Olten Ayres de Abreu é indiciado por falsidade ideológica

Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, foi indiciado pela Polícia Civil por falsidade ideológica. O relatório final da investigação conduzida pelo delegado Tiago Fernando Correia, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), foi apresentado nesta semana.

Agora, o relatório vai para o Ministério Público, que pode denunciar Olten Ayres, arquivar o caso, oferecer um acordo ou pedir novas diligências.

A investigação foi iniciada pela Polícia Civil depois de um pedido da Comissão de Ética do São Paulo. Em um relatório do dia 29 de abril, o colegiado apontou que Olten Ayres poderia ter cometido o crime de falsidade ideológica e determinou que o documento fosse encaminhado às autoridades.

Neste inquérito, a Polícia Civil concluiu que um documento do dia 17 de dezembro de 2025, assinado por dois membros do Conselho Consultivo do São Paulo (José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda) foi, na verdade, entregue já pronto a eles pelo presidente do Conselho Deliberativo do clube, Olten Ayres, apenas para que fosse assinado.

A pena prevista para crime de falsidade ideológica é reclusão, de 1 a 5 anos, e multa, quando o documento é público; e reclusão, de 1 a 3 anos, e multa, se o documento é particular

Esta investigação não tem nenhuma ligação com a força-tarefa, formada pelo Ministério Público com a Polícia Civil, que conduz outros três inquéritos relacionados ao São Paulo para apurar possíveis irregularidades na gestão de Julio Casares: lavagem de capital, caso de exploração clandestina de camarotes no Morumbis e corrupção no departamento social.

Entenda o caso
A Comissão de Ética do São Paulo apontou, em seu relatório, com base numa denúncia do presidente Harry Massis, que no dia 17 de dezembro de 2025 o então mandatário Julio Casares iniciou um processo de reforma estatutária, encaminhando sua proposta para o Conselho Deliberativo.

Eram duas sugestões: acabar com o quórum qualificado para aprovar a criação de uma SAF no São Paulo (hoje, é necessário mais de dois terços dos votos favoráveis para que o assunto vá em frente) e separar o futebol do clube social.

No mesmo dia, Olten Ayres encaminhou o pedido ao Conselho Consultivo, seguindo o rito necessário para a discussão de uma reforma estatutária. Ainda em 17 de dezembro, o Conselho Consultivo emitiu um relatório favorável às mudanças no Estatuto Social:

“Esta reforma não é apenas pertinente, mas, sobretudo, vital para a salvaguarda e o crescimento futuro do São Paulo Futebol Clube”, diz um trecho do parecer, assinado por José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda da Silva Martins, presidente e secretário do Conselho Consultivo, respectivamente.

A proposta, então, foi para a Comissão Legislativa, que no dia 6 de abril elaborou um parecer contrário à aprovação da reforma estatutária. Esse documento foi encaminhado ao Conselho Deliberativo no dia 8.

Olten Ayres, de imediato, invalidou o parecer a Comissão Legislativa, por apontar que ela havia extrapolado o prazo de 30 dias previsto no Regimento Interno para emiti-lo. O presidente Harry Massis alegou, em sua representação contra Olten, que o não cumprimento desse prazo não invalidaria o parecer.

A Comissão de Ética do São Paulo, ao investigar o caso, afirma ter ouvido os membros do Conselho Consultivo sobre o parecer pedindo a aprovação da reforma estatutária e concluído que o colegiado não se reuniu para discutir o tema, ao contrário do que indicava o parecer pedindo a aprovação da reforma.

“Após um detido exame do teor da proposição, cujos fundamentos se alicerçam no artigo 145, alínea “c” do Estatuto Social, ESTE CONSELHO CONSULTIVO manifesta seu mais absoluto e irrestrito endosso às modificações estatutárias ali preconizadas”, apontava o relatório do Conselho Consultivo.
A Comissão de Ética, portanto, entende que o relatório, assinado por Pimenta e Ives Granda, deveria refletir a vontade de todo o Conselho Consultivo depois de uma possível discussão do colegiado.

A investigação interna, porém, concluiu que:

o assunto não foi debatido pelo Conselho Consultivo;
não houve reunião para debater a reforma estatutária;
e não houve debate entre os membros do colegiado.
A Comissão de Ética ainda cita um e-mail de Ives Granda da Silva Martins em que o advogado apontou que o relatório do Conselho Consultivo reflete, na verdade, “apenas conversas isoladas com alguns conselheiros”.

Ives ainda alegou, de acordo com a Comissão de Ética, que a “carta” sugerindo a aprovação da reforma estatutária “terminou não refletindo, exatamente, o tipo de discussão que resultou na referida sugestão”.

Ela teria sido redigida, na verdade, por um advogado do São Paulo, não pelos membros do Conselho Consultivo, como está no relatório da Comissão de Ética.

A Comissão de Ética, então, concluiu que “se corporifica nesse documento utilizado pelo representado (Olten Ayres) para respaldar a proposta de alteração estatutária e encaminhá-la à comissão legislativa, inegavelmente, um eventual falso ideológico, pois o teor do documento não condiz com a realidade e a lealdade dos fatos.”

O colegiado, depois, encaminhou à Polícia Civil o pedido de abertura do inquérito para apurar possível crime de falsidade ideológica cometido por Olten Ayres. O relatório foi concluído nesta semana.

Fonte: Globo Esporte

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