desesperadamente que o estilo de futebol vistoso de Fernando Diniz se encaixe no São Paulo, e que nós consigamos ter um final de ano menos traumático.