Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, a reunião do Conselho Deliberativo desta segunda-feira foi uma das mais tensas dos últimos anos. Em determinado momento, dois conselheiros por muito pouco não chegaram à agressão física. Os opositores fizeram as cobranças que o Tricolornaweb sugeriu ontem em editorial, mas nas respostas encontraram contradições e até o baton na cueca.
O primeiro constrangimento de Carlos Miguel Aidar foi causado por Abílio Diniz. Ele afirmou que o caso Maidana é baton na cueca, sugeriu a criação de uma comissão para acompanhar o trabalho da empresa de auditoria e se comprometeu a pagar por esse trabalho e disse que Aidar estava manchando no nome do São Paulo, pois ele queria uma empresa de consultoria, não de auditoria.
A comissão foi criada com nomes ligados a todas as correntes (Marcos Francisco, Mário Quezada, Onofre Boccuzzi, Jose Innocencio, Rodrigo Gaspar e João Alves Veiga) , o que nos faz acreditar que a auditoria será muito bem fiscalizada. Afinal, membros ligados a Aidar querem auditar os contratos feitos por Juvenal Juvêncio; os ligados a JJ querem auditar as contas de agora; e os da oposição querem que tudo seja auditado. Portanto, o resultado poderá ser muito bom.
O caso Jack e a Far East foi mais uma vez cobrado. E ontem, ao contrário da última reunião, de forma incisiva e direta. O vice-presidente de Marketing foi instado a dar explicações. Os conselheiros Roberto Natel, Edson Lapolla e Denis Ormrod cobraram com veemeência, o que acabou desestabilizando Douglas Shwartzman. Nesse momento quase ocorreram agressões. No entanto Douglas, mais uma vez, saiu sem dar uma explicação conclusiva.
O ponto alto desta discussão foi quando Denis Ormrod perguntou quando e onde o Jack Banafsheha assinou o contrato: se foi no Brasil nos Estados Unidos, na China. Einfim, em que lugar? Num primeiro momento nenhum membro da diretoria soube responder, quando então apareceu o diretor jurídico, Leonardo Serafim dos Anjos, muito insseguro, disse que foi no Brasil. Então o conselheiro Denis perguntou quando…eles não souberam responder. E o silêncio é uma resposta mais do que conclusiva.
O caso Maidana, enfim, é a grande ponta do iceberg. O vice-presidente de futebol, Ataide Gil Guerreiro, ficou bastante irritado com as acusações feitas por Abilio Diniz, e no fim acabou dizendo que toda a negociação foi conduzida por Carlos Miguel Aidar.
O presidente, último a falar na reunião, bastante abalado e constrangido com tantas acusações, não conseguiu explicar absolutamente nada. E ainda viu uma “moção de desconfiança” com 62 assinaturas ser apresentada contra ele. A moção só não foi votada por falta de quorum e só será aprovado com os votos de 75% dos conselheiros (180 votos), o mesmo número necessário para aprovação do impeachment. Isso significa que deverá ser levada a votação na próxima reunião e até lá, outros conselheiros poderão assinar a Moção. O Tricolornaweb vai divulgar os nomes de todos que assinaram.
O resumo da ópera é o seguinte: O ambiente político do São Paulo está destruído, graças a uma administração tortuosa de Carlos Miguel Aidar. Hoje ele tem maioria no Conselho mas não consegue aprovar mais nada. O caso Iago Maidana está na CBF. Se a entidade maior do futebol brasileiro condenar o São Paulo por esta contratação, a situação de Carlos Miguel Aidar ficará completamente arruinada. Se ele não renunciar, o impeachment será inevitável. E este é, por enquanto, o único caminho que vejo como mais lógico para sua destituição do cargo.
Mas, convenhamos, alguns conselheiros cumpriram seu papel de representantes dos sócios e torcedores do São Paulo. Pior do que imaginar que a imagem do clube ficará desgastada com um impeachment é continuar acobertando negócios duvidosos e obscuros desta diretoria.