Livre em janeiro, Gomes diz: “seria impossível recusar São Paulo”

A longa temporada amargando a reserva do Tottenham Hotspur, da Inglaterra, foi o bastante para fazer com que o goleiro Gomes tomasse a difícil decisão que, mais cedo ou mais tarde, afronta os jogadores brasileiros que vão para a Europa. Depois de fazer sucesso, atuar ao lado dos melhores e ganhar cifras impensáveis para qualquer cidade comum, chega a hora de voltar para casa.

“Dois anos atrás – quando eu estava jogando – eu falaria que era impossível. Mas, hoje é uma possibilidade grande, dependendo, é claro, do clube no Brasil”, destaca o arqueiro. O silêncio da região afastada do centro de Londres onde Gomes mora com a esposa e os dois filhos, assim como a sofisticação das residências e dos automóveis ao redor, refletem em irônica harmonia a carreira do jogador nas duas últimas temporadas.

Pessoalmente, o ex-ídolo do Cruzeiro vive uma situação confortável, tem um excelente contrato com um grande clube da Premier League e desfruta de toda a segurança e cultura que a Grã-Bretanha tem para oferecer. Falta “apenas” o básico na carreira de qualquer jogador: entrar em campo.

“O que eu mais procuro agora é uma oportunidade para jogar de novo. Depois de quatro anos maravilhosos na Holanda, foram três anos aqui em alto nível. A partir disso, as coisas não andaram como a gente esperava”, afirma em entrevista ao Terra. “Tive a oportunidade de ir para a Alemanha, mas agora o que eu busco é a chance de jogar de novo, porque me sinto muito bem”.

Depois de deixar o Cruzeiro em 2004, onde fez parte do inesquecível time que conquistou a tríplice coroa no ano anterior e ainda estabeleceu o recorde absoluto de pontuação no Campeonato Brasileiro da era dos pontos corridos, Gomes foi para o PSV da Holanda.

Ao chegar em Eindhoven, ouviu que lugar de brasileiro é no ataque, e não no gol. Na mesma temporada, ajudou o time a chegar na semifinal da Liga dos Campeões mostrando que a conclusão estava equivocada.

No Tottenham, o começo foi conturbado. Mas não demorou para Gomes se firmar como titular. Até que a chegada do treinador Harry Redknapp e a contratação do goleiro Brad Friedel fossem aos poucos minando as oportunidades de ser escalado.

Agora, o jogador já não esconde que pretende ir embora de vez. E de preferência para perto da família. “Equipe ambiciosa. Que está acostumada a chegar. Que me dê boas condições de trabalho. Esses são os times que me interessam. Tenho uma identificação muito grande com o Cruzeiro, mas agora seria praticamente impossível alguém tomar o lugar do Fábio. Ele está fazendo a história dele. Apesar de ainda não ter conseguido um título importante, já está caminhando para isso”.

Ao que tudo indica, a meta de um dos times mais vencedores da América do Sul estará disponível em 2014. E Gomes reconhece que monitora a possibilidade de perto. “Com certeza, um time do nível do São Paulo me interessaria muito. E o que eu quero é jogar em alto nível, em equipes que têm objetivo de ganhar e que vão competir lá em cima. Certamente, é uma possibilidade, dependendo do que for acontecer com o Rogério Ceni”, destaca ao falar sobre a possibilidade do ídolo são-paulino se aposentar no final do ano.

A predileção pelo time paulista fica escancarada quando Gomes diz que “seria impossível dizer não (a um convite do São Paulo). Mas ainda não teve nenhum contato. As coisas estão andando e faltam três meses para a janela de janeiro.”

Em julho passado, o Vasco da Gama tentou contratar o arqueiro para acabar com o vácuo criado após a saída de Fernando Prass. Embora a negociação tenha avançado, o Tottenham acabou bloqueando o negócio por exigir uma compensação financeira para liberar o jogador faltando um ano para o término de contrato.

O mineiro de João Pinheiro estará livre para assinar um pré-acordo na virada do ano. E diz ter um acerto com o presidente do clube, Daniel Levy, para ser liberado com seis meses de antecedência. Falta, no entanto, adequar o salário de padrão inglês à realidade do Campeonato Brasileiro.

“Não adianta ‘meter a mão’ porque os clubes não conseguem pagar como os europeus. Eu sei disso. E assim que os dias da sua carreira vão diminuindo, você também tem que aceitar uma redução salarial importante. Isso não será um problema para voltar ao Brasil”, garante o goleiro de 32 anos, que aposta ter ao menos mais quatro temporadas de atuações em alto nível.

A experiência pode ser um fator determinante para ocupar o eventual espaço deixado por um ídolo da estatura de Rogério Ceni. Gomes se empolga com o desafio, mas reconhece que não seria tarefa fácil.

“Qualquer jogador que for substituir o Rogério terá dificuldade. Independente da experiência. No meu caso, já passei por isso quando substituí o Dida no Cruzeiro. Claro que um goleiro experiente saberá lidar melhor com a situação. Isso, no entanto, não significa que terá mais facilidade que um goleiro jovem”, pondera.

No São Paulo, no Vasco, ou em qualquer um dos quatro times brasileiros que o agente do jogador afirma já ter iniciado “conversas interessantes”, Gomes quer apenas voltar a ser titular. Se estivesse nessa condição, teria chances reais de fazer parte da “família Scolari”, pelo menos em seu entendimento.

“Eu me sinto decepcionado por não estar jogando. É claro que é muito difícil para mim estar lá (na Seleção) novamente, mesmo que eu volte a jogar em janeiro. Mas é frustrante por saber que eu teria condições de estar lá, se estivesse jogando”.

Em 2010, Dunga surpreendeu ao deixar de fora Victor, então goleiro do Grêmio, e convocar Gomes. Por isso, o jogador ainda guarda um fio de esperança. “Dessa vez vai ser um pouco mais complicado, mas a gente nunca sabe o que vai acontecer pela frente. Se o Felipão precisar de um goleiro experiente, estou aqui”.

 

Fonte: Terra – reportagem: Ulisses Neto – Foto: Getty Images

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