‘Não sou ladrão’: Casares quebra o silêncio sobre acusações

Alvo de um processo de impeachment que resultou em sua renúncia à presidência do São Paulo no início deste ano, Julio Casares quebrou o silêncio neste sábado (25) em entrevista exclusiva ao UOL — a primeira desde o início da crise institucional. Ele é investigado por possíveis desvios de recursos financeiros e uso irregular do cartão corporativo do clube, após denúncia anônima que chegou ao Ministério Público e também é apurada pela Polícia Civil.

“Eu não sou ladrão. Segundo, eu não faria isso de forma tão amadora”, disse Casares, negando as acusações, em quase uma hora de conversa na qual, em alguns momentos, evitou detalhes a pedido de seus advogados.

“Eu tenho um limite porque existem alguns aspectos da defesa que devo preservar. Mas, em suma, eu quero dizer o seguinte: é tão absurdo, eu refuto absolutamente essas acusações, porque, primeiro, eu não sou ladrão. Segundo, eu não faria isso de forma tão amadora”, diz.

Algumas acusações são sobre desvios de recursos financeiros — revelada, em janeiro, pelo UOL, com acesso exclusivo a relatórios de análise financeira do Coaf. Foram saques em espécie no total de R$ 11 milhões entre 2021 e 2025 e depósitos fracionados que somam R$ 1,5 milhão na sua conta pessoal.

Questionado sobre os valores, ele desviou a responsabilidade de seu cargo: “A saída de dinheiro, o controle de dinheiro, você acha que o presidente vai fazer alguma coisa nesse sentido? Ele vai num caixa do banco tirar, ele pega o dinheiro e vai depositar. Isso é uma fantasia”, afirma.

Casares se apoia nos balanços aprovados pelo Conselho Deliberativo ao longo de sua gestão, entre 2021 e 2024 — apesar de o de 2025 ter sido recusado pelo conselho, após uma auditoria independente da RSM apontar que, em parte dos saques realizados em contas bancárias do clube, não havia documentação suficiente para comprovar a natureza, a destinação e o suporte dos valores: “Eu nunca assinei nenhum pedido de dinheiro e nenhuma saída de dinheiro. Então, é algo estranho. Isso tudo, no tempo certo, será colocado juridicamente. Eu jamais faria um negócio desse”.

“Nós sabemos que tem pagamentos em espécie de bicho e como funciona isso. A diretoria de futebol conversa com as lideranças do futebol e estabelece um valor de prêmio que pode ser por uma fase de classificação ou por um jogo isolado. E ali é o diretor financeiro/contador que exerce essas funções. Esse pagamento é feito por eles. Eu não tenho o poder de levar, e nem faria isso, um envelope de dinheiro para distribuir”, continua.

Procurado, Sergio Pimenta, diretor financeiro do São Paulo, não respondeu aos contatos. Já o São Paulo não quis se manifestar sobre as declarações do ex-presidente. Presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres afirmou que o processo de impeachment seguiu todas as diretrizes estatutárias e que o ex-dirigente teve acesso à ampla defesa em plenário.

Em meio ao processo de  impeachment, o Conselho Fiscal do clube solicitou acesso aos extratos bancários do cartão de crédito institucional do presidente, a fim de averiguar se houve gastos irregulares. Casares admitiu ter usado o cartão corporativo para fins pessoais, mas diz que devolveu todo o valor, com correção.

 

Fonte: Uol

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