
O São Paulo recebeu a recomendação de revisar todos os contratos assinados por Douglas Schwartzmann e Mara Casares, pivôs do escândalo de comercialização ilegal de camarote do Morumbis no show da Shakira. O ex-diretores admitem o esquema num áudio obtido com exclusividade pelo ge e publicado em dezembro.
Douglas, que até 2025 ocupou o cargo de diretor adjunto de futebol de base, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e então diretora feminina, cultural e de eventos do clube, estão afastados de suas funções no clube. Mara está também licenciada do Conselho Deliberativo.
No áudio em questão, os então diretores disseram que a utilização do camarote foi feita de maneira “não normal” e que “todo mundo ganhou” no episódio.
A orientação foi resultado da sindicância realizada por um escritório que apurou as irregularidades do caso da venda clandestina de camarote, que apontou que de fato havia irregularidades nos negócios. Além dos dois, os contratos que tiverem participação de Rita de Cassia Adriana Prado, intermediária, também passarão por revisão.
Segundo a sindicância, tanto Mara Casares como Douglas Schwartzmann devem receber a pena máxima prevista em regimento interno do clube na investigação da Comissão Disciplinar e de Ética.
Pelo artigo 10 da SEÇÃO IV, “praticar ato de gestão irregular ou temerária, na forma da legislação vigente, em especial, o disposto no art. 25 da Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015, ou naquele que vier a substituí-lo” tem pena prevista de “eliminação”. Ou seja, exclusão do quadro associativo.
O camarote que motivou a gravação e um processo judicial ao qual o ge teve acesso foi o 3A, no setor leste do estádio. Em documentos internos do clube, esse espaço consta como “sala presidência”. O local fica em frente ao escritório de Julio Casares e é utilizado para reuniões e até entrevistas.
Relembre o esquema
O direito ao uso do camarote, segundo o áudio, foi repassado pelos dirigentes a Rita de Cassia Adriana Prado, intermediária no esquema e a terceira pessoa que aparece na conversa. Era ela a responsável pela exploração do espaço e vendeu ingressos, que chegaram a custar até R$ 2,1 mil cada na apresentação da cantora colombiana. Apenas com o camarote 3A, o faturamento seria de R$ 132 mil.
Em outros momentos da ligação, Douglas Schwartzmann admite que Marcio Carlomagno estava ciente de tudo o que acontecia e se preocupa com o que pode acontecer com o superintendente.
– Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? O que vai acontecer: a Mara vai ter que se explicar. Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio.
– E o Marcio vai ser mandado embora, porque foi ele quem concedeu o camarote para ela (Mara). Eu não tenho nada com isso, não tenho meu nome em nada. Não peguei camarote nenhum, não tenho nenhum documento lá. Agora, a Mara tem e o Marcio também. Quer prejudicar a Mara e o Marcio? Só queria entender o que você quer fazer com isso.
Em outro momento da ligação, Douglas assume que “ganhou” com o repasse de camarotes. No áudio, porém, apenas o espaço no show da Shakira é discutido entre o trio.
– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.