O São Paulo consegui um resultado que pouquíssimos esperavam neste domingo contra o Flamengo, no Maracanã. Buscou um empate e conseguiu jogar de igual para igual com um dos dois melhores elencos do País. Se não deu na técnica, foi na raça. E há algum tempo temos alertado que se não houver cem por cento de concentração e muita doação, estaremos fadados a caminhar para a Série B.
Quando Dorival assumiu o São Paulo, tinha pleno conhecimento de que a fase dentro de campo não era boa e que fora, era pior ainda. Faltava sorte, apesar de haver empenho. Faltava técnica, mas sobrava raça. O vestiário estava rachado desde a saída de Crespo e os salários atrasados atrapalhavam ainda mais o desempenho do time.
Contra o Flamengo, o roteiro de azar parecia se repetir quando os cariocas marcaram um gol nos acréscimos do segundo tempo em lance de pura falta de sorte: um cruzamento em que a bola quase saiu, Lucas Ramon chega na recuperação para cortar, mas a bola bate na cabeça de De Arrascaeta e sobra para Samuel Lino marcar. Não havia um culpado, um erro cometido na jogada.
Foi então que a nova tecnologia do Brasileirão, o impedimento semiautomático, flagrou o pé de Wallance Yan em posição irregular no momento do primeiro passe da jogada. Uma “sorte” inédita para o clube no ano.
Mas se engana quem pensa que o resultado foi mera sorte do time de Dorival Júnior. Não foi.
A equipe são-paulina mostrou uma aplicação tática inquestionável para segurar o Flamengo no Maracanã. As tradicionais duas linhas de quatro de Dorival sem bola se mostraram afiadas para não dar paz aos cariocas durante o jogo todo.
O Tricolor não foi ao Maracanã com a ideia de dar a bola ao Flamengo e se defender atrás da linha. Pelo contrário. Terminou a partida com 49% de posse e marcando alto até os acréscimos do segundo tempo.
Ouso dizer que se o São Paulo saísse vencedor da partida não seria absurdo, não só pela equivalência no jogo, mas principalmente pelo sistema tático que funcionou e impediu o poderoso ataque carioca funcionar.
Arboleda e Ozório fizeram uma partida primorosa, anulando por completo Pedro e as entradas de outros pelo setor central da área, enquanto Lucas Ramon acabou com Bruno Henrique. Lá no ataque Calleri se desdobrava para ganhar – e ganhou – todas as quebradas de Rafael. E deu assistência para Wendel, grotescamente, chutar a bola quase fora do estádio. E fez o gol numa assistência perfeita de Ozório.
O empate não resolve a vida do São Paulo, longe disso. A equipe paulista segue sem vencer no Brasileirão há sete jogos: são três meses de jejum. Ainda assim, é um primeiro passo na direção certa. E mais um ponto somado.
Parabéns ao nosso Tricolor. Gostei de ver.