Massis abre o jogo e admite erro com Crespo

O presidente do São Paulo, Harry Massis confirmou nesta quinta-feira que seu maior erro na gestão foi ter demitido Crespo. Ele admite que o fez na hora errada. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva concedida à imprensa segmentada no CT da Barra Funda.

De acordo com Massis, a demissão teria que ser feita, pois técnico não ganhou título algum e ainda perdeu de 6 a 0 do Fluminense. Mas o momento, segundo ele foi errado, pois o time estava na liderança do Brasileiro e ele tinha controle do grupo. Pesou para a atitude a entrevista de Crespo, que falou que nosso objetivo era chegar aos 45 pontos.

Sobre a chegada de Roger, Massis disse que já conhecia o trabalho do técnico e gostava. Porém confirmou que a indicação foi de Rui Costa e ele ainda ouviu opiniões do presidente do Internacional e de Muricy Ramalho, que elogiou muito Roger Machado.

O presidente, no entanto, admitiu que “não deu liga” e por isso demitiu Roger. E que Dorival Junior é uma unanimidade.

Apesar da situação atual na tabela e as previsões pessimistas da torcida para o segundo semestre, o presidente tricolor disse que a palavra “rebaixamento” não faz parte de seu dicionário e que o time vai brigar por vaga para a Libertadores.

Outros pontos da entrevista

Arboleda e Alan Franco

Massis confirmou que o zagueiro pegou as malas numa sexta-feira, véspera do jogo contra o Equador, e desapareceu. Durante uma semana Rafinha e outras pessoas próximas a ele tentavam fazer contato mas ele não atendia o telefone. Arboleda teria sido orientado pelos seus agentes a retornar um dia antes da Justa Causa.

Sobre sua reintegração, Massis disse que o clube procurava um zagueiro e não conseguia contratar. Arboleda, que ganha um salário alto, treinando em separado. Massis então exigiu pedido de desculpas à torcida, ao elenco e à diretoria. Feito, foi reintegrado. Dorival deverá colocá-lo como capitão.

Massis confirmou que foi Alan Franco quem pediu para deixar o clube, por conta da dívida. E garantiu que Calleri não vai sair. A dívida está sendo negociada.

Cotia

Antes uma fábrica de craques, Cotia hoje destruída. O Harry Massis disse que ano passado foram vendidos sete jogadores oriundos da base por pura necessidade. Pedido para comparar São Paulo e Palmeiras, ele disse que lá podem se dar ao luxo de pedir o que quiserem, porque não estão desesperados atrás de dinheiro. No São Paulo, o desespero é grande, o que faz o preço cair. Mas garantiu que se fosse presidente à época, não teria vendido William Gomes por R$ 6 milhões de maneira alguma. E atribuiu à gestão anterior o caos que virou Cotia e garantiu que agora está sob nova administração.

Salários

O presidente lembrou que quando assumiu o clube em janeiro, os jogadores estavam com três meses de salários em atraso. Conseguiu fazer um acordo e parcelar. Nesse momento o atraso é de um mês. Ele justificou pelos 45 dias sem futebol, sem renda, sem entrada de dinheiro. Mas que até o fim do ano tudo estará acertado e em dia. Os atrasos maiores são de premiações, que também estão sendo negociados.

Live Nation

Com contrato renovado em 2025 até 2031 e 50% do valor recebido antecipadamente pelo então presidente Júlio Casares, Massis disse que não há o que fazer. O dinheiro não entra em sua gestão, o clube não tem controle sobre o Morumbi e nada pode ser feito, pois a multa pela rescisão do contrato é de R$ 210 milhões.

O presidente também alertou que a Mondelez não vai renovar o naming rights do estádio e que não há nenhuma empresa em vista nesse momento. De outro lado, a nova empresa de venda de ingressos que venceu a licitação está em vias de assinatura de contrato. O nome não foi divulgado por ele, mas já sabemos que é a Ticket Master e que há interesses de Marcelo Pupo por trás deste contrato.

Demissões

Massis não cogitou demissões de Sergio Pimenta, Armelin e Erica Duarte nesse momento. Ele disse que nesse período em que está a frente do clube, eles demonstraram bom desempenho profissional. Lembrou que Erica e Sergio, além da secretária Giseli, foram ao MP prestar depoimento, o que levou a descoberta dos cerca de R$ 100 mil mensais que Casares carregava para casa.

Sobre Rui Costa, Massis disse que acreditou no trabalho dele, mas chegou uma hora que sua permanência no clube se tornou inviável .

Política

Apesar de negar ser candidato à reeleição, Massis demonstrou vontade de continuar no cargo. O presidente disse que na próxima semana haverá uma reunião da coalização de sustentação de sua administração, composta pelo Vanguarda, Legiao, Sempre Tricolor, Somos São Paulo e Participação. Daí sairá o candidato à presidência pela situação.

Informações que recebi é que a chapa que se desenha é Massis para presidente, Adilson Alves para vice e Marcelo Pupo para presidência do Conselho Deliberativo.

Um momento tenso da entrevista foi quando eu perguntei a ele sobre a razão do São Paulo estar tentando parar a investigação sobre gestão temerária no Ministério Público. Massis negou com veemência, disse que eu estava mal informado, que o São Paulo se colocou como vítima no processo e ele mandou toda a documentação para o Ministério Público.

Porém eu tive acesso aos documentos e sei que por duas vezes o São Paulo pediu o fim das investigações. Talvez estejam fazendo coisas pelas costas do presidente e ele precisa acordar para o fato.

Massis também disse que não recebeu proposta concreta nenhuma da XP, assim como de Diego Fernandes. Esse último queria carta branca para negociar, o que ele se negou a dar.

 

Paulo Pontes

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