
O executivo de futebol do São Paulo, Rui Costa, divide com Roger Machado o peso da insatisfação da torcida. Ambos foram alvos de críticas mesmo após a vitória sobre o Juventude, na terça-feira, pela Copa do Brasil. Entre os protestos, está uma aposta arriscada do dirigente.
Em março, Rui Costa foi um dos principais defensores da demissão de Hernán Crespo, que vinha de uma boa sequência de resultados, mantendo o time no G-4 do Brasileirão, mas havia sido eliminado pelo Palmeiras na semifinal do Paulistão.
A derrota no Choque-Rei foi o estopim para o dirigente optar por um projeto ‘”autoral” após anos dividindo responsabilidades. Só que isso não tem agradado à torcida, que pediu recentemente, na porta do CT da Barra Funda, a demissão do executivo.
Autonomia
Rui Costa foi contratado como diretor executivo do São Paulo em 2021, na gestão de Julio Casares. Por anos, dividiu o comando do futebol com Carlos Belmonte, então diretor da área, demitido em novembro de 2025.
Bem avaliado internamente por sua atuação nos bastidores, ganhou mais autonomia nas decisões do departamento. A leitura interna é de que seu trabalho só pode ser amplamente medido a partir de janeiro deste ano, quando Harry Massis assumiu a presidência e ampliou seu poder no clube.
Massis, antes vice-presidente, herdou a vaga de Casares, que renunciou ao cargo depois de ter aprovado o seu impeachment no Conselho, por gestão temerária.
Do otimismo à incerteza
Na primeira janela de transferências do ano, enfrentou limitações financeiras, apostou em jogadores sem custos de aquisição e fechou o período com seis reforços.
A temporada, que começou sob desconfiança, ganhou fôlego com nomes indicados pela diretoria, como Danielzinho e Lucas Ramon, vindos do Mirassol e rapidamente incorporados ao time titular.
O cenário positivo, porém, foi interrompido com a demissão de Crespo. Internamente, crescia a avaliação de que o trabalho do argentino não teria evolução, percepção reforçada por declarações do técnico, que apontava como meta do São Paulo em 2026 apenas se livrar do rebaixamento.
Ao lado de Rafinha, gerente esportivo que assumiu o cargo nesta temporada, Rui Costa defendeu a Harry Massis a troca de comando por um projeto mais ambicioso. Seu nome preferido era Roger Machado, com quem trabalhou no Grêmio em 2015.
Como diretor executivo do clube gaúcho, participou da montagem do elenco que conquistou a Copa do Brasil de 2016 e a Libertadores de 2017, já sob o comando de Renato Gaúcho. O ciclo, no entanto, teve início com Roger, treinador da equipe entre maio de 2015 e setembro de 2016.
– Eu perguntei ao Roger: você acredita que o São Paulo pode ser campeão? Ele acreditou que é possível. Outros treinadores poderiam dizer outra coisa, mas ele mostrou convicção de que pode conquistar aqui – disse Rui Costa.
Riscos
Na coletiva de apresentação de Roger Machado, em 10 de março, Rui Costa fez questão de estar ao lado do treinador e sustentou que a decisão não estava ligada apenas aos resultados, mas a uma convicção de trabalho.
– Primeiro ponto: nós entendemos que era necessária a mudança. E poderia ser muito mais fácil, no objetivo de autopreservação profissional, porque eu estou sendo muito criticado, eu, o Rafinha e o presidente, esperar que as coisas acontecessem como normalmente acontece: que os resultados fossem ruins, que fossem inconstantes, para fazer a mudança na comissão – disse o dirigente na ocasião.
Desde as primeiras críticas, o dirigente sabia que o desempenho de Roger também impactaria sua permanência no cargo. Em termos figurados, adotou uma postura de “all-in”, ao vincular seu futuro ao sucesso do treinador.
– Estar associado ao Roger é um orgulho. Se ele não for bem, eu corro risco? Isso não é problema, sempre corri risco no futebol, e por isso sou executivo há muitos anos (…) Eu não tenho dúvidas de que o torcedor do São Paulo vai se identificar na maneira que o Roger trabalha os valores que o são-paulino mais admira. Isso é questão de tempo.
Rui Costa foi respaldado pela diretoria, que mantém confiança na troca de comando mesmo após o primeiro mês de trabalho. Até aqui, foram 11 jogos, com seis vitórias, um empate e quatro derrotas.
Apesar do apoio interno, parte do Conselho Deliberativo mantém críticas ao trabalho do dirigente nesta temporada, o que aumenta a pressão sobre sua permanência. Os contratos vigentes têm validade até dezembro deste ano.
Fonte: Globo Esporte
Nota do PP: dito isso, rua para os dois.