Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, nada no São Paulo é sem emoção. Mas o pior é que a emoção tem o viés de ridículo e grotesco, como foi a noite desta quinta-feira, onde 50 mil pessoas presentes ao estádio e outras milhões assistindo pela TV ou ouvindo pelo rádio.
Não há explicação plausível para um time como o São Paulo, no Morumbi pulsando, entrar com resultado favorável de 2 a 0, conquistado no jogo de ida, marcar um gol, fazer 3 a 0 no acumulado e conseguir a “proeza” de tomar a virada, perder por 3 a 1 e ter que decidir a classificação nos pênaltis. E tudo isso contra um time da série B do Brasileiro.
O torcedor tem todo o direito do mundo de achar, antes do jogo, que o time já está classificado e que será impossível um revés. Aos jogadores cabe o direito de jogar, como se tivesse que vencer a partida. Concordo que não precisa haver um esforço sobrenatural, mas também não admito o desprezo pelo jogo. E foi o que aconteceu.
O São Paulo, nitidamente, entrou no jogo em ritmo de treino. O Sport, ao contrário, marcou a saída de bola do Tricolor desde o primeiro minuto. Fez o que deveria fazer, pois precisava da vitória. De repente surge o gol – um golaço – de Michel Araújo, e o que parecia ser ritmo de treino se efetiva como realidade.
Mas o Sport continuou atacando, atacando, marcando nossa saída de bola. Pablo Maia, acredito que foi levado pelos elogios, sentia-se um Chicão, um Josué, quando ele é só Pablo Maia. A ausência de Arboleda mais uma vez foi muito sentida. Diego Costa continua sem condição de jogar e Beraldo acaba sendo levado para a ruindade extrema. Como Rafinha estava muito abaixo do que pode jogar, nossa defesa virou presa fácil para as bolas aérea pernambucanas.
E tomamos o empate, no apagar das luzes do primeiro tempo. E tomamos a virada, na abertura das cortinas do segundo tempo. Dorival começou a mudar. Colocou Arboleda, Wellington Rato, Marcos Paulo. Mas o ritmo de treino penetrou no corpo dos jogadores e eles não conseguiram acordar e voltar para o jogo. Aliás, voltar para um jogo para onde não vieram em momento algum.
E veio o que ninguém acreditava, mas pelo transcorrer do jogo já esperava: o terceiro gol pernambucano, também no apagar das luzes. Um vexame.
A decisão acabou indo para os pênaltis. Marcamos os cinco gols. Rafael saiu como herói defendendo um. E estamos classificados. De forma injusta por tudo o que aconteceu. Acabou-se a invencibilidade de Dorival Jr. Só espero que a noite de quinta-feira sirva apenas como choque de realidade, não como virada de chave para nossa sequência no Brasileiro.