Leco responde Natel e diz que vai discutir “caso hacker” no CA

O presidente do São Paulo Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, confirmou em documento enviado ao vice-presidente Roberto Natel que o “caso hacker” será discutido no Conselho de Administração, em reunião no próximo dia 31.

Leco respondeu o requerimento feito por Natel, no qual ele pedia acesso aos documentos da investigação do clube. Um documento propositalmente adulterado enviado ao vice foi o mesmo vazado pelo chantageador de pseudônimo “Edward Lorenz”.

Outros diretores e membros do Conselho de Administração também receberam documentos propositalmente adulterados na ação feita pelo clube na busca pela origem dos vazamentos. O vice nega e cogita a hipótese da sua rede ter sido invadida.

Nesta quarta-feira, Leco enviou a Natel o documento abaixono qual diz que os procedimentos feitos pelo São Paulo no caso “Edward Lorenz” foram para apurar fatos, cita que foi feita uma perícia técnica e outras modalidades de verificação foram usadas.

Ainda no documento, Leco diz que a constatação do vazamento de documento interno do São Paulo de nome “versão final orçamento 2020” ocorreu no dia 5 de dezembro de 2019, quando tudo foi registrado em um tabelião de notas da capital paulista.

Presidente Leco responde requerimento do vice-presidente Roberto Natel, do São Paulo — Foto: GloboEsporte.com

Presidente Leco responde requerimento do vice-presidente Roberto Natel, do São Paulo — Foto: GloboEsporte.com

A situação envolvendo Roberto Natel deverá ser uma das principais discussões da reunião do Conselho de Administração. A perícia contratada pelo clube para cuidar do caso e a investigação interna também deverão ser temas da conversa. Presidente e vice são rachados há anos.

Conselho de Administração quer ouvir Roberto Natel, vice-presidente do São Paulo, sobre "caso hacker" — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Conselho de Administração quer ouvir Roberto Natel, vice-presidente do São Paulo, sobre “caso hacker” — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Apuração interna

O São Paulo contratou uma perícia para verificar se a rede interna havia sido invadida ou não. Ao comprovar que isso não ocorreu, um documento do orçamento de 2020 foi usado como uma espécie de isca para buscar a fonte dos vazamentos.

Para isso, houve palavras adulteradas, com erros de acentuação e marcações específicas em diferentes versões desse mesmo documento. Passo a passo da operação foi registrada em cartório e enviada a dirigentes e conselheiros.

A versão enviada a Roberto Natel tinha propositalmente um erro na palavra “prêmio”, escrita sem acento da seguinte maneira: “Premios Camp. Paulista”, conforme mostra documento publicado pelo “UOL”. O e-mail enviado pelo hacker tinha o documento do orçamento de 2020 com esse mesmo erro de acentuação.

– Estão fabricando as coisas. Por que vou precisar passar algo a hacker? Se tiver de falar digo na frente do Leco, no Conselho. Tenho tranquilidade absoluta. De maneira alguma. Não sou disso. Nunca precisei disso. Vou contratar um advogado e ver para verificar, porque é uma acusação muito grave. Vai ter que mostrar como foi feito. Estou tranquilo. Fico contente porque estou incomodando os incompetentes –disse Roberto Natel.

Segundo o “UOL”, ao menos uma das imagens registradas na ata notarial mostra o e-mail adulterado propositalmente enviado pelo chantageador ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Presidente e vice estão rachados há anos. Nos e-mails enviados aos conselheiros, no fim de 2019, o suposto hacker ameaçava expor corrupção no clube (entenda abaixo).

– Tenho certeza que a minha rede pode ter sido invadida. Amigos meus particulares, esposa e filhos receberam nos e-mails deles coisas do hacker relacionados ao São Paulo. Só posso deduzir que alguém entrou no meu e-mail. Estão tentando me incriminar. O que estão querendo fazer: me expulsar. Não vão me calar. Não aceito o que está acontecendo com o clube. Estão querendo mexer com meu nome –afirmou o vice-presidente.

Procurado, o São Paulo informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

Conselheiros do São Paulo foram alvos de tentativa de extorsão — Foto: Marcos Ribolli

Conselheiros do São Paulo foram alvos de tentativa de extorsão — Foto: Marcos Ribolli

Entenda o “caso hacker”

Em novembro, o São Paulo sofreu uma tentativa de extorsão. Conselheiros receberam três e-mails exigindo o pagamento de R$ 1 milhão. Caso contrário, o autor das mensagens, que se identificou como “Edward Lorenz”, ameaçava divulgar arquivos confidenciais.

Nas mensagens, todas elas com “Bastidores do Poder” como assunto, a pessoa que se identifica como “Edward Lorenz” – o nome do meteorologista que criou a tese do “Efeito Borboleta” na Teoria do Caos, morto em 2008 – ameaçava expor diretoria, conselheiros, atletas e até ex-atletas do São Paulo. Ele colocava prazo para pagamento e repetiu a ação mais de uma vez.

Durante o processo, o São Paulo enviou um e-mail para os conselheiros do clube explicando que as mensagens eram uma “nova tentativa de fraude e extorsão”.

Mas por que nova tentativa?

Porque em 2017 uma pessoa identificada com o mesmo pseudônimo enviou mensagens para o clube na tentativa de extorquir dinheiro com a mesma motivação: não divulgar documentos confidenciais. Na ocasião, inclusive, foi aberto um inquérito policial que segue em curso, em segredo de justiça.

O caso está na 4ª DIG, Delegacia de Polícia de Investigações sobre Fraudes Patrimoniais Praticadas por Meios Eletrônicos. O São Paulo deve, agora, informar à Polícia Civil mais essa tentativa de extorsão.

Ameaça a Leco

Esse e-mail enviado pelo São Paulo aos conselheiros, colocando o departamento jurídico do clube à disposição, foi respondido por “Edward Lorenz” no mesmo dia.

Nesse novo contato, ele ameaçava o presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, dizendo que iria começar a vazar supostos documentos que mostrariam uma suposta corrupção do dirigente.

Na mensagem aos conselheiros, o São Paulo reitera que esse movimento não passa de uma “nova tentativa infrutífera de fraude e extorsão” e que “os e-mails e os respectivos documentos apenas reiteram inveracidades e ameaças anteriormente feitas”.

Além disso, o São Paulo dizia que dava o “devido tratamento jurídico e técnico à questão”, informava que a divulgação indevida de documentos pode atrapalhar a investigação policial e pedia para que novos e-mails semelhantes fossem encaminhados ao departamento jurídico.

Na época, nós tivemos acesso a documentos anexados no e-mail aos conselheiros. Tratavam-se de contratos e troca de mensagens já revelados em outras oportunidades, como, por exemplo, e-mails enviados pelo antigo vice Ataíde Gil Gueirreiro ao ex-presidente Carlos Miguel Aidar quando ambos se desentenderam, entre outros.

Fonte: Globo Esporte

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