Veja os 10 principais desafios que Julio Casares terá como novo presidente

O São Paulo tem um novo presidente eleito desde o último sábado, quando os conselheiros escolheram Julio Casares na disputa com Roberto Natel. Ele vai suceder Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e iniciará seu mandato em janeiro com desafios pela frente.

No entanto, por indicação do estatuto, um governo de transição começa a atuar de agora até o fim do ano por meio de uma equipe composta por até cinco pessoas indicadas por Casares e Leco.

O  GE lista abaixo dez desafios que Julio Casares terá no São Paulo:

Julio Casares, novo presidente eleito do São Paulo — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Julio Casares, novo presidente eleito do São Paulo — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

  1. Encerrar jejum de títulos

 

Sem taças desde 2012, quando ganhou a Copa Sul-Americana, o São Paulo completou oito anos na fila no último sábado (dia 12 de dezembro).

Agora, em meio à transição de diretorias, o clube tem a real possibilidade de sair do jejum, pois lidera o Brasileirão e é semifinalista da Copa do Brasil (encara o Grêmio nos dias 23 e 30 de dezembro).

Ou seja, num cenário otimista, Julio Casares pode assumir o São Paulo classificado para a final do torneio de mata-mata e na liderança da competição nacional.

Logo de cara, um dos desafios será evitar que as mudanças na estrutura do departamento de futebol afetem o elenco de Fernando Diniz, técnico mantido no cargo.

Raí deverá sair, mas a dúvida é quando isso ocorrerá. Ele deseja ficar até o fim de fevereiro para completar a atual temporada e é possível que isso aconteça. A saída do gerente Alexandre Pássaro em janeiro, por outro lado, é praticamente certa. Muricy Ramalho será o coordenador de futebol.

Rogério Ceni e Lucas levantam a taça da Copa Sul-Americana de 2012: último título do São Paulo — Foto: Rubens Chiri / www.saopaulofc.net

Rogério Ceni e Lucas levantam a taça da Copa Sul-Americana de 2012: último título do São Paulo — Foto: Rubens Chiri / www.saopaulofc.net

2. Dívida

O clube soma R$ 560 milhões em dívidas e teve a crise financeira agravada pela pandemia de Covid-19.

Análise das finanças do Tricolor feita pelo “Blog do Rodrigo Capelo” apontou que um dos maiores problemas da administração Leco foi a perda de receitas. Segundo os números calculados pela direção, a diferença entre expectativa e realidade ficou em R$ 150 milhões em 2020.

Com menos dinheiro arrecadado em relação ao que foi orçado em diversas áreas, a venda de jogadores foi importante para o caixa. O São Paulo contabilizou em julho as negociações de Antony (Ajax) e Gustavo Maia (Barcelona). Juntos, eles correspondem a quase R$ 117 milhões do total registrado no balanço.

Dívida de R$ 560 milhões é desafio para novo presidente — Foto: ge

Dívida de R$ 560 milhões é desafio para novo presidente — Foto: ge

3. Segurar revelações da base e ter retorno esportivo

David Neres, Luiz Araújo, Éder Militão e Antony, entre outros, são algumas das revelações da base do São Paulo que saíram do clube sem ganhar títulos.

No caso de Antony, último a ser vendido entre eles, o clube acertou com o Ajax a promessa de entregá-lo meses depois do acerto na esperança de aproveitar mais o jogador esportivamente. Mas esse período coincidiu com a paralisação do futebol por causa da pandemia de Covid-19.

Agora, o time titular de Fernando Diniz tem pelo menos quatro garotos de Cotia: Luan, Gabriel Sara, Igor Gomes e Brenner. Além deles, Diego Costa (reserva) é outro jogador que se firmou em 2020, embora tenha caído de rendimento nos últimos tempos. O desafio é segurá-los para ganhar títulos antes de uma venda para a Europa.

Se conquistar o Brasileirão e ou a Copa do Brasil, o São Paulo terá conseguido cumprir esse objetivo.

Brenner, Igor Gomes, Diego Costa, Luan e Gabriel Sara conversam com Fernando Diniz no treino do São Paulo — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Brenner, Igor Gomes, Diego Costa, Luan e Gabriel Sara conversam com Fernando Diniz no treino do São Paulo — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

O São Paulo atrasou o pagamento dos salários de jogadores por algumas vezes nos últimos tempos, o que gerou incômodo no elenco. Isso antes mesmo da paralisação do futebol.

Depois, durante a pandemia de Covid-19, o clube cortou 50% dos salários dos jogadores sem um acordo formal, o que gerou novo desgaste com os atletas. Em junho, houve diversos relatos de novos atrasos salariais e de que esses 50% combinados não foram pagos.

Análise do blog do Capelo apontou que o gasto com a folha salarial do futebol profissional foi maior do que o previsto: a previsão era desembolsar R$ 114 milhões até setembro, mas o clube pagou R$ 135 milhões. As rescisões de Jucilei, Alexandre Pato, Anderson Martins e Everton entram nesse montante.

O desafio é fazer o São Paulo voltar a pagar sempre em dia, uma das referências da qual o clube se orgulhava no passado.

Fernando Diniz e Daniel Alves no treino do São Paulo — Foto: São Paulo FC / divulgação

Fernando Diniz e Daniel Alves no treino do São Paulo — Foto: São Paulo FC / divulgação

5. Mercado da bola

Em 2020, o São Paulo não contratou nenhum jogador. A única negociação de transferência foi a troca de Everton por Luciano com o Grêmio. Deu certo.

Em compensação, boa parte do atual elenco e da dívida financeira de agora têm origem nos gastos com reforços em 2019: Daniel Alves, Juanfran, Hernanes, Alexandre Pato (já saiu), Tiago Volpi, Pablo, Tchê Tchê e Vitor Bueno, entre outros.

No elenco, será preciso definir situações como a de Juanfran, com contrato até dezembro e que deve prorrogar até fevereiro. Brenner, com conversa iniciada para renovar seu vínculo, é outra pendência importante.

Luciano foi o único reforço do São Paulo em 2020 — Foto: Marcos Ribolli

Luciano foi o único reforço do São Paulo em 2020 — Foto: Marcos Ribolli

6. Política: o novo Conselho Deliberativo

Casares teve maioria de votos na assembleia geral de sócios: sua chapa elegeu 74 conselheiros contra 26 da chapa de Roberto Natel. Na eleição para presidente, no último sábado, ele teve cerca de dois terços de votos favoráveis no Conselho Deliberativo: 155 dos 234 conselheiros – 78 votaram em Roberto Natel e houve um voto em branco. Hoje o quadro total é de 251 conselheiros.

Politicamente, é uma vantagem significativa no órgão que fiscaliza e debate orçamentos, aprovações de contas e diversas questões do clube.

O desafio será manter unida a coalizão que o elegeu presidente.

Originalmente, a base aliada que deu sustentação a Leco e apoia Casares tinha quatro grupos: “Participação”, “Vanguarda”, “Sempre Tricolor” e “Legião Tricolor”. A eles se juntaram outros quatro: “MSP”, “Força São Paulo”, o grupo do ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta e outro de conselheiros avulsos independentes.

Conselho São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Conselho São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

7. Sócio-torcedor e sistema de venda de ingressos

A pandemia de Covid-19 impactou drasticamente nas finanças dos clubes e obviamente reduziu a receita com bilheteria, pois os jogos são realizados com portões fechados.

No entanto, antes mesmo da paralisação do futebol, torcedores do São Paulo reclamavam de problemas na compra de ingressos para jogos do clube. O Tricolor contabilizou perda de sócios-torcedores em meio à pandemia.

Casares disse o seguinte sobre o tema durante a campanha:

– O sócio-torcedor do São Paulo precisa ter melhores benefícios e tecnologia, devemos pensar no torcedor distante, o sócio tem que ter um balancete mensal de cada centavo que ele coloca lá vai para o futebol, tem que ter a visão de que está contribuindo, receber um extrato do que está acontecendo. Além de inúmeras ações de interatividade. Nós vamos avaliar o contrato do prestador de serviço em relação ao preço dos ingressos, alguma coisa tem que acontecer para melhorar. Nós precisamos criar uma dinâmica de tecnologia, um aplicativo, que você possa comprar um produto, comprar um ingresso ou entrar no sócio-torcedor com facilidade.

Torcida do São Paulo costuma reclamar do sistema de venda de ingressos para os jogos do time — Foto: Marcos Ribolli

Torcida do São Paulo costuma reclamar do sistema de venda de ingressos para os jogos do time — Foto: Marcos Ribolli

8. O São Paulo após a pandemia de Covid-19

A crise financeira do São Paulo foi aumentada com a paralisação do futebol causada pela pandemia de Covid-19. O clube perdeu receitas, cortou salários dos jogadores e teve de se entender com fornecedores para manter tudo em funcionamento.

Sem receitas de bilheteria, fator importante no orçamento, o São Paulo terá de se readequar a essa realidade de momento para 2021. Como não há previsão do fim da pandemia e consequentemente do retorno do público aos estádios, isso afeta diretamente no caixa.

Um dos desafios da nova direção tricolor será manter o sucesso no controle de casos de Covid-19 no departamento de futebol. Tchê Tchê (testou positivo) e Bruno Alves (testou negativo, mas ficou fora de dois jogos porque um parente teve Covid-19) foram os únicos casos recentes.

9Morumbi

O estádio deixou de receber o show do Metallica por causa da pandemia. Análise do “Blog do Capelo” aponta que, considerando todas as receitas diretamente ligadas ao estádio, o São Paulo teve R$ 48 milhões de perda entre o que foi orçado e realizado até setembro.

Veja o que Casares disse sobre o Morumbi durante a campanha:

– Nós temos que trabalhar com plano. E qual nosso plano para ter um dinheiro de mercado diferente para shows e eventos? Primeiro: vamos contratar um diretor de estádio com visão de um shopping center ou de entretenimento e shows. Que vai ganhar também bônus por resultado. Nos dias comuns ele vai fazer com que o Morumbi seja um palco para lançamentos de produtos, automóveis, cartão de crédito, seminário. Também mini shows, mais intimistas. E, nos mega shows, o que temos de diferente dessas arenas que são mais novas, com melhores acústicas? Natural, foram construídas para a Copa de 2014. O nosso estádio está pago, está quitado, ele é grande, ele pode abrigar mais pessoas.

Estádio do Morumbi: a casa do São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Estádio do Morumbi: a casa do São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

10. Esportes olímpicos e futebol feminino

 O time de basquete do Tricolor tem alcançado bons resultados. Uma das vitórias recentes foi sobre o Flamengo, o que quebrou uma invencibilidade do Rubro-Negro no NBB. Pelo plano de gestão de Casares, o basquete deverá ter um orçamento com receitas e centro de custo próprios, e não ficará mais sob a responsabilidade do social, embora já tivesse seus próprios patrocinadores.

O futebol feminino, por sua vez, é uma exigência que consta no Profut e nas regras de licenciamento da CBF e da Conmebol. O desafio será fortalecer a equipe e se aproximar de projetos mais consolidados como por exemplo o do rival Corinthians, recentemente bicampeão brasileiro.

Veja o que Casares disse sobre o tema durante a campanha.

– A razão da nossa associação é o futebol, São Paulo Futebol Clube. Hoje temos o futebol feminino que vem sendo muito bem executado. Vestiu a camisa do São Paulo tem que buscar o melhor. O basquete é um exemplo de competitividade, mas vamos estabelecer uma estrutura para esses esportes terem investimento. Precisamos fechar essa conta. Vamos criar uma diretoria específica para esses esportes, aí teremos um plano para trazer anunciantes para o basquete e futebol feminino.

Fonte: Globo Esporte

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