
Rafinha foi efetivado como executivo de futebol do São Paulo nesta quinta-feira. O ex-lateral ocupava o cargo de forma interina desde a demissão de Rui Costa, em junho, e passa a comandar definitivamente o departamento.
Aposentado dos gramados desde 2025, Rafinha estuda gestão esportiva em cursos oferecidos pela Federação Alemã de Futebol e pela Fifa. Apesar da mudança de cargo, não terá reajuste salarial e trabalhará ao lado de Felipe Carvalho, advogado do clube desde 2020, que passa a exercer a função de gerente jurídico esportivo.
O ex-jogador do Tricolor teve uma ascensão meteórica nos bastidores.
Anunciado como gerente esportivo em janeiro deste ano, chegou para substituir Muricy Ramalho em uma função voltada ao relacionamento entre atletas e diretoria. Poucos meses depois, assumiu a responsabilidade de conduzir o planejamento do São Paulo no mercado.
Em meio às dificuldades financeiras e ao cenário político de ano eleitoral, o clube enxergou em Rafinha uma solução interna para comandar o departamento de futebol. O ge apurou alguns bastidores da escolha e da estrutura montada para dar sustentação ao novo executivo.
Relação com o elenco
Internamente, a atuação de Rafinha é bem avaliada. O dirigente é elogiado pelo relacionamento no dia a dia com os atletas, considerado seu principal trunfo. A proximidade com o elenco tem facilitado a condução de temas sensíveis, como negociações envolvendo salários atrasados e outros impasses do cotidiano do clube.
A experiência construída durante a carreira na Europa também pesa a seu favor. Rafinha atuou por clubes como Bayern de Munique e Schalke 04, da Alemanha, e manteve contato com agentes e dirigentes de diversos países, o que é visto como uma vantagem nas negociações.
O dirigente participou diretamente das tratativas pelas contratações do zagueiro Domingos Duarte e do lateral-direito Aurélio Buta. Ambos são portugueses e estavam livres no mercado.
Ano eleitoral
As eleições presidenciais do São Paulo estão marcadas para dezembro, e o atual presidente, Harry Massis, ainda não definiu se disputará a reeleição.
A indefinição política e a dificuldade de oferecer um projeto de longo prazo reduziram as possibilidades do clube na busca por um executivo de futebol no mercado.
Ao mesmo tempo, a diretoria não quis entregar o comando do departamento a um dirigente estatutário. Diante desse cenário, optou por fortalecer uma estrutura formada por profissionais que já trabalhavam no clube.
Parceria
Rafinha divide o comando do departamento com Felipe Carvalho. Enquanto o ex-jogador fica concentrado na interlocução com atletas, agentes e dirigentes, além das questões esportivas, o advogado cuida da parte burocrática das negociações, especialmente na elaboração e estruturação dos contratos.
Felipe Carvalho tem papel importante na definição de metas, gatilhos financeiros e mecanismos jurídicos dos acordos. O conhecimento acumulado sobre o funcionamento interno do São Paulo também é visto como um diferencial para dar suporte ao trabalho de Rafinha, inclusive em temas ligados à política do clube.