
A Polícia está muito perto de avançar para a próxima fase da investigação sobre os escândalos recentes que envolvem o São Paulo: o caso de corrupção do camarote 3A, a lavagem de dinheiro e a corrupção no clube social.
Depois de o ex-presidente Julio Casares optar pelo silêncio e não comparecer para depor, resta apenas o ex-CEO Márcio Carlomagno para ser ouvido.
– Iremos ouvir o Márcio (Carlomagno), não ouvimos ainda pois não havia sido notificado pessoalmente. Será notificado. Com essa oitiva, a gente encerra essa fase, a não ser que surja um fato novo. Agora, a investigação passa a uma análise técnico-probatória, de provas periciais e provas documentais – afirmou a força-tarefa ao ge.
Além dos já citados, foram convidados para depor outros envolvidos nas acusações, como Douglas Schwartzmann, Mara Casares e Rita de Cássia Adriana Prado. Também foram ouvidas, para o inquérito, outras testemunhas com ligação direta e indireta com os réus e o São Paulo.
– Estamos bastante adiantados naquilo que se refere à prova oral: escuta de testemunhas e investigados. Apreendemos um celular e alguns pendrives nas buscas e estão sendo analisados. A quantidade de dados é grande – revelou a força-tarefa ao ge.
A reportagem questionou sobre quem seria o dono do celular apreendido, mas a força-tarefa afirmou que tal informação era sigilosa. Os aparelhos foram obtidos durante operações de busca e apreensão.
O caso está sob cuidados do Departamento de Polícia de Proteção a Cidadania (DPPC) e da terceira delegacia, responsável por casos de lavagem de dinheiro, em ação conjunta com o Ministério Público. O delegado encarregado é Tiago Fernando Correia.
A força-tarefa investiga possíveis irregularidades cometidas por diretores do clube durante a gestão do então presidente Julio Casares, entre 2021 e janeiro de 2026.
São três inquéritos distintos, todos tratando o São Paulo como possível vítima. Além do caso do camarote, também são apuradas suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção no clube social, que ainda não resultaram em intimações.
Em novembro do ano passado, um áudio obtido pelo ge revelou a participação de Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e de Mara Casares, então diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente Julio Casares, em um suposto esquema que teria causado prejuízo ao clube.
Relembre o caso
O áudio obtido pelo ge cita utilização de um camarote no setor leste do estádio, identificado internamente como “sala presidencial”. Segundo arquivo, o direito de uso do espaço teria sido repassado por dirigentes a Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como intermediária no esquema e terceira participante da conversa.
Ela seria a responsável pela exploração do camarote, com ingressos vendidos por valores que chegaram a R$ 2,1 mil na apresentação da cantora colombiana Shakira, que aconteceu em fevereiro de 2025. Apenas com o camarote 3A, o faturamento estimado foi de R$ 132 mil.