
O relatório da Comissão de Ética que pede a expulsão de Douglas Schwartzmann e Mara Casares do São Paulo concluiu que a cessão do camarote 3A à diretoria feminina para o show da cantora colombiana Shakira, em fevereiro de 2025, não foi formalizada em contrato e apontou diversos detalhes da exploração clandestina do espaço pelos ex-diretores.
O documento, ao qual o ge obteve acesso, tem 25 páginas e também conclui que o procedimento para cessão do camarote para a apresentação de Shakira “contrasta com o procedimento padrão adotado pelo clube para os demais camarotes”.
A exploração clandestina de camarotes do Morumbis em dia de shows é investigada em uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público desde o início do ano, depois de o ge revelar, em dezembro, uma gravação em que Mara Casares e Douglas Schwartzmann falaram sobre o esquema.
A Comissão de Ética aponta em seu relatório que o camarote 3A de fato foi cedido à diretoria feminina para o show de Shakira, no dia 13 de fevereiro de 2025, sem formalização “por instrumento contratual”.
O mesmo relatório da sindicância externa lembra que o camarote 3A possui lotação “ordinária” de 42 lugares e que foram direcionadas mais 18 cortesias à diretoria feminina. Segundo o documento da Comissão de Ética, estes ingressos eram intransferíveis e não podiam ser comercializados.
O contrato de cessão do camarote 3A para que a Cassemiro Eventos, empresa de propriedade de Carolina Cassemiro, utilizasse o espaço no show de Shakira previa 42 lugares com visão reduzida ao palco, mas com acesso à pista premium, e 18 cadeiras com acesso à pista premium.
Um controle interno do São Paulo, ao qual o ge obteve acesso, mostra que em 11 de fevereiro, dois dias antes do show, um funcionário do clube retirou “para Mara Casares” 18 ingressos de cortesia para o camarote 29A.
Outro registro interno do clube chama atenção: o mesmo funcionário que havia retirado os 18 ingressos dois dias antes em nome de Mara Casares assinou outro recibo, desta vez horas antes do show de Shakira. Ele retirou 60 pulseiras, também em nome da ex-esposa de Julio Casares.
Dias antes, em 7 de fevereiro, a Diretoria Feminina havia recebido outros 50 ingressos, de diferentes setores, mas eles foram retiradas por outra funcionária. Este recibo também não cita nominalmente Mara Casares, diferentemente dos documentos que registram a entrega dos 18 ingressos (mesma quantidade comercializada posteriormente) e 60 pulseiras.
No dia do show, Rita de Cassia Adriana Prado alegou não ter recebido o valor total pelos ingressos e se negou a entregá-los para Carolina Cassemiro, responsável por intermediar a “venda” do espaço para uma grande empresa. No processo entre elas, Adriana acusava Carolina de furtar os 60 ingressos num envelope.
Carolina, porém, alegou, em dezembro do ano passado, quando procurada pelo ge, que havia pagado pelos ingressos e que eles, na verdade, não eram do mesmo setor do camarote 3A. E que, por isso, precisou comprar 60 ingressos nas bilheterias do Morumbis horas antes do show da Shakira para poder atender à demanda da empresa que havia comprado dela o espaço.
O camarote 29A, para o qual eram os 18 ingressos de cortesia retirados por Mara Casares, de fato fica no lado oposto do Morumbis. Ele, inclusive, não tem identificação numeral – apenas está envelopado como “Camarote Corporativo”, entre os camarotes 28A e 30A.
É importante ressaltar que essas pulseiras não são equivalentes a ingressos. Elas são usadas por convidados que já se encontram dentro do estádio, em camarotes, permitindo o acesso à pista premium – como o camarote 3A não possuía visão para o palco, elas seriam necessárias para que quem estivesse no espaço pudesse assistir ao show.
Esse foi, justamente, um dos motivos da briga entre a The Guardians e a Carolina Cassemiro. Carolina Cassemiro alegou que os ingressos do envelope eram: 42 de cadeira inferior (sem acesso à pista premium) e 18 de um local diferente do camarote 3A. Só com pulseiras seria possível acessar, destes locais, a pista premium para ter visão do palco.
Uma funcionária do São Paulo ouvida pela Comissão de Ética relatou que o procedimento padrão de cessão do camarote “normalmente” passaria por ela, mas que, no caso do 3A, ela apenas “recebeu a ordem” para comunicar à Live Nation, empresa que realiza os shows no Morumbis, que o espaço seria utilizado.
Depois disso, ainda de acordo com o relatório da Comissão, Mara Casares repassou ao São Paulo o contato de Rita de Cassia Adriana Prado para que ela recebesse as informações sobre o uso do camarote em eventos.
E-mails anexados ao processo indicam que a funcionária do clube repassou à intermediária o manual de utilização do camarote e intermediou a aquisição de ingressos com a Ticketmaster – o ge apurou que seriam as 42 entradas, que se somaram às 18 retiradas em nome de Mara Casares.
Depois disso, Adriana contratou a Cassemiro Eventos para a “operacionalização da ocupação do espaço”, conforme apurado pela sindicância externa.
Procurado, o São Paulo disse que “não é permitida, em nenhuma hipótese, a comercialização de ingressos de cortesia” e que “tal proibição encontra-se devidamente registrada em cada ingresso, com a indicação expressa de que sua venda é proibida”.
O clube ainda completa: “A presidência do clube é responsável pela distribuição dos ingressos. A diretoria feminina, assim como as demais diretorias, é informada acerca da disponibilidade de ingressos, cabendo a cada uma delas designar um diretor ou funcionário para realizar a retirada junto à secretaria da presidência.”
O relatório da Comissão de Ética
Para preparar o relatório, a Comissão de Ética analisou:
Um relatório preliminar de investigação externa;
Um relatório preliminar de investigação interna, produzido pelo compliance do clube;
Dois laudos periciais sobre a integridade do áudio de 44 minutos;
Os protocolos de entrega de ingressos;
E-mails entre uma funcionária do São Paulo a Adriana e a TicketMaster;
Uma carta de Adriana e os depoimentos nas audiências da comissão.
A sindicância externa concluiu que “o áudio fala por si e revela que ambos tiveram vantagens”, que os dois “agiram deliberadamente para esconder ilegalidade” e recomendou penalidades que variam de suspensão a eliminação para Mara e Douglas, além de advertência ou suspensão para os executivos Márcio Carlomagno e Eduardo Toni, por omissão.
O relatório da Comissão de Ética também aponta que o caso ficou ainda mais grave quando foi apurado que o camarote 3A deveria ser utilizado para relacionamento institucional, mas que “teria sido objeto de exploração indevida” por terceiros, sem autorização formal do São Paulo.
O relatório diz que a cessão do espaço à diretoria feminina, comandada por Mara Casares, não possuía fins comerciais e que nenhum cessionário de camarote pode sublocar sem o local sem o consentimento do clube. Mas aponta que a cessão do espaço foi encerrada depois do problema no show da Shakira.
As duas perícias que analisaram o áudio de 44 minutos obtido com exclusividade pelo ge em dezembro do ano passado confirmaram que ele é verídico, sem edição.
Uma funcionária do São Paulo ouvida pela Comissão de Ética relatou que o processo regular de locação de camarotes envolve o departamento jurídico do clube e a elaboração de contratos, mas que, no caso do camarote 3A, isso não foi feito.
Eduardo Toni, diretor de marketing do São Paulo, também ouvido pela Comissão de Ética, disse que, se alugado, o camarote 3A custaria cerca de R$ 40 mil, mas que o espaço não era utilizado para este fim, então não seria possível precisar qual foi o prejuízo do clube neste caso.
Ainda de acordo com o relatório, Mara Casares confirmou a veracidade do áudio, relatou “profundo abalo emocional e familiar” pelo vazamento. E explicou que a cessão do espaço para Rita de Cassia Adriana Prado ocorreu por contrapartida por antigas parcerias sociais “não onerosas” ao clube. Ela também negou qualquer vantagem financeira com o caso.
A ex-esposa de Julio Casares ainda alegou que o dano causado à imagem do São Paulo foi por culpa do vazamento do esquema.
Douglas Schwartzmann também negou qualquer ganho financeiro com o camarote e disse que participou da ligação apenas como amigo, para “amparar a Mara”.
Ambos tentaram, por motivos diversos, impugnar o processo de investigação da Comissão de Ética. A defesa de Douglas Schwartzmann, por exemplo, buscou a “desqualificação do arquivo de áudio”, mas não teve seu argumento atendido, já que duas perícias diferentes confirmaram a integridade da gravação.
“Por fim, a defesa não demonstrou, de forma concreta, qual alteração material teria contaminado o conteúdo, qual corte teria sido introduzido, qual inserção externa teria ocorrido ou qual incongruência acústica, linguística ou espectral infirmaria a confiabilidade da gravação”.
A defesa da Mara Casares, em contrapartida, pediu para o processo ser concluído apenas depois da conclusão do inquérito policial que apura o mesmo caso. O pedido também foi negado pela Comissão de Ética. A conselheira também alegou que não teve acesso a documentos analisados, mas foi rebatida:
“Os autos permaneceram integralmente à disposição das partes na Secretaria do Conselho Deliberativo”, diz o relatório.
A Comissão de Ética entendeu, portanto, que “houve cessão irregular de ativo institucional do clube, exploração comercial clandestina por terceiro mediante intermediação de membro da estrutura dirigente, ciência inequívoca dos representados quanto à irregularidade e tentativa de acobertamento”.
Após analisar as provas, ouvir as defesas e reunir relatórios, a Comissão de Ética, portanto, confeccionou relatório pedindo a eliminação de Mara Casares e Douglas Schwartzmann do quatro associativo do São Paulo.
Ambos, ainda conselheiros, já não ocupam mais seus cargos como diretores do clube.
Nesta quarta-feira, o Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne para discutir o relatório. É preciso 169 votos, dos 253 conselheiros, para que Mara e Douglas sejam expulsos do Tricolor.
Esse Douglas já deveria ter sido afastado em 2015 no caso armour, um sanguessuga que já mostrou que só ta lá pra obter alguma vantagem (ou seria comissão?), assim como os outros, não aportam nada ao clube, vide esse carlomagno, um “CEO” sem experiência nenhuma relevante pra receber um título desse.
O tempo desses advogados burocratas que sempre mantiveram o status quo chegou ao fim e destruiu o clube, corinthians, santos, spfc, inter, todos elegeram perfis assim e agora tbm estão no fundo do poço.
Espero que seja eleito pessoa de perfil administrador, tal qual palmeiras e flamengo fizeram.