Técnicos do São Paulo acumulam atritos com atletas nos últimos três anos

A discussão entre o técnico Rogério Ceni e o meia Marcos Paulo, na última quarta-feira, não é o primeiro atrito entre treinador e atleta que se torna público no São Paulo nos últimos três anos.

Não é, nem mesmo, o primeiro caso envolvendo Ceni desde sua volta ao clube, em outubro de 2021.

Episódios como esse também estremeceram as gestões de Fernando Diniz e de Hernán Crespo, os dois antecessores de Ceni no comando da equipe.

Apesar desse histórico, os três são os treinadores que por mais jogos comandaram o São Paulo desde 2015, quando Muricy Ramalho dirigiu o time pela última vez – um período em que o banco tricolor se assemelhou a um campo minado.

Diniz treinou a equipe por 74 jogos e disputou o título do Brasileiro de 2020, enquanto Crespo, com 53 partidas, foi o único a levantar uma taça desde 2012 – o Paulista de 2021. Ceni já tem 102 jogos e está próximo de superar o número de Muricy (109) na última passagem.

Nos casos de Diniz e Crespo, os atritos com atletas coincidiram com períodos de queda brusca no desempenho da equipe, o que impactou nas decisões que levaram às suas demissões.

Ceni, apesar de ainda não ter conquistado títulos e dos problemas de relacionamento com alguns jogadores, mantém apoio da diretoria, que não pensa numa troca de comando neste momento.

Relembre outros episódios que se tornaram públicos:

O técnico Fernando Diniz não se incomodou com as dezenas de câmeras posicionadas durante a transmissão de uma partida. Em Bragança Paulista, onde o São Paulo foi atropelado pelo Red Bull Bragantino por 4 a 2 na reta final do Brasileiro de 2020 – o jogo foi em janeiro de 2021 por causa da pandemia de Covid –, Diniz se exaltou ao reclamar com o volante Tchê Tchê, a quem chamou, aos berros, de ingrato, “perninha” e “mascaradinho”.

Naquele momento, o São Paulo liderava o Brasileiro com sete pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Dali pra frente, o time acumulou mais cinco jogos sem vitórias até Diniz ser demitido, após derrota para o Atlético-GO. Com o interino Marcos Vizolli, a equipe não se recuperou e terminou o Brasileiro em quarto.

Crespo x Benítez e Orejuela
O argentino Hernán Crespo foi o escolhido para substituir Fernando Diniz no começo da temporada de 2021 – que teve início em março daquele ano. A diretoria determinou prioridade ao Paulista, Crespo venceu a taça e encerrou jejum de mais de oito anos sem títulos – o compatriota Martín Benítez foi escolhido o melhor jogador daquele torneio.

O meia, porém, com muitos problemas físicos, foi perdendo espaço no time, o que se acentuou no Brasileiro, de péssima campanha tricolor e risco de rebaixamento.

Com Crespo na corda bamba, Adrian Castellanos, empresário do jogador, deu entrevistas reclamando da falta de espaço para o meia – muito querido pela torcida – e disse que Benítez deixaria o São Paulo se não tivesse chances. No mesmo dia, 13 de outubro, Crespo foi demitido.

Algo semelhante tinha acontecido dias antes, mas com o agente de outro jogador, o lateral Orejuela. Vinicius Prates, ao ge, disse que a permanência do colombiano, uma das principais contratações daquela temporada, era “quase impossível” com Crespo.

O treinador foi demitido a 13 jogos do fim do Brasileiro, com o time na 13ª posição. O São Paulo, com Rogério Ceni no banco, ainda brigaria contra o rebaixamento até a penúltima rodada – terminou na mesma 13ª colocação.

Benítez deixou o São Paulo no fim da temporada, passou pelo Grêmio e hoje defende o América-MG. Orejuela foi emprestado a Grêmio e Athletico-PR no ano passado, e voltou esse ano ao Morumbi – tem atuado principalmente pela falta de opções no setor, que tem três jogadores lesionados.

Ceni x Patrick

O meia Patrick ficou incomodado ao ser substituído no intervalo do jogo contra o Fluminense em que o São Paulo foi derrotado por 3 a 1 no Brasileiro do ano passado, no Maracanã.

O jogador reclamou no vestiário, e Ceni o mandou deixar o local.

Ninguém do clube se manifestou até Ceni chegar ao Beira-Rio para o jogo seguinte, contra o Internacional – quando confirmou e minimizou a confusão. Patrick, que tinha sido titular nos 12 jogos antes, começou aquele no banco. E não jogaria mais no São Paulo: estava suspenso na rodada final do Brasileiro e, depois, se transferiu para o Atlético-MG.

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Ceni x Marcos Paulo
No caso mais recente, o treinador ficou incomodado com um post de Marcos Paulo, meia contratado neste ano e que fez apenas cinco jogos. O técnico entendeu a mensagem como uma crítica a ele e cobrou o atleta no treino de quarta-feira, em frente ao restante do elenco.

Os relatos são de que Ceni se exaltou e constrangeu outros jogadores, que se solidarizaram com o colega e reclamaram da postura do treinador à diretoria.

No dia seguinte, Marcos Paulo voltou a conversar com Ceni e a diretoria, negou a intenção de criticar o técnico e, desde então, treinou normalmente. Por enquanto, o São Paulo ou seus dirigentes ainda não se manifestaram sobre o episódio.

5 comentários em “Técnicos do São Paulo acumulam atritos com atletas nos últimos três anos

    • Não sei se eu confio no Cuca, ele não é mais o mesmo cara que nos treinou lá atrás nem o mesmo cara que teve sucesso no Atlético.

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