O São Paulo voltou do intervalo com a vitória nas mãos, mas deixou o Estádio Cícero de Souza Marques derrotado por 2 a 1 pelo Athletico-PR, nesta quarta-feira. Pela forma como controlou a primeira etapa, o Tricolor tinha motivos para acreditar em um retorno positivo ao Campeonato Brasileiro. Bastaram, porém, seis minutos no início do segundo tempo para tudo desmoronar.
O time “apagou”, como definiu o próprio técnico Dorival Júnior, sofreu dois gols de Leozinho e transformou uma atuação convincente em mais um tropeço na competição.
Se havia expectativa para saber como o São Paulo voltaria após a pausa para a Copa do Mundo, os primeiros 45 minutos deixaram uma impressão positiva. A equipe dominou a posse de bola, circulou com qualidade, ocupou bem os espaços e praticamente não permitiu que o Athletico-PR ameaçasse o gol.
Marcos Antônio foi o responsável por ditar o ritmo no meio-campo e Artur voltou a ser decisivo ao marcar um belo gol de falta. Mesmo com a saída precoce de Rafael Tolói por lesão, o Tricolor manteve a organização e chegou ao intervalo com a sensação de que o placar era justo.
Mais do que o resultado parcial, o desempenho mostrava uma equipe que assimilou as ideias trabalhadas durante a intertemporada. A saída de bola funcionava, a pressão pós-perda aparecia em diversos momentos e o Athletico-PR encontrava dificuldades para criar.
Porém houve um intervalo, onde os técnicos conversam com seus jogadores para mudar algo ou manter como está. E o cenário mudou completamente.
Antes mesmo do relógio marcar um minuto, Leozinho já havia acertado a trave e, na sequência da jogada, empatado a partida. Cinco minutos depois, o atacante voltou a aparecer livre dentro da área para marcar o segundo gol e decretar a virada.
Foram seis minutos suficientes para apagar praticamente tudo o que o São Paulo havia construído durante a etapa inicial.
Não foi apenas uma queda de rendimento. Houve desorganização defensiva, falta de concentração e dificuldades para reagir imediatamente ao primeiro golpe. O Athletico-PR, que pouco havia produzido até então, aproveitou cada espaço concedido e mudou completamente o roteiro da partida.
A situação se torna desesperadora. A ideia era que conquistássemos três pontos obrigatórios “em casa”, contra o Athletico-PR, para assim fecharmos o primeiro turno com 28 pontos e respirarmos aliviados, tendo 19 jogos pela frente para conquistarmos os tão sonhados 45.
Com a derrota ficamos provisoriamente na nona posição, mas podendo terminar 12º lugar, hoje a cinco pontos, mas podendo ficar a quatro pontos do Z4, já que alguns times tem um jogo a menos que o São Paulo, caso, também, do Mirassol, que pode sair do Z4 e deixar o Grêmio com 21 lá.
Aí lembro que a primeira pergunta feita ao presidente Massis na coletiva com a mídia alternativa foi sobre o risco de rebaixamento. Ele se irritou e disse que essa palavra não faz parte de seu dicionário e que vamos brigar por vaga na Libertadores.
Mas o futebol demonstrado nesta quarta-feira escancarou o atual momento do São Paulo, afinal, jogamos com o que temos de melhor, considerado o time titular. E o time foi patético, deprimente. A somatória de atrasos de salários, volta de Arboleda depois de ter feito o que fez, desmando e descrédito na diretoria, um executivo de futebol que é só ex-atleta, apontam para a escrita final da cartilha, que poderá ser catastrófica no final do ano.
Será a premiação dos cinco anos e meio de gestão Casares, que dilapidou o patrimônio do clube, com envelopinhos de R$ 100 mil reais para o presidente, R$ 20 mil para outro, R$ 10 mil para outro, enfim, fizeram a farra com um dinheiro que não existia e afundaram o clube ainda mais em dívidas. Nos deu mais um transfer ban. Nos colocou na vala dos comuns. Pior. Na vala dos afogados.
A Copa acabou. Para nós, são-paulinos, depressão voltou.
Não há mais praticamente nada a se fazer para evitar o rebaixamento. Só há uma única esperança: a quebra do contrato com a Live Nation, para termos o nosso velho estádio de volta e tentarmos com a força da torcida ganhar alguns jogos e evitar a tragédia, sim a torcida vai voltar a encher o estádio pra evitar a queda. O jogo de ontem não foi em casa, foi em campo neutro. Com um time tão fraco, sem receber, quando contrata trazem refugo e sem diretoria de futebol, a queda é certa pra segundona.
Então eu faço um apelo ao Paulo Pontes e seus amigos da Rádio. É certeza que as maracutaias nesse contrato são grandes, se bem expostas vai acarretar a inviabilidade e consequentemente quebra de contrato. É um pedido, um apelo pela última chance de evitarmos a tragédia futebolística, as demais já sofremos ou estão em curso.
Quanto ao jogo: não há o que falar, todos viram, apenas deveríamos ter enforcado o Rui Costa na Praça Roberto Gomes Pedrosa.
Tenho a impressão de que assisti a outro jogo.
Quantas chances de gol teve o SP no primeiro tempo quando, segundo o comentário, ele controlou o adversário e parecia ter assimilado treinamentos.
Que treinamentos foram esses que o time parecia um bando em campo, mesmo no primeiro tempo. O próprio gol são-paulino, veio por uma cobrança de falta e por um frangasso do goleiro Santos. Onde apareceu o trabalho do treinador se as linhas jogavam a quilometros uma das outras, sobrando espaços à vontade para que o Atlético usasse. Que ele não tivesse usado no primeiro tempo era por incapacidade de seus meio campistas e foi concertado por duas trocas e orientações no intervalo.
E o SP; o que teriam conversado no vestiário que pudesse trazer tanta porcaria pro segundo tempo? Mesmo com a posse na saída de bola, antes do primeiro minuto o Furadão tinha metido uma bola na trave e, em seguida, empatado.
Não são os jogadores: não é pelo atraso de parte de pagamentos que não são capazes de produzir mais; o que acontece é que roubaram tudo do SPFC. Desde suas finanças até seu orgulho e pertencimento.
Agora falta dinheiro e seriedade para contratar algum treinador estrangeiro que entenda de futebol.
Desculpem-me, mas treinador brasileiro com algum conhecimento para fazer um time jogar um futebol moderno, quase não existe.
Imaginem se ainda fosse o Roger o treinador, caso, depois de 40 dias para treinamentos, apresentasse o que o Dorival apresentou nesta quarta-feira tristonha!!!
O maior problema do São Paulo não é apenas quem ocupa a presidência. É o modelo de poder que se perpetua há décadas. O clube continua prisioneiro de uma estrutura arcaica, fechada, resistente à profissionalização e incapaz de responder às exigências do futebol moderno. Enquanto os grandes clubes adotam governança, planejamento, transparência e gestão técnica, o São Paulo insiste em um sistema ultrapassado, em que interesses políticos frequentemente se sobrepõem aos do futebol. Não basta trocar nomes. É preciso refundar o modelo de administração do clube. Modernizar sua estrutura, profissionalizar a gestão e romper com práticas que nos trouxeram a uma dívida gigantesca e a uma perda contínua de competitividade. Se tudo continuar exatamente como está, estaremos apenas adiando o inevitável. Pela primeira vez em sua história, o São Paulo pode conhecer o rebaixamento. Não por falta de tradição ou de torcida, mas porque nenhum gigante sobrevive indefinidamente quando insiste em administrar o presente pelas regras do passado. O São Paulo precisa de uma refundação administrativa. Sem isso, qualquer promessa de mudança será apenas mais um capítulo de uma crise que parece não ter fim.