
O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu Júnior, anunciou nos últimos dias a destituição de dois integrantes da Comissão de Ética do clube: José Edgard Galvão e Fábio Cesar de Souza Azambuja. A decisão ocorre enquanto tramita na comissão uma representação contra o próprio dirigente, em um processo relacionado ao caso de uma suposta “secretária fantasma” ligada à presidência do Conselho.
José Edgard era o relator do procedimento e, segundo apuração nos bastidores, manifestava a intenção de recomendar a pena máxima a Olten Ayres, com sua expulsão do quadro associativo do São Paulo. Fábio Azambuja também acompanharia o pedido de punição. Os dois foram retirados da comissão por decisão de Olten, sem que, segundo eles, houvesse uma justificativa específica para a destituição.
O caso que envolve a secretária foi revelado pelo UOL em maio. O São Paulo demitiu uma funcionária ligada à presidência do Conselho Deliberativo após identificar inconsistências em registros administrativos e abrir uma investigação interna. A funcionária recebia aproximadamente R$ 7 mil mensais e trabalhava em regime remoto, sem comparecer ao Morumbis ou ao CT da Barra Funda.
Um dos pontos que chamaram a atenção na apuração foi o endereço eletrônico utilizado para o envio das folhas de frequência ao departamento de RH do clube. As mensagens partiam de um domínio externo, “abreujr.com.br”, ligado ao escritório de advocacia que tem Olten Ayres como sócio principal. O dirigente confirmou que a profissional atuava como sua secretária e negou qualquer irregularidade.
Os registros de ponto eram preenchidos manualmente e apresentavam horários idênticos em diferentes dias. O clube também não adota o trabalho remoto como modelo regular para seus funcionários, embora Olten tenha afirmado que a secretária trabalhava dessa forma desde sua contratação e que suas atividades eram dedicadas ao São Paulo.
Nova representação pede afastamento de Olten
Após serem retirados da Comissão de Ética, José Edgard Galvão e Fábio Azambuja apresentaram uma nova representação ao órgão, atualmente presidido por Mário Celso da Silva Braga. Os dois pedem o afastamento cautelar e urgente de Olten Ayres da presidência do Conselho Deliberativo.
Na representação, os conselheiros questionam a possibilidade de um presidente do Conselho destituir integrantes da comissão justamente quando existem processos em andamento que envolvem o próprio dirigente.
Em carta enviada aos conselheiros, José Edgard afirmou ter recebido a decisão “com perplexidade”. Segundo ele, a destituição ocorreu quando havia representações “em pleno processo de julgamento”, incluindo um procedimento de sua relatoria que estaria em fase final de decisão.
“Se um relator pode ser afastado enquanto conduz procedimentos regularmente distribuídos, e que, entre estes, inclusive, existem procedimentos que dizem respeito à investigação em face do próprio Presidente do Conselho Deliberativo, é legítimo questionar qual independência efetivamente se assegura à Comissão e qual segurança existe de que seus procedimentos permanecerão imunes a interferências”, escreveu.
O ex-relator classificou o episódio como especialmente grave e afirmou que não “regular, não é probo e não é ético” que alguém possa destituir o relator de um processo no qual é representado, especialmente quando o procedimento já estaria em fase final de decisão.
Fonte: Uol
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