
Os negócios envolvendo Rita de Cássia Adriana Prado e Mara Casares no São Paulo acontecem pelo menos desde 2022. Atualmente licenciada da diretoria feminina e cultural, a ex-mulher do ex-presidente Júlio Casares tinha Adriana como parceira para intermediar vendas de espaços e ingressos em jogos e shows no MorumBis, além de eventos no clube. A situação veio à tona em dezembro do ano passado após o caso ser judicializado.
A defesa de Mara afirma que ela mantém postura irrestrita de colaboração com as autoridades e que a lisura de seus atos será comprovada. Os advogados de Rita afirmam que ela sempre se colocou e permanece à disposição para colaborar com as investigações.
Nesta quarta-feira, 21, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Mara, Adriana e também de Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do São Paulo, que também seria beneficiário no esquema.
Os policiais apreenderam, em um dos endereços de Mara, R$ 28 mil em espécie, além de documentos que detalham o esquema. A reportagem do Estadão apurou que o conteúdo localizado pelas autoridades foi considerado de extrema importância para o andamento da investigação.
Uma das informações que Polícia e Ministério Público já tinham conhecimento, era que a parceria entre Adriana e Mara não se limitava ao camarote 3A no show da Shakira, citado em áudio publicado pelo ge em dezembro. Uma linha do tempo foi levantada e apontou negócios desde 2023. Fontes ouvidas pela reportagem do Estadão relatam a presença de Adriana como intermediária ainda antes, em 2022.
A própria Adriana reúne provas como trocas de mensagens e e-mails com diretores. Ela teria procurado opositores de Júlio Casares para vender os materiais. O ex-conselheiro Denis Ormrod chegou a pagar R$ 200 mil, mas disse que não recebeu o que lhe foi prometido. O valor, pago em cheque, não foi descontado.
“Eles têm o costume de gravar todo mundo. Mas (eu) não tenho ato ilícito nenhum. Pelo São Paulo, eu faço qualquer coisa. O dinheiro é meu e faço o que quiser”, justificou ao Estadão. Segundo ele, o pacote de materiais com provas de negócios que lesavam o São Paulo também foi oferecido por Adriana e o marido a outras pessoas.
Um dos negócios entre Adriana e Mara se tornou público por um áudio vazado. Isso motivou o Ministério Público e a Polícia Civil a iniciar outra frente de investigação. Um inquérito já apurava supostos desvios nos cofres são-paulinos.
Um dos materiais oferecidos a Ormrod foi a gravação que revelava um esquema de uso irregular do camarote 3A, a Sala Presidencial do MorumBis. Na conversa, Mara e Douglas Schwartzmann, diretor licenciado do São Paulo, tentavam convencer Adriana a retirar uma ação judicial que citava o esquema. O objetivo era evitar que o uso irregular do camarote se tornasse público.
A mesma gravação também revelou outro negócio, firmado pelo clube com a Osten Group. A concessionária cedeu carros em troca de publicidade. Na gravação, Adriana reclamou por não receber um veículo. Ela teria atuado como intermediária na negociação. “E como ficou o caso da Osten, Douglas? Que todo mundo recebeu o carro e eu não recebi?”, questionou Adriana.
Mara respondeu dizendo que também não recebeu, enquanto Schwartzmann intervém: “Pera um pouquinho, quem recebeu o carro da Osten foi o São Paulo Futebol Clube”. Adriana retrucou: “Tudo bem, mas eu fiz o intermédio de tudo”.
Aliado de Mara e Douglas deixa diretoria; Casares renuncia
Antonio Donizeti Gonçalves, o Dedé, anunciou a saída da diretoria social do São Paulo. Ele é um dos líderes do Movimento Sempre Tricolor (MSP), integrado também por Mara e Schwartzmann.
A saída de Dedé foi acertada após uma conversa com o novo presidente são-paulino, Harry Massis Júnior, que já era interino e, com a renúncia de Casares, fica no cargo até o fim do ano. Márcio Carlomagno é outro que deixara sua função, no fim do mês. Ele é superintendente-geral.
Segundo estimado pela Polícia, a presença de Adriana no São Paulo data desde o começo do segundo mandato de Júlio Casares. A sindicância externa encomendada pelo São Paulo para o caso do camarote sugeriu que sejam revisados os contratos firmados pelos dois diretores agora licenciados.
Na véspera da votação do impeachment no Conselho Deliberativo, foi vazado um novo áudio, no qual é discutida entre Tom (marido de Adriana) e Ormrod a ideia de forjar um furto do aparelho celular que continha a gravação de Adriana, Mara e Schwartzman. Isso teria sido sugerido por Tom. O marido de Adriana reclama que, em um encontro que serviria para tirar dúvidas sobre o caso, houve pressão para vender o áudio.
“Foi ‘toma o dinheiro e me dá as provas. Eu só quero meia dúzia de áudio e está bom’”, disse Tom na gravação. Já Ormrod reitera que foi procurado com uma oferta pelo material. Entre as exigências, estaria auxílio jurídico após o caso vazar.
Adriana ainda escreveu uma carta a Mara em que afirma ter sido pressionada a vender o material. Ela cita Vinicius Pinotti, possível candidato de oposição na eleição são-paulina. Segundo Ormrod, ele não participou da negociação.
Denis Ormrod era conselheiro do São Paulo, mas foi expulso em 2021 por acusações de agressão. Ele nega. Na época, ele disse sua exclusão se deu após a tentativa de ele revelar irregularidades na gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva (Leco), entre 2015 e 2020.
Entre as evidências, Ormrod disse ter tido acesso aos contratos do São Paulo com atletas contratados na gestão de Leco, como Diego Souza, Jucilei e Daniel Alves. Segundo ele, todos seriam “lesivos ao clube”.
Confira a nota da defesa de Rita de Cássia Adriana Prado
A defesa de Rita de Cássia Adriana Prado foi surpreendida, na presente data, com a notícia da realização de medida de busca e apreensão.
Ressalta-se que a Sra. Rita de Cássia sempre se colocou e permanece à disposição para colaborar com as investigações, contudo jamais foi formalmente intimada para prestar quaisquer esclarecimentos, o que nos causa estranheza.
A defesa reafirma sua confiança no regular andamento das investigações e reitera a plena disposição de sua cliente em contribuir com o esclarecimento dos fatos, esperando que a apuração ocorra com a observância dos princípios da legalidade, proporcionalidade e do devido processo legal, reforçando que nunca praticou qualquer ato ilícito e que sempre trabalhou pautada na ética, lisura e honestidade, o que será devidamente demonstrado ao final da investigação.
Confira a nota da defesa de Douglas Schwartzmann
No final do ano passado, quando tomou ciência da investigação pela mídia, a Defesa se dirigiu a Delegacia e informou que o Sr. Douglas Schwartzmann estava à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar esclarecimentos sobre os fatos.
Ato seguinte, no dia 9 de janeiro, a Defesa comunicou formalmente a Autoridade Policial que o Sr. Douglas faria uma viagem ao exterior na semana do dia 18 de janeiro, em razão de compromissos profissionais.
Inclusive, naquela oportunidade, apresentou-se cópia das passagens aéreas – ida e volta -, bem como a documentação comprobatória das atividades que faria no exterior.
Hoje, policiais civis se dirigiram a residência do Sr. Douglas e constataram o óbvio: ele não estava.
À toda evidência que a busca realizada na presente data – justamente quando as Autoridades tinham prévia ciência que Douglas estaria fora do país – tem a finalidade única de constrangê-lo, uma vez que tal medida foi totalmente inócua.
Confira a nota da defesa de Mara Casares
A Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares, por meio de seus advogados Rafael Maluf, Paula Stoco e Chiara de Siqueira, vem a público informar que foi surpreendida na data de hoje com o cumprimento de medida cautelar de busca e apreensão em sua residência.
Cumpre destacar que a Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares sempre se colocou à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar os devidos esclarecimentos acerca dos fatos perquiridos nos autos do aludido Inquérito Policial, jamais tendo sido intimada para qualquer ato que objetivasse a sua respectiva elucidação, mesmo com o constante contato presencial de seus advogados com a Autoridade Policial.
É inegável a postura colaborativa da Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares com o deslinde das investigações, cujo teor é amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Dessa forma, uma medida desta gravidade, cujos fatos são públicos, a torna desnecessária e inócua, restando como objetivo apenas e tão somente a exposição midiática e abusiva da Sra. Mara e de seus familiares.
A Sra. Mara Casares mantém a sua postura irrestrita de colaborar amplamente para a elucidação dos fatos perquiridos, cuja lisura de seus atos será comprovada ao longo desta investigação policial.
Por fim, a Defesa esclarece que ainda não teve acesso à íntegra da decisão proferida pelo Juízo da Vara das Garantias do Foro Central Criminal da Capital do Estado de São Paulo, que determinou a medida de busca e apreensão
Ou, ou, ou Aline, e aqueles dizeres: “Lugar de mulher é em todo lugar, vai ter mulher nas diretorias de futebol do SPFC sim”, rsrsrsrs. Como que fica??
Com tudo que já sabemos posso afirmar sem medo de levar um processo que no clube imperava uma quadrilha dos níveis visto na Lava Jato.
Estimama-se que o clube pode ter sido roubado em até 300 milhões de reais.
Vocês se lembram que em discussões sobre qual jogador trazer, que não havia dinheiro, eu e alguns sempre falávamos que basta não roubar o clube? Era cristalino que o clube estava sendo roubado, o que o SPFC arrecada, era pra ter um baita time e ainda pagar em dia…
O pior é que esse dinheiro não vai voltar mais e a dívida está em 1 bi e ainda corremos um altíssimo risco de ser rebaixado esse ano e pode ser já no Paulistinha.
E a cereja do bolo é saber que no país impera a impunidade, basta ter contatos, ser amigo do amigo do meu pai… prestar servico$ ao banco Master entre outros… pra se livrar de uma pena grande ou receber uma punição levíssima.
Estamos se revirando em um mar de MERDA!
Uma simples puxada de pena e eis que surge um Pavão Gordo acompanhado por varios outros pavõezinhos…
Que se faça justiça e com isso o SPFC possa retornar ao patamar de onde nunca deveria ter saido.
Fora malfeitores.