
O São Paulo pediu, nesta sexta-feira, para o volante Bobadilla se apresentar à Polícia Civil depois dos dois jogos da seleção paraguaia pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. O jogador do Tricolor havia sido intimado para prestar depoimento ao DRADE (Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva) nesta tarde, mas não compareceu, porque viajou com a delegação para Salvador, onde estará em campo neste sábado para enfrentar o Bahia. Ele deve ir só no dia 11 de junho.
Acusado de xenofobia por Miguel Navarro, do Talleres, Bobadilla foi convocado para disputar as partidas contra Uruguai, na próxima quinta-feira, e Brasil, no dia 10 de junho. Os advogados de defesa do jogador, cedidos pelo São Paulo, apresentaram ao delegado Rodrigo Correa Baptista o pedido de adiamento do depoimento, que foi aceito.
O caso envolvendo Bobadilla aconteceu na última terça-feira, na partida contra o Talleres, no Morumbis. O lateral Navarro, do clube argentino, acusou o volante do São Paulo de chamá-lo de “venezuelano morto de fome”. Foi registrado um boletim de ocorrência para que a acusação seja apurada pelas autoridades.
Na última quarta-feira, o delegado responsável pelo caso explicou quais são os próximos passos da investigação e destacou a importância de ouvir Bobadilla.
– Esperamos que ele compareça. (…) Também solicitamos imagens ao São Paulo. Agora, precisamos confrontar tudo isso. As imagens que vão chegar. Se identificamos algum jogador que no momento estava próximo do Navarro e do Bobadilla. Ver eventuais versões de outras pessoas – disse o delegado responsável, que prosseguiu:
– A vítima, que é o Navarro, foi encaminhada à delegacia, ouvimos ele. Falou que ouviu essa frase em espanhol do Bobadilla. Duas testemunhas confirmaram a versão da vitima. O árbitro disse que não presenciou nada do ocorrido, só antes ou depois do episódio. Os policiais militares foram ouvidos também. Agora precisamos ouvir o Bobadilla. É importante. Precisamos confrontar o que ele tem a dizer com o que já tem no inquérito policial.
O jogador do Talleres registrou o boletim de ocorrência no Morumbis, logo após a partida. Bobadilla, no entanto, deixou o estádio antes de ser procurado pela Polícia Militar para prestar depoimento e agora deverá responder legalmente.
– A intimação é uma ordem legal, que um delegado de polícia ou outra autoridade expede para que uma pessoa compareça. Existe uma ordem legal e ele tem de comparecer e prestar sua versão sobre o fato. Se não comparecer, começa a agravar a condição dele como investigado, porque a investigação policial precisa prosseguir. É um fato grave, está sendo apurado e o Estado tem de encaminhar essa investigação.
– É parte importante a oitiva dele, inclusive interesse próprio dele enquanto investigado se defender disso. A gente espera e acredita que por ser um atleta profissional de um grande clube, eles não vão se opor, criar qualquer tipo de situação para atrapalhar a investigação criminal, até porque seria uma medida irracional que só vai atrapalhar a vida do investigado – concluiu Rodrigo Correa Baptista.
Damián Bobadilla pode ser suspenso de competições organizadas pela Conmebol. Além disso, casos de xenofobia são enquadrados como crimes de racismo pela legislação brasileira. Apurado, o delito prevê pena de dois a cinco anos de reclusão.
– O crime apurado é de injuria racial, prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão. É inafiançável e imprescritível. Precisamos apurar com toda cautela e rigor possível, como qualquer investigação criminal que aconteça – revelou o delegado.
A Conmebol, por sua vez, já abriu expediente disciplinar para apurar o caso.