Vivendo talvez o momento mais instável de sua gestão, o presidente do São Paulo, Julio Casares, decidiu promover mudanças no dia a dia do CT da Barra Funda, vistas como um risco para o ambiente do elenco tricolor.
Além de passar a dar expediente no local de trabalho do time profissional, Julio Casares levou consigo o superintendente geral do São Paulo, Márcio Carlomagno, para auxiliá-lo no CT.
Carlomagno é avesso aos holofotes, não costuma aparecer, mas é uma figura influente nos corredores do Morumbis. Agora, o braço direito de Casares chega à Barra Funda para tentar otimizar alguns processos e ajudar o time a voltar aos trilhos nesta reta final de ano.
Climão no CT
A responsabilidade de fazer a gestão do departamento de futebol do São Paulo atualmente é de Carlos Belmonte. Porém, a presença de Márcio Carlomagno no CT pode ser interpretada como perda de poder do atual diretor de futebol tricolor.
Belmonte foi um dos aliados políticos de Casares para elegê-lo presidente do São Paulo em 2020. O atual diretor de futebol era tratado como seu sucessor nas eleições de 2026, mas o mandatário tricolor aparentemente tem outros planos.
Márcio Carlomagno é considerado o “candidato do presidente” na corrida presidencial do ano que vem. Belmonte, por sua vez, tem uma base eleitoral importante proveniente de seu grupo político e pode se tornar um adversário da chapa de Julio Casares.
Divergências
Nas últimas semanas, a relação entre Julio Casares e Carlos Belmonte ficou estremecida não só pela falta de apoio do presidente ao diretor de futebol quanto a uma possível candidatura presidencial em 2026, mas também por causa do FIP de Cotia.
O fundo de investimento em participações que tem sido articulado por Casares visa levantar R$ 250 milhões ao São Paulo para a contratação de jogadores e profissionais para as categorias de base, além do pagamento de dívidas relacionadas ao futebol. Em troca disso, os investidores teriam direito a 30% da receita líquida com a venda de atletas revelados em Cotia.
Enquanto Casares entende que esse modelo poderá aliviar o caixa do São Paulo e estruturar o clube para, em alguns anos, faturar muito mais com a negociação de jogadores formados na base tricolor, Belmonte interpreta o movimento como a venda de parte de Cotia por um valor baixo.
Para que o FIP seja viabilizado será preciso da aprovação do Conselho Deliberativo, e Carlos Belmonte tem uma grande influência na política são-paulina. Por isso, há o risco de a ideia de Julio Casares não contar com a anuência da maioria dos conselheiros.
Restando nove jogos para o fim do Campeonato Brasileiro, o foco no São Paulo é tentar se classificar para a próxima edição da Libertadores. O clima nos bastidores do clube, entretanto, pode ser um obstáculo para que o objetivo seja alcançado, sobretudo pela discreta disputa de poder que pode se instaurar no CT da Barra Funda.
Julio Casares não crava a permanência de Belmonte até o fim de seu mandato, mas em nenhum momento se mostrou disposto a demiti-lo. O diretor de futebol tricolor, por sua vez, também não pretende pedir demissão. A ver as consequências da trama.
Do ponto de vista formal, nem precisa de demissão, porque o cargo do Belmonte não existe.
É só ele juntar as tralhas, colocar numa caixa, deixar a chave da sala dele na portaria do CT e ir para casa…