Quem é quem nas crises das últimas gestões do São Paulo

O SBT News revelou que o atual presidente, Harry Massis Junior, e suas empresas acumulam R$ 28,4 milhões de dívidas em impostos e multas. Além disso, a reportagem mostrou que a Receita monitora os bens do cartola.

Nas gestões mais recentes, dois presidentes deixaram o cargo antes do fim do mandato: Carlos Miguel Aidar renunciou em meio a denúncias de desvio de recursos, e Julio Casares renunciou ao cargo após a votação do impeachment ter sido aprovada pelo conselho do clube. Ele segue como investigado pela polícia.

Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que presidiu o clube entre a gestão de ambos, cumpriu integralmente o mandato.

Um levantamento do SBT News identificou dirigentes das três últimas gestões que foram alvo de investigações da Polícia Civil, da Polícia Federal e do Ministério Público por suspeitas que vão de desvio de recursos e lavagem de dinheiro a falsidade ideológica e administração temerária. Parte dos casos foi arquivada ou terminou em absolvição. Outros seguem em andamento.

Gestão Carlos Miguel Aidar (2014–2015)
Carlos Miguel Aidar (presidente): foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, acusado de furto mediante fraude e lavagem de dinheiro. Na ocasião, ele foi apontado como o responsável pelo desvio de recursos por meio de pagamentos a um escritório de advocacia. As cifras, supostamente desviadas à época, ultrapassaram R$ 4 milhões. Na Justiça, Aidar foi absolvido.

Leonardo Serafim (ex-diretor jurídico): foi apontado como o operador do esquema para a contratação do escritório. Ele foi denunciado por furto qualificado e lavagem de capitais, mas também foi absolvido.

Cinira Maturana: namorada de Aidar à época, foi apontada como coautora dos desvios na gestão Aidar e absolvida pela Justiça.

Gestão Julio Casares (2021–2026, renúncia após aprovação de votação do impeachment)
Julio Casares (presidente): o ex-presidente do São Paulo é investigado pelo MP por exploração clandestina de um camarote ligado ao show da Shakira no Morumbi. Em outra frente uma investigação apontou movimentações suspeitas na conta pessoal após identificar o depósito fracionado de R$ 1,5 milhão na conta dele. O caso segue em andamento.

Na esfera administrativa, Casares também é acusado de administração temerária por descumprir o previsto orçamento e pela venda de jogadores abaixo do mercado. Em entrevista ao portal UOL, ele negou as acusações.

Mara Casares (ex-esposa de Casares, diretora feminina/cultural/eventos): é investigada por suspeita de participação no grupo que atuou na venda ilegal de ingressos do camarote presidencial do Morumbi. A investigação segue em andamento.

Douglas Schwartzmann (dirigente da base): Também é apontado como coautor do grupo que teria atuado na venda ilegal dos ingressos do camarote. A investigação segue em andamento.

Marcio Carlomagno (então superintendente): citado como responsável por autorizar a cessão irregular do camarote. A investigação segue em andamento. A Polícia Civil de São Paulo investiga ainda, em outro inquérito, o desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021 (mesmo início da gestão Casares). O caso tramita sob segredo de Justiça.

Gestão Harry Massis Junior (2026-atual)
Desde que Harry Massis assumiu, dirigentes ligados à atual administração ou remanescentes da gestão anterior também se tornaram alvo de investigações.

Antônio Donizete Gonçalves, “Dedé” (ex-diretor social, conselheiro vitalício): Dedé foi expulso do clube após denúncias de corrupção envolvendo uma plataforma de processamento de pagamentos. Ele é alvo de um inquérito da Polícia Civil e de outro da Polícia Federal que investiga a cobrança de empresas que operam no clube. Dedé não foi localizado pela reportagem.

Olten Ayres de Abreu Júnior (presidente do Conselho Deliberativo): Foi indiciado por falsidade ideológica após supostamente ter arquitetado um parecer falso para dar legitimidade à reforma do estatuto do clube, com a intenção de transformar o São Paulo em SAF. O caso foi arquivado no final do mês passado.

OUTRO LADO
Em nota, a defesa de Casares, exercida pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirma que “todas as movimentações financeiras de Julio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira”.

Eles acrescentam que “antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, Julio desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração” e que “a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações – com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer. ”

A defesa de Mara Casares, exercida pelos advogados Rafael Estephan Maluf e Paula Stoco de Oliveira, por sua vez, afirma que ela “jamais praticou qualquer ato que pudesse desaboná-la ou contrário às normas vigentes” em quase 20 anos de dedicação institucional ao clube.

Os advogados também afirmam que as investigações policiais estão sob sigilo, e por isso não é possível prestar maiores esclarecimentos, e que Mara reitera a “confiança de que sua inocência será plenamente comprovada ao longo das persecuções penais.”

Fonte: SBT

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.