Votação que manteve Olten expõe divisões e antecipa disputa eleitoral

A permanência de Olten Ayres na presidência do Conselho Deliberativo do São Paulo continua gerando repercussão nos bastidores do clube.

A derrota do presidente Harry Massis na votação que rejeitou o afastamento cautelar de Olten expôs uma movimentação política que pode ter impacto direto na eleição presidencial do fim do ano.

Na terça-feira, 120 conselheiros reprovaram uma medida cautelar que poderia afastar Olten por 120 dias. A recomendação havia sido feita pela Comissão de Ética após denúncia apresentada por Massis, que acusa o presidente do Conselho Deliberativo de gestão temerária.

Olten é visto como um aliado do ex-presidente Julio Casares, que renunciou ao cargo em janeiro depois dos escândalos envolvendo a comercialização clandestina de ingressos para camarotes do Morumbis em dias de shows.

Desde que assumiu a presidência do São Paulo, Massis buscava o afastamento de Olten. Nos bastidores, havia a expectativa de aprovação da medida cautelar. O resultado, porém, representou uma derrota política para o dirigente.

Aliados de Massis atribuem a manutenção de Olten ao apoio de grupos que historicamente fizeram oposição a Casares e aos seus aliados. Um deles é o movimento Salve o Tricolor Paulista, que admitiu ter votado contra o afastamento.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o conselheiro Caio Forjaz afirmou que o grupo considerava frágil e passível de questionamentos na Justiça a tese jurídica utilizada para justificar o afastamento,

— O fato de o Salve o Tricolor Paulista ter votado pela continuidade de Olten não significa que tenhamos nos aliado a ele. Ocorre que a tese imposta, na nossa visão, juridicamente é fraca — afirmou.

No mesmo pronunciamento, Forjaz admitiu que o cenário político do clube também foi levado em consideração na decisão.

O Conselho Deliberativo é formado por 252 integrantes, sendo 100 conselheiros eleitos pelos sócios e 152 conselheiros vitalícios. Como a eleição presidencial ocorre de forma indireta e é definida pelo colegiado, a composição do órgão tem peso relevante na disputa pelo comando do clube.

Integrantes da oposição avaliam que Olten ainda mantém influência no Conselho e pode ter participação em discussões relacionadas à definição dos próximos conselheiros vitalícios.

A leitura é que um eventual afastamento poderia enfraquecer seu grupo político. Além disso, o vice-presidente do Conselho Deliberativo, João Farias, que assumiria o cargo em caso de afastamento, é visto como um aliado de Harry Massis.

Massis ainda não definiu se disputará a presidência do clube. Marcelo Marcucci Portugal Gouvêa, filho do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, apoiado pelo Salve o Tricolor Paulista, é um dos nomes cotados para a eleição. O pleito está previsto para ocorrer em dezembro.

— Estamos às vésperas de decidir o Conselho Vitalício, para dez novos membros do Conselho Vitalício, e isso pode ser primordial para ganharmos a eleição no fim do ano. Se ganharmos no fim do ano, seguiremos com a limpeza no São Paulo — disse Forjaz.

— A medida foi política e legal. Entendemos que isso era o melhor para o São Paulo. Entre morrer afogado e morrer queimado, entramos no mar para lutar contra a maré e seguir a nossa luta — completou o conselheiro.

No entanto, Olten ainda será alvo de uma votação que pode resultar em sua expulsão do quadro associativo. O caso segue em análise na Comissão de Ética e deve voltar à pauta do Conselho Deliberativo em julho.

Relembre o caso
O pedido de Harry Massis ocorreu por divergências com Olten Ayres envolvendo uma reforma estatutária no clube. Em 17 de dezembro, o então presidente Julio Casares apresentou uma proposta de alteração no estatuto para reduzir a exigência de quórum qualificado em decisões estruturais, como a transformação do clube em SAF, a constituição de empresa e a separação da gestão do futebol do clube social.

Olten Ayres encaminhou a proposta ao Conselho Consultivo e, após aprovação do órgão, enviou o texto para análise da Comissão Legislativa.

A comissão era composta pelos conselheiros Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, José Alberto Padin Iglesias e Wanderson Martins Rocha. O parecer foi emitido no dia 8 de abril de 2026 e foi contrário à proposta. Segundo o pedido protocolado por Harry Massis, essa decisão deveria encerrar a tramitação do projeto.

No entanto, em meio ao processo, no dia 30 de março, Olten Ayres instituiu uma Comissão de Reforma Estatutária para tratar de mudanças mais amplas no estatuto, com prazo até 15 de maio para apresentação de propostas.

Em contato com a reportagem do ge, o presidente do Conselho Deliberativo afirmou que havia prazo de 30 dias para manifestação da Comissão Legislativa e que, por isso, o parecer anterior foi desconsiderado.

A proposta em tramitação será analisada por uma nova Comissão Legislativa, com outros membros, formada em 10 de abril.

O documento protocolado por Harry Massis sustenta que a medida representa quebra do estatuto, por tratar do mesmo tema anteriormente rejeitado.

2 comentários em “Votação que manteve Olten expõe divisões e antecipa disputa eleitoral

    • Caro Waldir
      Sua opinião , a do Paulo e dos torcedores a respeito de minha posição na eleição de ontem me importa e muito , reprovei o pedido de afastamento não se deu por afinidade ao Olten , não foi por concordar com várias medidas que ele fez , não foi por motivos eleitoreiros pois sou vitalicio , não foi querer cargo pois não quero e não posso de jeito algum aceitar cargo .
      O meu sonho antes de morrer é tirar a gestão que acabou com o São Paulo . Tenho absoluta certeza que o Olten em novembro encerra suas atividades políticas no São Paulo ( minha opinião ) . O Olten não poderá após novembro causar mal ao São Paulo mas se Massis e seus aliados ganharem a próxima eleição será o fim do São Paulo , repito para ficar claro , será o nosso fim . O São Paulo não aguenta mais esta gestão nociva que está aí fazem uns 15 anos . Forjaz e Flávio Marques fizeram análises técnicas brilhantes mas eu não me apego a questão técnica eu me apego é que precisamos derrotar esta gestão, isto é primordial .
      A torcida nos ofende , nos rebaixa , insinuam que queremos benesses ou vantagens financeiras e isto me ofende de tal maneira que me desestabiliza . Eu querer benesses ? Vantagens financeiras , cargos?
      Fui diretor de atletismo , marketing , tênis , carteado , vice do DEA , diretor titular de obras onde em minha gestão fizemos a atual Sala de Troféus para o São Paulo e a Casa do Tênis a preço de custo com o projeto gratuito do arquiteto Walter Caprera . Fui atleta de atletismo e joguei muitos e muitos campeonatos de tênis pelo São Paulo . Nunca recebi dinheiro para gasolina e hospedagens para as diversas viagens pelo Brasil .
      E aí jogam meu nome na sarjeta ??? Será possível que dentro dos 120 conselheiros que reprovaram o afastamento do Olten são todos bandidos .
      Eu sei muito de seu ótimo caráter e do Paulo Pontes . O texto pode parecer auto propaganda e muito longo mas a opinião sobre meu caráter me importa e muito .
      Saopaulinamente,
      Giacomo

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