Plano de aposentadoria e status fazem Ceni ser porta-voz de manifesto

O goleiro Rogério Ceni não é uma das principais lideranças do Bom Senso F.C., grupo que reúne jogadores das duas primeiras divisões do Campeonato Brasileiro para discutir mudanças na gestão do futebol. Ainda assim, ele foi escolhido como porta-voz após a primeira reunião presencial do movimento, realizada na última segunda-feira, em São Paulo. O plano de aposentadoria e o status do capitão do São Paulo transformaram-no em interlocutor dos atletas com a imprensa.

Ceni, 40, é o jogador com mais partidas disputadas na história do São Paulo. Ele tem contrato com o clube do Morumbi até o fim de 2013 e já deu vários indícios de que vai se aposentar depois do término do vínculo.

Nesse aspecto, o perfil de Ceni bate perfeitamente com os propósitos do Bom Senso F.C. O manifesto de jogadores escolheu o calendário como primeiro foco de discussão sobre o futebol brasileiro, mas tem usado recorrentemente um discurso de que não pretende brigar apelas pelos interesses dos atletas.

“Não falamos em nome da classe. Estamos preocupados com o futebol brasileiro como um todo, e tudo que falamos é pensando em benefícios para a TV, o torcedor e todas as pessoas que gostam do esporte”, disse Ceni após a reunião de segunda-feira.

Na semana passada, uma pessoa muito ligada ao movimento disse que a idade foi um dos fatores considerados pelos líderes para montar a primeira lista de signatários do movimento. O grupo lançou na terça-feira da semana passada um documento com 75 adesões, e a maioria do grupo era formada por atletas experientes.

“Eles querem mostrar que não estão advogando em causa própria. Muitos deles, como o Alex e o Rogério, não vão nem aproveitar as vitórias conquistadas pelo grupo”, disse a pessoa ligada ao movimento, que não quis se identificar, em entrevista ao UOL Esporte.

Depois da reunião de segunda-feira, os jogadores divulgaram um documento em que detalham os cinco primeiros focos de atuação do movimento. Além do calendário, eles querem debater com a CBF assuntos como férias, pré-temporada, a adoção de práticas de fair play financeiro e a participação dos jogadores em conselhos técnicos de entidades. Os dois últimos tópicos também mostram a preocupação do grupo com a criação de uma agenda abrangente e que não seja focada apenas nos problemas da classe que eles representam.

“Eu gostaria de poder viver isso, mas o que nós estamos buscando é bom para a nova geração e para o futebol brasileiro como um todo. Esse é o mais importante”, avaliou Ceni.

Além da aposentadoria iminente, Ceni foi alçado à condição de porta-voz do grupo pelo status que ele tem no São Paulo. Na semana passada, por exemplo, ele conseguiu abrir uma janela de uma hora em um treino para falar aos atletas sobre a importância do movimento.

Por ser um dos maiores ídolos da história do São Paulo, Ceni ainda tem como ponto favorável o fato de passar incólume por maus momentos. Nem mesmo a campanha irregular do time paulista no Campeonato Brasileiro abalou o prestígio do goleiro.

O Bom Senso F.C. pediu uma reunião com a CBF “o quanto antes” para discutir os tópicos abordados na reunião de segunda-feira. A ideia é que uma comissão de atletas participe de discussões sobre o futebol brasileiro, e nem sempre esse grupo será formado pelas lideranças do movimento.

Fonte: Uol

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