Roberto Natel pede acesso aos documentos do “caso hacker”

Roberto Natel, vice-presidente do São Paulo, protocolou requerimento na presidência do clube, na última terça-feira, no qual pede acesso aos documentos da perícia contratada pelo clube no “caso hacker”. Ele é apontado, de acordo com apuração interna, como suposto responsável por vazamento de documentos.

O pedido de Natel foi endereçado ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, (veja abaixo), e com cópia ao presidente do Conselho Deliberativo do clube, Marcelo Abranches Pupo Barboza.

– Dei entrada para tomar ciência. Como o São Paulo não me acusa e não esclareceu nada, estou entrando (com o requerimento) para que eu tenha acesso a tudo: aos documentos do que estão dizendo e de quem participou. Não houve nota (oficial do São Paulo), nem sei quem soltou esse documento para a imprensa, mas ninguém falou nada comigo. Preciso saber. É o meu nome que está em jogo – disse Roberto Natel, ao Globo Esporte.

“Edward Lorenz” é o codinome do hacker que chantageou conselheiros e dirigentes por e-mails e pedia pagamento de R$ 1 milhão (entenda abaixo). O vice-presidente nega envolvimento no caso e afirma desconfiar que sua rede pode ter sido invadida.

Requerimento protocolado pelo vice-presidente Roberto Natel no São Paulo — Foto: GloboEsporte.com

Requerimento protocolado pelo vice-presidente Roberto Natel no São Paulo — Foto: GloboEsporte.com

No requerimento, o vice-presidente do São Paulo dá um prazo de dez dias corridos para ter suas solicitações atendidas, sob pena de tomar providências judiciais caso isso não ocorra.

Também nesta quarta-feira, o “blog do Perrone”, do “Uol”, publicou um novo e-mail do suposto hacker enviado à advogada do clube, Érica Duarte Pinto Alves, e a outras pessoas. Ele desdenha da estratégia da advogada para descobrir a fonte dos vazamentos e defende Roberto Natel.

Apuração interna

O São Paulo contratou uma perícia para verificar se a rede interna havia sido invadida ou não. Ao comprovar que isso não ocorreu, um documento do orçamento de 2020 foi usado como uma espécie de isca para buscar a fonte dos vazamentos.

Para isso, houve palavras adulteradas, com erros de acentuação e marcações específicas em diferentes versões desse mesmo documento. Passo a passo da operação foi registrada em cartório e enviada a dirigentes e conselheiros.

A versão enviada a Roberto Natel tinha propositalmente um erro na palavra “prêmio”, escrita sem acento da seguinte maneira: “Premios Camp. Paulista”, conforme mostra documento publicado pelo “UOL”. O e-mail enviado pelo hacker tinha o documento do orçamento de 2020 com esse mesmo erro de acentuação.

– Estão fabricando as coisas. Por que vou precisar passar algo a hacker? Se tiver de falar digo na frente do Leco, no Conselho. Tenho tranquilidade absoluta. De maneira alguma. Não sou disso. Nunca precisei disso. Vou contratar um advogado e ver para verificar, porque é uma acusação muito grave. Vai ter que mostrar como foi feito. Estou tranquilo. Fico contente porque estou incomodando os incompetentes –disse Roberto Natel.

Segundo o “UOL”, ao menos uma das imagens registradas na ata notarial mostra o e-mail adulterado propositalmente enviado pelo chantageador ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Presidente e vice estão rachados há anos. Nos e-mails enviados aos conselheiros, no fim de 2019, o suposto hacker ameaçava expor corrupção no clube (entenda abaixo).

– Tenho certeza que a minha rede pode ter sido invadida. Amigos meus particulares, esposa e filhos receberam nos e-mails deles coisas do hacker relacionados ao São Paulo. Só posso deduzir que alguém entrou no meu e-mail. Estão tentando me incriminar. O que estão querendo fazer: me expulsar. Não vão me calar. Não aceito o que está acontecendo com o clube. Estão querendo mexer com meu nome –afirmou o vice-presidente.

Procurado, o São Paulo informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

Entenda o “caso hacker”

Em novembro, o São Paulo sofreu uma tentativa de extorsão. Conselheiros receberam três e-mails exigindo o pagamento de R$ 1 milhão. Caso contrário, o autor das mensagens, que se identificou como “Edward Lorenz”, ameaçava divulgar arquivos confidenciais.

Nas mensagens, todas elas com “Bastidores do Poder” como assunto, a pessoa que se identifica como “Edward Lorenz” – o nome do meteorologista que criou a tese do “Efeito Borboleta” na Teoria do Caos, morto em 2008 – ameaçava expor diretoria, conselheiros, atletas e até ex-atletas do São Paulo. Ele colocava prazo para pagamento e repetiu a ação mais de uma vez.

Durante o processo, o São Paulo enviou um e-mail para os conselheiros do clube explicando que as mensagens eram uma “nova tentativa de fraude e extorsão”.

Mas por que nova tentativa?

Porque em 2017 uma pessoa identificada com o mesmo pseudônimo enviou mensagens para o clube na tentativa de extorquir dinheiro com a mesma motivação: não divulgar documentos confidenciais. Na ocasião, inclusive, foi aberto um inquérito policial que segue em curso, em segredo de justiça.

O caso está na 4ª DIG, Delegacia de Polícia de Investigações sobre Fraudes Patrimoniais Praticadas por Meios Eletrônicos. O São Paulo deve, agora, informar à Polícia Civil mais essa tentativa de extorsão.

Ameaça a Leco

Esse e-mail enviado pelo São Paulo aos conselheiros, colocando o departamento jurídico do clube à disposição, foi respondido por “Edward Lorenz” no mesmo dia.

Nesse novo contato, ele ameaçava o presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, dizendo que iria começar a vazar supostos documentos que mostrariam uma suposta corrupção do dirigente.

Na mensagem aos conselheiros, o São Paulo reitera que esse movimento não passa de uma “nova tentativa infrutífera de fraude e extorsão” e que “os e-mails e os respectivos documentos apenas reiteram inveracidades e ameaças anteriormente feitas”.

Além disso, o São Paulo dizia que dava o “devido tratamento jurídico e técnico à questão”, informava que a divulgação indevida de documentos pode atrapalhar a investigação policial e pedia para que novos e-mails semelhantes fossem encaminhados ao departamento jurídico.

Na época, o Tricolornaweb teve acesso a documentos anexados no e-mail aos conselheiros. Tratavam-se de contratos e troca de mensagens já revelados em outras oportunidades, como, por exemplo, e-mails enviados pelo antigo vice Ataíde Gil Gueirreiro ao ex-presidente Carlos Miguel Aidar quando ambos se desentenderam, entre outros.

Pessoas do clube ouvidas pela reportagem acreditavam que a tentativa de extorsão era uma manobra política em meio ao momento conturbado do clube. O presidente Leco tem sido alvo constante de críticas.

Fonte:  matéria feita com auxílio do Globo Esporte

3 comentários em “Roberto Natel pede acesso aos documentos do “caso hacker”

  1. Briga de sujeitos que nem deveriam estar no SPFC, esse Natel na época do canalha cachaceiro, tinha contrato de exclusividade para fornecimento de combustíveis ao SPFC através dos seus postos, portanto, eh mais do mesmo.
    Lecú eh um nefasto presidente escolhido pelos vendidos conselheiros, ou seja, estamos indo ladeira abaixo desde o pilantra cachaceiro!!!

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