SP prioriza salários e não tem pressa para derrubar transfer ban

O São Paulo não tem pressa para derrubar o transfer ban da Fifa pela dívida com os agentes de Giuliano Galoppo, que completa uma semana nesta sexta-feira. A diretoria tricolor trata o tema com tranquilidade por entender que está dentro do prazo e conta com o adiantamento de R$ 30 milhões da Ticketmaster para quitar a pendência.

A cúpula tricolor prioriza, neste momento, os compromissos de curto prazo, como os salários em carteira do elenco e dos demais profissionais envolvidos no dia a dia do clube, segundo ouviu a reportagem.

Além disso, o São Paulo ainda deve três meses de direitos de imagem aos jogadores do time principal. A pendência era de quatro meses, mas uma das parcelas foi quitada pouco antes do clássico contra o Santos, na última sexta-feira, como forma de incentivo aos atletas.

O pagamento da parcela, inclusive, foi feito com uma antecipação de cerca de R$ 8 milhões recebido da Ticketmaster. O acordo foi aprovado pelo Conselho Deliberativo na última semana e assinado pelo presidente Harry Massis mais cedo na última sexta-feira.

A nova parceria com a Ticketmaster, agora responsável pela gestão de ingressos do Morumbi e do programa de sócio-torcedor tricolor, prevê uma antecipação de R$ 140 milhões aos cofres do São Paulo dentro de um prazo de 45 dias, sendo R$ 110 milhões pelo contrato em si e R$ 30 milhões, estes já recebidos, pela exploração de um camarote do estádio.

Prioridades
A diretoria utilizou uma fatia da verba para quitar uma das parcelas atrasadas dos direitos de imagem e vem fazendo o mesmo com o restante dos R$ 30 milhões para honrar os salários em carteira referentes ao mês de setembro. Com isso, o transfer ban não é tratado com grande preocupação internamente.

O São Paulo entende que está dentro do prazo para pagar a dívida. Conforme apurou a Gazeta Esportiva, o clube tem até o dia 1º de dezembro para efetuar o pagamento de 300 mil dólares (R$ 1,5 milhão na cotação atual) aos agentes de Galoppo, que ingressaram com a ação na Fifa.

Além disso, a janela de transferências do futebol brasileiro está fechada. Ou seja, o transfer ban, não impede, na prática, o registro de novos jogadores no atual momento. Há, ainda, o acordo com a Ticketmaster. A antecipação dos R$ 140 milhões previstos em contrato trazem ao clube um maior alívio no fluxo de caixa.

A diretoria executivo, portanto, se vê tranquila quanto ao prazo e crê que fará o pagamento sem maiores dificuldades. Até o dia 30 deste mês, porém, o Tricolor paulista tem de quitar honorários com a Fifa. O valor gira em torno de 10% da dívida que o clube tem com os agentes de Galoppo.

Galoppo foi contratado pelo São Paulo em julho de 2022, do Banfield-ARG, em uma operação que totalizou 6 milhões de dólares (R$ 32 milhões na cotação da época), mas nunca conseguiu se firmar. Ele marcou dez gols e distribuiu quatro assistências em 60 partidas pelo clube. Atualmente, defende o Atlanta United-EUA, emprestado pelo River Plate.

 

São Paulo pode perder pontos no Brasileiro?
A possibilidade de perder pontos no Campeonato Brasileiro existe. Segundo o ge, a decisão da Fifa prevê a dedução de até seis pontos caso o São Paulo não efetue o pagamento aos agentes de Galoppo em até 60 dias.

Um transfer ban não leva imediatamente à perda de pontos. Contudo, uma cláusula neste sentido constaria na decisão. Conforme detalhado pelo jornalista e advogado Andrei Kampff, o agravo na punição pode ter sido incluído, possivelmente, a pedido dos agentes de Galoppo.

“O transfer ban não provoca automaticamente a perda de pontos. O Código Disciplinar da Fifa prevê essa possibilidade em situações mais graves, como inadimplência persistente ou infrações reiteradas. No caso do São Paulo, segundo as informações divulgadas, a decisão já prevê a possibilidade de dedução de até seis pontos se a dívida não for quitada no prazo estabelecido. Os agentes podem ter solicitado essa medida, mas não é possível confirmar sem acesso ao processo. A decisão cabe à Fifa, e a CBF deve executar eventual determinação, respeitados os procedimentos aplicáveis”, argumentou Andrei Kampff, mestre em direito pela PUC-SP e pós-graduado em direito esportivo, em contato com a Gazeta Esportiva.

Caso a punição acontecesse neste momento, o São Paulo entraria na zona de rebaixamento. O Tricolor paulista ocupa a 11ª colocação, com 36 pontos, e ficaria com 30 pontos, mesma pontuação do Grêmio, que está na 18ª posição. O Inter, que soma 31 pontos, subiria para o 16º lugar.

“O Código Disciplinar da Fifa prevê que a insistência em descumprimento de decisão de algum dos órgãos da entidade ou do CAS [Corte Arbitral do Esporte], inclusive por falta de pagamento no prazo concedido, pode acarretar o rebaixamento para divisão inferior. Mas este risco, assim como a perda de pontos, depende de previsão expressa na decisão, com concessão de prazo para o cumprimento da pena”, acrescentou também o advogado Marcio Andraus, especialista em direito esportivo pela FDSBC, em entrevista à reportagem.

A recorrência do São Paulo pode ter sido levada em consideração no processo do pedido da possível perda de pontos, segundo explicado pelos profissionais. O clube tricolor já foi punido em 2026 com um transfer ban em agosto deste ano, pelo não pagamento da primeira parcela da compra do volante Marcos Antônio, junto à Lazio-ITA. O montante de 1,05 milhões de euros (R$ 6,2 milhões na época) foi quitado cerca de 15 dias depois.

“A [recorrência] Pode ser levada em consideração, mas não é uma regra impositiva. Depende da interpretação dos julgadores e de eventual apresentação de risco de nova inadimplência no caso específico”, detalhou Marcio Andraus.

“A reiteração de infrações pode justificar o agravamento da punição, mas isso não é automático. É necessário avaliar a natureza das dívidas, as decisões anteriores e a persistência do descumprimento. Defendo rigor nesses casos. O transfer ban não pode ser tratado como um simples custo de gestão. Clubes que reiteradamente deixam de cumprir suas obrigações comprometem a governança e a integridade econômica das competições”, adicionou Kampff.

A possibilidade de dedução de pontos do São Paulo também foi alvo de questionamentos por parte da torcida, sobretudo porque clubes como Corinthians (dois na Fifa e um na CBF), Santos (sofreu o segundo do ano na última quinta-feira) e Internacional (dois na Fifa) também tem punições ativas.

“Não é a quantidade de transfer bans que determina a perda de pontos. Cada processo tem suas particularidades. No caso do São Paulo, existe uma previsão específica de dedução de pontos pelo descumprimento da obrigação no prazo fixado. Isso não significa que o Corinthians esteja imune a uma punição semelhante. O fundamental é que a Fifa adote critérios transparentes, proporcionais e isonômicos. Clubes em situações equivalentes precisam receber tratamento equivalente, independentemente de seu tamanho ou importância econômica”, completou Andrei Kampff.

Fonte: Gazeta Esportiva

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