O 2026 do São Paulo tem tudo para ser mais quente nos bastidores do que dentro de campo. Em ano de eleições, o clube encara tensão política e virou caso de polícia enquanto aperta ainda mais as contas para tentar conter a crise financeira e ainda montar um elenco competitivo.
Os holofotes do clube estão em recentes escândalos. Um deles é envolve uso ilegal de um camarote no MorumBis, que fez Douglas Schwartzman e Mara Casares se licenciarem dos cargos na diretoria. Além disso, a Polícia Civil também investiga supostos desvios de até R$ 11 milhões dos cofres são-paulinos.
Todo esse cenário colaborou para a crescente dissidência política no clube. Perdendo apoio, o presidente Júlio Casares enfrenta um pedido de impeachment. Ele, contudo, ganhou respaldo do Conselho Consultivo, com parecer contrário ao afastamento. A votação será dia 14 no Conselho Deliberativo.
Para que o impeachment seja aprovado, é preciso de maioria qualificada de dois terços do Conselho (171 votos dos 255 possíveis). Isso iria impor um afastamento provisório do presidente.
Depois, em até 30 dias após a votação do Conselho, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples.
Se Julio Casares for destituído, ele é banido do clube e quem assume a presidência do São Paulo é o vice-presidente Harry Massis Junior até a eleição. No clube do Morumbi, a votação para presidente é indireta. São os conselheiros que elegem o novo mandatário.
Dois nomes aparecem como possíveis candidatos entre dissidentes de Casares. Um deles é Carlos Bemonte, ex-diretor de futebol que deixou o cargo próximo do fim da temporada. Parte do seu grupo, o Legião, apoia um impeachment do atual presidente.
Outro nome é o de Vinicius Pinotti. Ele já foi diretor-executivo do São Paulo e atuava como consultor da presidência, mas rompeu o laço após a divulgação de que a Polícia Civil investiga diretores por supostos desvios em vendas de atletas.
Hernán Crespo terá ainda mais trabalho para separar setores do São Paulo
Ainda em 2025, com polêmicas sobre o departamento médico são-paulino, o técnico Hernán Crespo tentou sempre separar os setores do clube, dizendo que diretoria, comissão técnica e DM atuavam separadamente.
Na temporada que se avizinha, o esforço para isso será ainda maior, já que cresce a tensão nos bastidores. “Acho que posso fazer parte da solução. O São Paulo precisa de uma mudança profunda. A ideia é continuar a planejar o futuro. Temos de confiar que a coisa vai acontecer. Faz parte da minha vida tentar ajudar. Mas se a diretoria achar que não posso ajudar, vou embora”, disse o argentino após a goleada de 6 a 0 para o Fluminense.
Mesmo com cautela nas falas, não foi a primeira vez que Crespo deixou escapar um incômodo com o clube. “Tentamos fazer o melhor possível e tentamos nos adaptar no que acontece no dia a dia. No São Paulo, acontecem muitas coisas durante o dia a dia. Ideia é fazer o melhor possível e depois falar em dezembro, ver o que se pode fazer no futuro. Tento programar aqui dia a dia, as surpresas aqui são constantes. Acontecem coisas inacreditáveis todos os dias”, disse.
Isso tudo sem grande perspectiva de melhora financeira, que já fez o São Paulo reduzir o elenco em 2025. Para este ano, a ideia é aliviar ainda mais a folha e tentar rejuvenescer o grupo. Na previsão orçamentária, o futebol é o setor que mais gasta, mas o único que teve redução do ano passado para cá (5%).
Com a saída de Luiz Gustavo e a iminente aposentadoria de Oscar, os custos com salários já reduzem. Também aliviam as contas as partidas de Dinenno e Rigoni.
Danielzinho, do Mirassol, foi o primeiro reforço anunciado. O clube também acertou com goleiro brasileiro naturalizado paraguaio Carlos Coronel. A ideia é que ele seja um reserva seguro para Rafael, o que faltou em 2025.
Os movimentos no mercado continuam com a estratégia de buscar atletas por empréstimo ou sem contrato, para evitar pagar pelas transferências. Outro formato para encontrar reforços são trocas de jogadores.
O São Paulo estreia na temporada dia 11, contra o Mirassol, fora de casa, pelo Campeonato Paulista. Já o primeiro jogo pelo Brasileirão será contra o Flamengo, no MorumBis.
Fonte: Estadão