Perto de ficar, Igor Vinícius explica sua evolução e mira Seleção olímpica

Sem Daniel Alves, suspenso, e muito provavelmente sem Juanfran, que se recupera de contratura na coxa esquerda, o São Paulo terá Igor Vinícius como titular da lateral direita contra o Atlético-MG, às 16h de domingo, no Morumbi. E, acredite, o torcedor não está preocupado com a falta dos veteranos.

O momento do jovem de 22 anos é tão bom que ele está perto de receber uma boa notícia – ser comprado pelo Tricolor – e admite que sonha com outra – disputar a Olimpíada de 2020, em Tóquio.

O São Paulo tem até dezembro para comprar 50% dos direitos econômicos de Igor Vinícius por R$ 2 milhões – ele pertence ao Ituano e está emprestado neste momento. A diretoria está decidida a mantê-lo.

Já a caminhada para disputar os Jogos Olímpicos pode começar nesta sexta-feira. A Seleção Brasileira sub-23 será convocada por André Jardine para o Torneio de Tenerife, na Espanha, que será disputado na data Fifa de novembro (entre os dias 15 e 19). Igor, que esteve em uma pré-lista de convocados para o Torneio de Toulon neste ano, disputa com Emerson (Bétis) e Guga (Atlético-MG).

– Estou na expectativa, sim, desde o Torneio de Toulon. A diretoria conversou comigo, falou que eu estava entre os 35, aí eu já comecei a colocar como objetivo. É um sonho que eu tenho desde criança vestir a camisa da Seleção Brasileira e estou trabalhando para isso. Sei que tem mais uma convocação e, para conseguir, tenho que estar bem aqui. É o que eu estou procurando fazer, indo bem nos treinos, nos jogos, porque é isso que vai me dar a oportunidade de vestir a camisa da Seleção.

Na entrevista abaixo, Igor conta que a confiança dos companheiros e a convivência com Dani Alves e Juanfran foram fundamentais para sua nítida evolução. Após terminar o Paulistão em baixa, principalmente por suas dificuldades defensivas, o garoto agora tem na bagagem duas grandes atuações nos dois clássicos vencidos pelo time em 2019, contra Santos (3 a 2) e Corinthians (1 a 0), ambos no Morumbi.

Leia a entrevista completa:


LANCE!: Você perdeu espaço após um jogo contra o São Caetano, na última rodada da fase de grupos do Paulista. Talvez tenha sido sua pior atuação aqui. Agora, vem de uma grande exibição contra o Corinthians. O que mudou entre essas duas partidas?

Cara, a confiança. A equipe confia bastante em mim hoje, eu consigo produzir mais do lado do campo, a bola chega com mais facilidade para mim. Começa daí, os jogadores começarem a ter confiança de jogar contigo. E também da minha parte, de jogar mais tranquilo, as jogadas começam a acontecer com mais naturalidade. Fico feliz com essa evolução do segundo semestre. É o que eu buscava. Quando cheguei, falei que não adiantava jogar tanto no primeiro semestre e não jogar nada no segundo. Procurei evoluir e estou conseguindo manter.

Você mudou alguma coisa na sua rotina ou na maneira de pensar para conseguir essa evolução?

A minha cabeça sempre foi muito tranquila. A equipe não viveu um momento muito bom no primeiro semestre, a gente sabe disso, teve momentos conturbados, eliminação na Libertadores… Mas a gente se encaixou agora no segundo semestre, conseguindo fazer boas partidas. Acho que é a confiança do torcedor em você, do time, e a cabeça é o principal, você saber que pode entrar e pode produzir bem mesmo em uma equipe com tantos jogadores de nome, como Hernanes, Pato… Eu também sou útil e sei disso.

Hoje você parece muito mais confiante e firme nas divididas. Foi um dos pontos altos da sua atuação contra o Corinthians. Concorda?

Eu aprendi que a gente tem sempre que ganhar os confrontos individuais, isso traz o torcedor, dá confiança. Consequentemente, as jogadas com a bola vão acontecer. É uma coisa que tenho colocado, sim. Não comecei tão bem na marcação, eu sei disso, e é uma coisa que eu trabalhei muito. Posicionamento, marcação, chegar no momento certo… Deu uma evoluída e eu sinto isso também.

Quem te ajudou nessa evolução defensiva?

Todos os treinadores que passaram conversaram muito comigo sobre isso, de posicionamento, de atacar no momento certo. O próprio Dani quando chegou, a gente começou a olhar no dia a dia, o Juan, que é um exímio marcador, jogou em uma das maiores escolas de marcação, o Atlético de Madrid. Convivendo com esses caras no dia a dia não tem como, você acaba pegando um pouco. A gente observa, eu procuro aprender o máximo possível.

Você percebe que o Daniel e o Juanfran têm atenção especial com você?

O Dani, desde quando chegou, no primeiro jogo, já me deu vários conselhos. Eu procuro estar observando no dia a dia, quando dá para conversar com ele eu converso. Uma coisa que ele pede muito para mim é sempre ficar ligado, não desligar do jogo. Ele diz que a mania do jogador brasileiro é estar bem e desligar. Mas tem que estar sempre ativo, sempre ligado, porque uma hora ou outra você pode dar uma brecha. Não pode um cara que ganhou tudo na carreira estar concentrado os 90 minutos e eu que estou começando relaxar. Isso não existe. O cara ganhou tudo e dá a vida dentro do campo, fica focado os 90 minutos. Por que ele ficou tanto tempo lá na Europa? Tanto tempo na Seleção? É por causa disso, então tenho que seguir a mesma linha.

Esse ano está dentro das suas expectativas iniciais ou acima?

Em um time grande, a gente quer primeiro mostrar que merece vestir essa camisa, que merece estar aqui no ambiente que tem tantos jogadores com história enorme no futebol. Acho que estou conseguindo mostrar isso no dia a dia. É um ano que está superando um pouco as expectativas. Não é fácil chegar em uma equipe que tinha o Bruno Peres, depois chegou o Daniel Alves, Juanfran… E está sendo um ano bom, estou conseguindo ter sequência de jogos mesmo com tantos jogadores de nome na posição. Lógico que a gente não pode nunca estar satisfeito, mas está sendo um ano bom para mim.

E o trabalho do Diniz? Está gostando?

Ele conversa bastante individualmente com todos os jogadores, nessa semana mesmo ele já conversou comigo umas duas vezes. Ele procura dar confiança para todos os jogadores, para quem está jogando e quem não está jogando. É importante para o jogador não se sentir menos valorizado dentro do elenco. É um início de trabalho muito bom, ele está conseguindo colocar os conceitos dele, a gente está comprando a ideia, a gente acredita na filosofia. Acho que é um passo importante para ele chegar onde pretende com a gente. Estamos nos dando bem, o elenco está gostando, é um trabalho muito bom.

Ele se preocupa muito com os fundamentos básicos?

Ele fala que o difícil a gente faz muito. Ele diz que todo mundo aqui faz o difícil muito bem, então tem que procurar fazer um pouco mais o fácil na hora de você sair com a posse. Ali não é hora de você dar mais de dois toques na bola, tem que definir rápido. E acho que é o certo mesmo, porque você está próximo do seu gol. Aí na frente, ultrapassando as linhas, vem a individualidade do jogador. Ele conversa bastante, tem muito trabalho de passe para aprimorar cada vez mais.

 

Fonte: Lance

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