Roger Machado diz que São Paulo precisa pensar em títulos

Roger Machado foi apresentado como novo treinador do São Paulo no fim da tarde desta terça-feira, no CT da Barra Funda. O comandante do Tricolor chega para substituir Hernán Crespo, com contrato até o fim da temporada.

Em sua primeira entrevista coletiva como técnico do São Paulo, Roger Machado disse que quer que o clube pense em ser campeão. O treinador pediu para os jogadores manterem vivo o desejo de título. Crespo, antes de ser demitido, falou que a briga tricolor nesta temporada seria para fazer 45 pontos no Campeonato Brasileiro.

– Uma das primeiras coisas que falei com os atletas é que temos o dever de manter a chama sempre acesa da conquista de títulos. Um clube grande precisa sempre olhar para o primeiro lugar. Encontrei atletas muito disponíveis e sedentos de aprendizado que os levem a grandes vitórias. A gente percebe no olhar do atleta – disse Roger Machado.

O último trabalho do técnico havia sido no Internacional entre 2024 e 2025. O treinador comandou a equipe gaúcha em 75 partidas e conquistou 34 vitórias, mas não resistiu a uma série de maus resultados no Brasileirão.

No São Paulo, o técnico irá reencontrar Rui Costa, executivo de futebol do clube e um dos principais entusiastas de sua contratação. Na última década, os dois trabalharam juntos no Grêmio, onde Roger teve sua passagem mais marcante e participou da formação da base da equipe que conquistaria a Libertadores de 2017 com Renato Gaúcho.

A estreia do treinador será nesta quinta-feira, às 20h (de Brasília), contra a Chapecoense, no Canindé, em duelo válido pela quinta rodada do Brasileirão. O São Paulo é o segundo colocado da competição, e por isso Roger Machado, sem temer rejeição, quer superar logo a desconfiança de torcedores.

– Eu enxergo uma forma desse time jogar e quero que o torcedor se identifique e queira ir ao campo ver seu time jogar. Não há outra forma, é trabalho. Eu sei que tenho que conquistar a confiança do torcedor, nunca foi diferente. Tenho certeza de que ele vai me abraçar.

Roger Machado entende a rejeição da torcida e garante ter a receita para superá-la. O São Paulo, apesar das críticas nas redes sociais, não reconsiderou a contratação do treinador.

– Com muito trabalho. Na vida toda, uns chegam mais prestigiados, outros menos, mas todos conquistam a confiança do torcedor com trabalho e resultado. A avaliação do trabalho é o jogo. Eu gosto do prestígio interno, externamente a validação vem com os resultados, que às vezes acontecem mais ou menos, de uma forma que o torcedor se identifique dentro de campo, com a forma que o treinador propõe o jogo.

Veja outras declarações de Roger Machado:

Contrato curto
– Eu avalio uma das poucas e grandes oportunidades que estou tendo como treinador. A felicidade de estar no São Paulo transborda pelo fato de que, sabendo do desafio, sabendo da grandeza do clube, do que iria encontrar nesse ambiente, os atletas que tenho para trabalhar, não me fez pensar em nada mais do que aceitar o convite. Independente do tempo de permanência do contrato, do cenário, de adversidade, o que bastou para mim foi receber o telefonema, perceber a grande oportunidade e aceitar esse desafio.

– Estamos adaptados a esse lugar, fazemos o máximo possível e a metodologia desenvolvida é baseada no pouco tempo de adaptação. É completamente possível desenvolver o trabalho mesmo com pouco tempo. No futebol, trabalhamos a várias mãos, os treinadores deixam um legado para que possamos assumir e desenvolver um trabalho.

Conversa com o elenco
– Eu vi todos os jogos. Mesmo estando fora do mercado, não é prospectar a vaga de alguém, mas analisar modelos, atletas, para seguir constantemente evoluindo. O que vi do jogo do São Paulo e do elenco que o clube tem é que é equilibrado, com características que permitem diferentes sistemas. Foi assim que o Crespo usou, com três zagueiros, linha de dois, tripé na frente, enganche, pontas com amplitude. São variações que permitem um leque maior e trabalhar com diferentes sistemas.

– A partir desse momento vou me aproveitar de muita coisa que já estava posta e começo a implantar questões importantes do meu jogo. Gosto de ter uma equipe equilibrada, mas que tenha uma vocação ofensiva. Isso foi um dos fatores determinantes para aceitar prontamente estar aqui. Eu me identifico com a forma historicamente que o São Paulo sempre jogou, procurando o gol, com jogo vistoso.

– Como atleta, muitas vezes estive no Morumbis e sei da dificuldade de jogar com a torcida enchendo a casa. A partir desse momento consigo colocar as minhas particularidades. O que posso dizer é que encontrei aqui um terreno muito fértil e jogadores com uma vontade absurda de fazer história nesse lugar.

– Uma das primeiras coisas que falei com os atletas é que temos o dever de manter a chama sempre acesa da conquista de títulos. Um clube grande precisa sempre olhar para o primeiro lugar. Encontrei atletas muito disponíveis e sedentos de aprendizado que os leve a grandes vitórias. A gente percebe no olhar do atleta.

– Vamos construir algo que nos leve à história desse clube. Você vê o olhar, o aceno de cabeça desses jogadores que querem fazer parte da história do São Paulo.

Desconfiança da torcida
– Com muito trabalho. Na vida toda, uns chegam mais prestigiados, outros menos, mas todos conquistam a confiança do torcedor com trabalho e resultado. A avaliação do trabalho é o jogo. Eu gosto do prestígio interno, externamente a validação vem com os resultados, que às vezes acontecem mais ou menos, de uma forma que o torcedor se identifique dentro de campo, com a forma que o treinador propõe o jogo.

– Eu enxergo uma forma desse time jogar e quero que o torcedor se identifique e queira ir ao campo ver seu time jogar. Não há outra forma, é trabalho. Eu sei que tenho que conquistar a confiança do torcedor, nunca foi diferente. Tenho certeza que ele vai me abraçar.

Como jogar
– Futebol se vence de várias formas. Taticamente, estruturalmente, eu tenho concepções sensivelmente diferentes do Crespo. Ele tem preferência muitas vezes por jogar com linha de três defensores, eu tenho preferência por atuar com linha de dois zagueiros.

– Vou fazer e propor atividades que consigam ter maior pressão na bola, entrar dentro do campo de ataque com compactações em espaço curto, com equilíbrio de defender e atacar. Muito disso estava nos planos do Crespo, mas não é trocar seis por meia dúzia.

– Na construção de uma equipe você coloca sua assinatura e o trabalho fica naturalmente diferente. Eu vejo meus colegas e sei, pela equipe, como ela é formada, quem é o treinador. Espero deixar a assinatura que sempre deixei nas minhas equipes.

Velocidade no acerto
– Primeiro contato foi depois da saída do treinador. A decisão e o acerto foram rápidos por diversos fatores, entre eles a proximidade com Rui e a oportunidade que estava surgindo, muito importante para a minha carreira.

– Ver os jogos quando não estamos atuando é uma obrigação dos treinadores. Eu acredito que vejo por ano pelo menos 1000 jogos, de diferentes ligas, de todas as equipes que admiro, treinadores que admiro. É o aprimoramento da carreira.

– O acerto foi rápido pelo desejo dos dois lados. Tive que me apressar. Tenho a facilidade, desenvolvi a habilidade de colocar os jogos em velocidade dobrada, então consigo ver dois jogos em um, muitos em sequência.

Oscilações
– Por vezes eu sofro com essas críticas, mas a pergunta que sempre reflito nesse sentido é: que treinador não é demitido quando o trabalho perde fôlego? Em um momento eu respondi falando exatamente disso.

– É justo fazer uma avaliação em cima do treinador. Muitos fazem dessa forma: pega sua namorada, sua esposa, vai para o Nordeste, Salvador, onde nos 365 dias do ano faz sol, aí chega na época de chuva e diz que nunca mais volta à Bahia porque lá só chove.

– É retirar desse frame que ocorre a saída de todos os treinadores. Não sou só eu que saio quando o trabalho perde o fôlego, todo treinador.

– Eu costumo dizer que a virtude da chegada se transforma no defeito da saída, infelizmente.

Pelo que o São Paulo briga
– Eu coloco esse desafio na primeira prateleira, até porque o último treinador que passou por aqui e ganhou foi para a seleção. Eu sei o que o São Paulo pode me proporcionar. Esse desafio me move.

– Já estive em diferentes contextos, lugares, tipos de trabalho, melhor avaliado, nem tão bem avaliado, mas sempre a característica do meu trabalho foi valorizada internamente. Por isso, em 12 anos, sigo recebendo proposta de grandes clubes, pois a validação de quem trabalha comigo acontece no dia a dia, na conversa com o jogador.

– O que a gente controla é a qualidade do trabalho do dia a dia, e isso traz novas oportunidades. Estar no São Paulo é uma oportunidade de primeira prateleira e com uma dimensão de tudo que podemos conquistar, e alçar uma validação externa que eu persigo há 12 anos.

– Validar externamente com conquistas consideradas relevantes para que a gente possa estar em um outro contexto e eu não seja perguntado constantemente sobre rejeição, nível do meu trabalho, se a grandeza do clube está à altura do meu trabalho.

– É o lugar ideal, a oportunidade perfeita: marcar história aqui e me colocar em um outro nível.

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