São Paulo vê dívida ‘explodir’ em R$ 400 milhões nos últimos 6 anos

O São Paulo retornou à era vencedora com o título inédito da Copa do Brasil — na atual temporada, faturou também a Supercopa — fechou 2023 com uma receita recorde de R$ 681 milhões. Segundo estudo da EY, publicado com exclusividade pelo Estadão, o valor representa um tímido aumento de 3% em comparação com a temporada anterior. O montante também representa uma elevação de 169% no período entre 2014 e 2023 — número considerado bom, mas distante dos rivais Palmeiras (280%) e Corinthians (263%), à frente somente do Santos (150%). Além do mais, o clube tricolor viu a sua dívida “explodir” nos últimos seis anos.

Depois de liderar as receitas com vendas de jogadores em 2022, o São Paulo fechou 2023 como o clube que menos arrecadou com transferências de jogadores entre os quatros grandes do Estado, com R$ 121 milhões, atrás de Santos (R$ 171 mi), Palmeiras (R$ 187 mi) e Corinthians (R$ 251 mi). A principal transação do clube tricolor foi o zagueiro Lucas Beraldo, negociado com o Paris Saint-Germain por R$ 101,6 milhões. Com os descontos das participações de terceiros, como intermediários, o clube ficou com R$ 63 milhões.

O tricolor paulista também levou a pior entre os rivais em 2023 quando o tema são as receitas comerciais, que englobam patrocínios, licenciamento e venda de produtos. O São Paulo foi o único a registrar uma redução na arrecadação, fechando o ano com R$ 74 milhões, número 5% menor comparado ao balanço de 2023. Corinthians (R$ 137 mi) e Palmeiras (R$ 165 mi), por exemplo, faturaram quase o dobro no quesito na temporada passada. O clube do Morumbi também quem menos elevou as receitas comerciais ao longo dos últimos dez anos, aumento este tipo de arrecadação em 59%. A título de comparação, o Palmeiras subiu em 611% no período analisado.

As coisas mudam quando é levado em consideração a receita com o matchday. O apoio incondicional dos são-paulinos no MorumBis fez o clube ser quem mais cresceu entre os rivais no quesito. Em 2023, o São Paulo arrecadou R$ 142 milhões com atividades que giram em torno das partidas (venda de ingressos, alimentos, bebidas e produtos do clube no estádio). O valor representa um aumento de 60% em relação ao balanço anterior, e uma elevação de 252% em todo o período analisado pelo estudo (2014 – 2023).

“Essa marca está diretamente atrelada à exploração do MorumBis. A presença da torcida no estádio, com médio de aproximadamente 45 mil torcedores, foi peça fundamental para o desempenho financeiro do clube. Ainda assim, é importante se atentar ao endividamento que segue crescendo e apresentou aumento de 14% em relação ao último ano”, diz comenta José Ronaldo Rocha, sócio de consultoria da EY.

‘Explosão de dívidas’
Apesar da receita recorde na temporada passada, o São Paulo também fechou o ano com a maior divida da sua história. Segundo balanço financeiro, o clube deve R$ 667 milhões. De acordo com o levantamento da EY, os valores representam um aumento de 14% entre 2022 e 2023, além de uma elevação de 96% no período analisado (2014 – 2023). O clube aumentou o seu endividamento líquido de maneira acentuada nos últimos seis anos, quando o São Paulo teve Carlos Augusto de Barros e Silva, mais conhecido como Leco, e Julio Casares, atualmente no cargo, como presidentes. Este último, na função desde 2021, assumiu com o discurso de austeridade.

2018: R$ 270 milhões
2019: R$ 503 milhões
2020: R$ 575 milhões
2021: R$ 642 milhões
2022: R$ 587 milhões
2023: R$ 667 milhões

O aumento da dívida coincide também com o crescimento do endividamento por empréstimos bancários. O número mais do que dobrou nos últimos cinco anos, passando de R$ 107 milhões para R$ 226 mi, aumentando 1% entre 2022 e 2023, e apresentando uma elevação de 50% no período analisado pelo estudo da EY (2024 – 2023). O endividamento tributário também não é baixo, tendo fechado em R$ 193 milhões na temporada passada. O montante representa um crescimento de 4% em relação ao balanço anterior, e impressionantes 188% nos últimos dez anos.

O caso que mais chama atenção é a dívida do São Paulo com o ex-lateral Daniel Alves, condenado na Espanha em primeira instância por estupro — ele nega e recorre da decisão. Com passagem discreta pelo clube, entre 2019 e 2021, e incomodado com o atraso no pagamento dos direitos de imagem, o atleta fez um acordo com a diretoria pela rescisão contratual. O valor acordado foi R$ 25 milhões, em 60 parcelas de R$ 400 mil.

O São Paulo não pode nem pensar em atrasar o pagamento da dívida. Em 2021, ainda antes de rescindir, Daniel Alves acionou a Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF por salários atrasados. Na época, o clube poderia perder pontos em caso de punição. Se o acordo não for cumprido, o processo pode ser reaberto. O jogador chegou a atuar em 18 partidas enquanto o processo corria.

O trunfo MorumBis

Para conseguir aumentar ainda mais as receitas e equilibrar as contas, o clube acredita que o caminho é justamente explorar ainda mais o MorumBis. Por isso, fecharam o acordo de venda do naming rights com a Mondelez, conglomerado multinacional de alimentos dono de marcas de chocolate como Bis, Sonho de Valsa e Oreo — a negociação foi concretizada esse ano e, por isso, não impactou nos números de 2023. O tricolor paulista receberá R$ 30 milhões anuais, chegando a R$ 90 milhões ao todo.

Ao fim do ano passado, o São Paulo fechou dois importes acordos: assinou com a produtora LiveNation para a realização de 20 shows no estádio até 2025 e também firmou parceria com a WTorre, responsável por erguer o Allianz Parque, do rival Palmeiras, visando a reforma do MorumBis, com previsão de conclusão da modernização em 2030, ano do centenário do tricolor paulista. A obra prevê a ampliação da capacidade do Morumbi para 85 mil pessoas em jogos de futebol, e 100 mil em shows. A construtora vai ser a responsável por captar 100% dos recursos financeiros do estádio e deve apresentar o projeto no segundo semestre deste ano.

 

Fonte: O Estado de São Paulo

 

Nota do PP: quem acompanha meus canais sabe que isso não é novidade e já foi apontado por todos nós há algum tempo. Portanto, talvez agora alguns mais creiam que o que vimos falando não é alarmismo, mas correção ao apontar os desmandos administrativos do São Paulo. E antes que culpem comente o Leco, quero lembrar que Júlio Casares, como membro do Conselho de Administração, aprovou tudo o que está aí.

2 comentários em “São Paulo vê dívida ‘explodir’ em R$ 400 milhões nos últimos 6 anos

  1. Nosso MKT é ridículo, não consegue atrair patrocínios no mesmo nível de Palmeiras e Corinthians.
    Cotia não forma ninguém, ou forma pouquíssimos jogadores, vão falar do Beraldo mas ele veio do XV se não me engano, ou seja, não foi formado na milionária base de Cotia.

    Nossa folha é a 3° maior do Brasil, pagamos salários altíssimos para jogadores medianos.

    Muita incompetência para uma diretoria só.

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