Luis Fabiano: ‘Acho que vai ser difícil outro fazer o que eu venho fazendo’

Luis Fabiano é um dos únicos jogadores do elenco do São Paulo que conhecem o peso de representar o clube, tricampeão, em uma Libertadores. No ano passado, entre lesões e suspensões, brigou pela artilharia do Brasileirão, e foi um dos maiores responsáveis pelo retorno tricolor ao torneio sul-americano. Nesta quinta-feira, ele e outros dez entram em campo no Morumbi, às 21h30, contra o The Strongest (BOL), pelo Grupo 3 da competição.

Antes da partida, ele atendeu a reportagem do LANCE!Net no CT da Barra Funda. Aos 32, nove anos depois de disputar a Libertadores pelo clube, em 2004, ele diz sorridente que a idade pesa, mas crê que a experiência o favorece. Agora líder do elenco, vê sua história consolidada no São Paulo, e não acha que é o título que vai elevá-lo a outro patamar com a torcida, mas tem motivação especial para erguer o troféu do tetra.

L!Net: Para você, que hoje é um dos mais experientes do elenco e conhece bem o clube, como é disputar a Libertadores? Tenta passar a importância aos mais jovens?
Luis Fabiano: Eu disputei uma, em 2004, e vi como a torcida gosta desse tipo de competição, como é importante para o clube. Sei da responsabilidade que é jogar uma Libertadores com a camisa do São Paulo, e tenho tentado, junto com o Rogério, mostrar a importância que isso tem. É bom saber o tamanho da importância do jogo. Nesse jogo você não pode entrar a 10, 50 por hora. É 100 por hora, ou vai ter vacilo. Então, amigo, é bom saber, porque o jogo é importantíssimo.

L!: Em 2004, você foi artilheiro da Libertadores, com oito gols. De lá para cá, qual a diferença? Em que você mudou nesses anos?
LF: Cara, é a idade (risos). O que muda mesmo é a idade, que pesa bastante. Na ocasião, tinha 23 anos e hoje tenho 32. Por outro lado, a experiência que me trouxe jogar na Europa, Seleção, ter jogado com vários grandes jogadores… Isso me traz uma tranquilidade de saber que dentro de campo as coisas podem se resolver. É lógico que temperamento você não muda da noite para o dia, e também não vai mudar. Mas eu vivi grandes coisas nesses nove anos, viu. Grandes momentos, momentos tristes. Você passa a ter uma certa experiência, tranquilidade, para esse tipo de jogo, coisa que com 23 anos eu não tinha. A pressão que existia naquela Libertadores era muito grande, era o retorno, dez anos depois, e o São Paulo não vinha ganhando nada. Não sabia lidar com aquilo. Hoje já sei lidar pela experiência.

L!: Acha que você ainda precisa de um grande título para se cravar como ídolo do São Paulo?
LF: Eu não acho que preciso de um grande título para cravar nada aqui. Pela minha história, seria bonito ganhar um grande título, porque eu já fiz muito pelo São Paulo. Em número de gols, acho que vai ser difícil aparecer outro e fazer tudo que eu venho fazendo, por que é muito difícil jogar num clube como o São Paulo, e fazer gol também não é fácil. Não acho que para me tornar como o Rogério eu precise ganhar um título. Eu gostaria, sim, de ganhar o máximo possível nesses dois anos para sair feliz, tranquilo, com uma história bonita. Mas se eu ficar pensando que tenho que ganhar, ganhar e ganhar, não ganho. É jogo por jogo. Sozinho não posso fazer nada. Eu posso ajudar muito, mas se não tiver um grande time, grande elenco, clube com tudo funcionando, não ganha Libertadores, não ganha Brasileiro. E é assim que as coisas vão acontecer.

L!: Pela expulsão no primeiro jogo da final da Sul-Americana, por não poder ter comemorado em campo aquele título, dá mais vontade de conquistar essa Libertadores?
LF: Dá… não pude jogar. Dá mais vontade de chegar de novo, viver de novo, ver o Morumbi da mesma maneira que estava na ocasião. Dá também arrependimento, de ter feito naquele momento, de ter ido defender um companheiro, em uma briga que não era minha. Mas quando estou com grupo, estou com o grupo. Ainda mais o Lucas, que era meu companheiro de quarto, meu grande amigo, gostava daquele menino como se fosse irmão. Menino que eu escutava muito. E desde quando voltei vi que ele não ficaria muito aqui, porque ele queria saber muito de Europa, perguntava como era, onde poderia jogar. Pensava: “primeira proposta não vai ter jeito” (risos). E entendo, o jogador tem que crescer. Mas me dá arrependimento, de ter feito aquela besteira, e acho que foi a pior de todas.

L!: Sabendo que vai lidar com situações iguais nessa Libertadores, você se policia para não repetir?
LF: Não, aí que está. Você aprende com o erro. Errei naquela vez, com certeza não vou errar de novo. Numa final, não. Posso ser expulso. Posso, posso ser expulso por falta. Mas fazer aquilo de novo, não. Porque você aprende. Quando dói que você aprende, e aquela doeu muito.

L!: Você é o sexto maior artilheiro da história do São Paulo, segundo maior do Morumbi, está a um gol do Rogério na artilharia histórica da Libertadores. Liga para isso?
LF: Não ligo, cara. Essas coisas eu não ligo muito. E lógico que quando você bate um recorde ou supera um na artilharia, você fica feliz, mas eu não entro em campo pensando “se eu fizer um, vou passar tal”, “se fizer hoje, vou igualar o Rogério”. Não ligo para esse tipo de coisa. O que me preocupa hoje é ganhar título. Fui artilheiro de vários campeonatos, tenho vários troféus em casa, mas hoje estou no São Paulo por outro objetivo.

L!: Seu contrato vai até março de 2015. Este é, provavelmente, o último ano de Rogério Ceni. Perde muito? O ano para ganhar é esse?
LF: Perde, pela história do Rogério. É um cara que viveu a vida toda no São Paulo. É inevitável sentir isso, todos vão sentir, dentro e fora do clube. Vai perder muito, mas a vida continua, cara. O clube não para. Vai entrar outro e vai jogar, e vai tentar chegar perto do que ele foi. Amanhã vou sair também e vai vir outro e vai fazer gol. A gente vai lamentar muito, mas não vai ficar vivendo de passado. Lucas saiu e a gente já está lutando por Libertadores, Paulista, e isso e aquilo, e não parou. E assim vai, não dá tempo.
Fonte: Lance

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