Danilo lembra brilho contra o River e receita tranquilidade ao São Paulo

Danilo foi o principal nome dos mais importantes duelos entre São Paulo e River Plate em Copas Libertadores. Ele marcou um gol em cada jogo da semifinal de 2005 e colocou o Tricolor na rota do tricampeonato – as equipes também se enfrentaram em 2016, na fase de grupos, com um empate e uma vitória brasileira. Agora aos 41 anos e aposentado desde que deixou o Vila Nova, há pouco mais de um ano, o ex-meia receita tranquilidade para os comandados de Fernando Diniz se darem bem no duelo que começa às 19h desta quinta, no Morumbi.

– É o meu jeito, sou tranquilo e levava isso para dentro de campo. Na minha vida sou assim também, bem tranquilo, procuro resolver as coisas na boa. E no futebol, quando você está tranquilo dentro do campo, a tendência é acertar o passe, escolher a melhor jogada. Essas coisas fazem diferença. E outra coisa é saber que a oportunidade aparece para você do nada ali. Às vezes você vai para a bola e escolhe errado por causa de alguma coisa, então acho que a tranquilidade nessas horas decisivas faz diferença – disse ele, que ganhou até um apelido pelo jeito sereno.

– Eles me chamavam de Manso, porque eu era bem tranquilo. Falei esses dias com o Lugano e ele citou isso aí. A gente chegando lá para jogar, os caras quebrando o ônibus, atirando pedra, e eu tranquilo, de boa, tudo certo. Não esquento com muita coisa, não – sorriu.

Danilo abriu o placar tanto na vitória por 2 a 0 no Morumbi quanto no triunfo por 3 a 2 no Monumental de Núñez. No primeiro jogo, acertou um tiro de fora da área já no segundo tempo, quando o jogo parecia caminhar para um empate que satisfazia bastante os argentinos. Na volta, marcou de cabeça aos 11 minutos da etapa inicial, esfriando qualquer pressão que o River pudesse exercer em busca da remontada.

– Foram dois grandes jogos em 2005, o River era muito bom. Eles tinham um time excelente individualmente e a camisa pesa, né? Ainda mais porque a decisão ia ser lá. A gente sabia que tinha que fazer o resultado em casa, fazer um grande jogo, não tomar gol. Esse era o nosso pensamento. Fizemos 2 a 0 aqui e foi importantíssimo. Lá, logo no início fiz um gol de cabeça e aí eles teriam que fazer quatro gols. Foram muito especiais esses dois jogos – conta Danilo, que lamenta a ausência da torcida nesta noite.

– Eu acho que a torcida faz total diferença, principalmente nos times maiores. No São Paulo, por exemplo, a torcida ama a Libertadores, todo jogo de Libertadores dá 50 mil pessoas, são apaixonados mesmo, todos os jogos são lotados. É uma competição que os torcedores gostam muito de acompanhar. Eu tive a oportunidade de jogar sem torcida pelo Corinthians, na época em que morreu aquele menino (Kevin Espada). É estranho porque fica meio que no ritmo de treinamento, não é legal, mas neste momento vai ter que ser assim.

O ex-camisa 10 é o segundo atleta que mais defendeu o São Paulo em Copas Libertadores, com 40 jogos ao longo das edições de 2004, 2005 e 2006 – foram sete gols e seis assistências no período. Só Rogério Ceni atuou mais: 90 vezes.

Curiosamente, ele também é o segundo que mais defendeu o rival Corinthians no torneio, com 43 jogos contra 44 de Ralf. Pelo clube alvinegro, anotou cinco gols, deu quatro assistências e também conquistou um título, em 2012. Isso faz com que alguns são-paulinos ignorem os bons serviços prestados no Morumbi e torçam o nariz para ele, mas Danilo garante: nutre carinho pelos dois.

– Tenho um carinho muito grande pelos dois clubes, fui campeão no São Paulo e no Corinthians, é difícil aparecer outro jogador que vai conseguir conquistar o que conquistei nos dois rivais. Eu nunca desrespeitei nenhum dos dois e tenho um carinho muito grande, fui muito feliz nos dois clubes – assegurou o ex-armador, que defendeu o Corinthians nas edições de 2011 (eliminação para o Tolima), 2012, 2013, 2015, 2016 e 2018 (foi inscrito, mas não jogou).

Danilo diz que se desligou completamente do futebol após a aposentadoria, quase que um “detox” após 20 anos de profissão. Agora, porém, planeja ser treinador e admite que ficou com saudade da Libertadores no período de paralisação.

– Eu já estou há um ano e pouco parado do futebol, procurei me desligar mesmo, fazer outras coisas. Foram 20 anos direto, é uma correria muito grande, você acaba não tendo tempo para nada. Dei uma relaxada mesmo, mas agora me cadastrei para fazer o curso da CBF em outubro e estou com o pensamento de ano que vem iniciar a carreira como treinador.

– A saudade é grande demais. Eu fui um jogador que disputou muitas Libertadores, consegui ser campeão duas vezes. É um campeonato diferente, fiquei louco para os jogos voltarem. Eu não jogo mais, mas pelo menos posso assistir. A saudade é muito grande.

Danilo diz que está na torcida para que um clube brasileiro conquiste a taça:

– Em Libertadores, tem que ter uma constância muito grande, saber jogar dentro e fora de casa. E a primeira preocupação é classificar na primeira fase. Às vezes você sofre para passar na primeira fase e depois encorpa e é campeão. No mata-mata, quem estiver melhor vai vencer. Os times brasileiros são muito fortes, temos o Flamengo, o Palmeiras… O São Paulo tem tradição, a gente sabe que a camisa pesa, os times vêm jogar e sabem disso. Esperamos que um time brasileiro possa ganhar.

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